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Reflexões sobre a vida, o universo e tudo mais

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A perspectiva das caixas em nossa vida

Há algum tempo atrás eu estava em uma reunião e um dos participantes particularmente me chamou a atenção. Ele discursava diante de todos os presentes com grande entusiasmo, demostrando claramente sua senioridade e experiência profissional, mas dentre tantas frases, uma em especial me chamou a atenção, a insistência dele na frase “precisamos pensar fora da caixa“. Não que seja uma frase nova para mim, eu até a tenho utilizado muito, mas de tanto ele martelar acabei ficando incomodado. Será que estaríamos sendo tão conservadores assim, para justificar esta avalanche?

Saí de lá, mas continuei com a frase na cabeça. Precisava pensar mais sobre aquilo, não pelo cenário exposto na reunião em si, mas o por quê daquela frase estar sendo tão incessantemente proferida. Já virou até clichê no mundo corporativo.

A caixa

Ao refletir sobre o assunto percebi que esta questão envolve o cerne do ser humano e está presente desde antes de nosso nascimento. O mundo em que vivemos nada mais é do que uma caixa dentro de outra caixa, e quando passamos a fazer parte dele adentramos infinitas dimensões de caixas sobre caixas durante toda nossa vida, sejam estas físicas ou comportamentais.

Existe uma caixa enorme chamada universo, ao qual existe um sistema dentro, uma caixa a qual contém planetas e um destes representa uma caixa para nós homens.

Nós seres humanos somos gerados em uma caixa, daí nascemos e logo somos colocados em diversas outras caixas. Nossa vida se resume a cada vez mais nos colocarmos em caixas. Nossa casa, a escola, nosso carro, o elevador da empresa, a empresa, o mercado, a casa dos amigos, o barzinho, a balada, o ônibus…

Tudo se resume a caixas as quais nos permitimos fazer parte, ora por vontade própria, ora por imposição. No caso do segundo, acrescentamos às caixas físicas as comportamentais, que ditam os padrões a serem seguidos e que devemos nos enquadrar, ou melhor, nos encaixar para estarmos bem com a sociedade.

Mas será que todos queremos nos encaixar? Não tem nada de errado com este cenário. Até o considero natural ao ser humano, e o homem moderno, com seu desenvolvendo e tecnologias cada vez mais presentes está cada vez mais envolto em caixas. Pare para pensar no seu dia desde o momento que abriu os olhos, abra a mente e olhe para os lados… perceba o quanto está envolvo em caixas, tanto que inevitavelmente ao final de nossas vidas, acabamos sendo colocados em mais uma caixa.

esconder-dentro-da-caixa-6369498 (1)Diante disso, ao refletir sobre nossa vida, olhar para o lado e ver caixas e mais caixas, questiono-me se de fato é possível pensar fora da caixa, ou se estamos nos iludindo, sem perceber que apenas estamos trocando de caixa? Será que estes padrões estabelecidos pela sociedade os quais deveríamos nos encaixar ainda fazem sentido?

Para mim, pensar fora da caixa é fundamental, necessário e significa essencialmente refletir sobre o que de fato importa, estar disposto a abandonar as caixas que não nos servem mais, e dedicarmos-nos àquelas que nos são valiosas, seja profissional ou pessoalmente. As caixas estão em todos os lugares, de todos os tipos e tamanhos, só precisamos enxergar em quais queremos entrar e focar nestas que vão de encontro ao nossos objetivos.

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A clareza surgida da escuridão

dark-nature-wallpaper-photo-is-cool-wallpapersOs postes da rua ascenderam-se. Era anunciada mais uma noite. A luz gentilmente oferecida por nosso astro rei foi se esvaindo a cada minuto. Pouco tempo depois o fundo da paisagem já se apresentava outro, escondido pelas cortinas da noite que adentrava sem pedir licença.

As horas foram passando, e nós humanos já acostumados com esta rotina, mal percebíamos o que estava acontecendo. O fenômeno é natural, rotação e trasladação, mas a beleza da orquestração oferecida pelo universo por poucos ainda era contemplada.

Para surpresa de muitos, os faróis da noite apagaram-se sem qualquer motivo aparente. De fato, o motivo para estes era indiferente, pois para estes muitos a segurança se foi. Se perguntaram o que teria acontecido. O tempo passou e nenhuma resposta foi dada. Seria o fim?

Para alguns talvez, dependentes de fatores externos e tecnologias longe de sustentáveis, este Homem tornou-se dependente de suas criações, deixando de lado a natureza que o cerca. E qual melhor momento para contemplar, senão aquele em que não temos nenhuma distração.

A escuridão que tomou lugar permitiu a contemplação da natureza como algo maior, algo simples, mas de uma força inestimável. A clareza que aflorava desta escuridão era uma só, e trazia uma única certeza: estamos nos distanciando da natureza e dos fenômenos que nos cercam. Estamos valorizando dependências para nossa sobrevivência que na verdade são secundárias e frágeis.

É somente através da escuridão que conseguimos enxergar a luz, haja vista as estrelas que em sua maioria são vistas apenas a noite.

A escuridão também nos permite dar mais atenção a cada passo dado, trazendo cautela e um senso de busca por uma segurança a qual, mesmo sem sabermos se existe, faz com que alguns repensem, ousem, tentem superar suas dificuldades e avançar ainda mais, enquanto faz com que outros se acovardem e tornem-se vítimas de seu próprio medo e insegurança.

Paradigmas que se quebram como vidro

Time-for-Change_0Mudanças são comuns em todos os ambientes, desde o big bang, o universo segue em constante mudança. Cada partícula dele é extremamente importante para seu desenvolvimento e, ainda assim estão sempre mudando, e é devido a isso que temoos umas infinidade de eventos magníficos que reconstroem este universo a todo momento.

Mas não precisamos ir tão longe, a natureza que nos cerca também nos apresenta o quanto é normal e natural mudar. Ela nos mostra que o domínio é do mais forte, porém a sobrevivência é daquele que melhor se adapta. Se analisarmos a história da humanidade ao longo dos séculos, os fatores mudança, adaptabilidade e evolução ficam bem evidentes. Então por que resistimos tanto?

Obviamente que o controle nos traz segurança e, de fato nossa sociedade hoje está baseada nela, mas por quanto tempo?

Os moldes e padrões estabelecidos sobrevivem por um tempo, mas não para sempre. Atualmente estamos vivendo este momento de ruptura. Não mais aceitamos as coisas como são, tornamos-nos questionadores, percebemos que podemos tomar decisões para nós mesmos, as quais nos permitirão desfrutar de uma vida melhor.

Há muito tempo deixamos de viver para dar importância para o sobreviver. Isso é de certa forma conveniente e aparentemente necessário, mas atualmente o que vale é a experiência que vivenciamos, e para isso, cada elo, cada engrenagem do universo precisa mudar, precisa adaptar-se.

Tecnologias vêm, novos serviços focados na melhor satisfação se tornam cada vez mais comuns e os clientes deixam de ser um grupo rotulado e a ser estudado, para serem constituídos de cada um de nós, todos juntos ao mesmo tempo, formando um ecossistema sustentável, consumidor de experiências sobre produtos e serviços. Isso é evoluir. Este é o momento que estamos vivendo.

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Ficar preso às amarras da segurança e do porquê sempre foi feito assim, levará muitos à morte, enquanto poucos serão aqueles que, além da visão de futuro, adaptar-se-ão a ele.

A insatisfação de viver no passado

passado-presente-futuroO tempo passou, já estamos no meio da segunda década do século XXI e estamos vivendo como no século passado, influenciados pela urgência de tudo, pela pressa de crescer e expandir-se, e principalmente pela necessidade de sobrevivência no lugar da vivência, mas será que esta característica marcante do século passado ainda faz sentido neste?

O crescimento das empresas no século passado foi tamanho que nas últimas décadas muitas empresas não tinham mais para onde crescer, daí vieram as incorporações, onde as empresas passaram a se juntarem formando grandes conglomerados corporativos, com isso os produtos e serviços viraram commodities, ou seja, algo intrínseco ao dia a dia e, para que as empresas se destacassem, a diferenciação passou a tomar destaque nas discussões estratégicas.

Não que esta tendência pudesse ser diferente ou menos não fosse necessária, de fato o cliente hoje quer produtos e serviços exclusivos, nas não apenas no formato como as companhias estão fazendo, mas na experiência. A experiência do cliente ao adquirir um produto ou serviço ainda hoje é um campo muito pouco explorado pelas empresas, sejam elas simples como uma lanchonete ou restaurante como para as grandes corporações. Essas empresas ainda querem forçar aos clientes uma produção em massa daquilo que elas julgam ser o que o cliente quer, daí a célebre diferença entre foco no cliente e foco do cliente.

Do outro lado estão pessoas comuns, funcionários e parceiros destas empresas, e que em muitos casos também vestem o chapéu de clientes. A sede pela produção massificada destes produtos e serviços gera um alto índice de pressão sobre estas pessoas, que têm que fazer muito mais do que pelo qual foram contratadas ou até mesmo são capazes.

Atividades em paralelo, a busca constante por novos modelos e formas de fisgar os clientes, o fazer mais com menos, tudo isso está indo na contramão daquilo que o cliente realmente busca, que é a satisfação diante da experiência com o produto e serviço.

Ainda assim as empresas insistem que tudo tem que ser para ontem, muitas atividades e iniciativas são postas para execução em paralelo, sem que uma boa estratégia holística tenha sido definida, ou seja, hoje dentro das organizações criamos mais trabalho do que resultados para os clientes.

O controle da linha de produção dos produtos ou até mesmo do atendimento dos serviços já não se faz mais suficiente. Somos cobrados pelo controle do controle do controle e nada disso é percebido pelo cliente, pois este quer apenas uma experiência satisfatória.

Entendo que controles são necessários, porém as empresas precisam de visão estratégica do negócio, visão de fora para dentro e, a partir daí, simplificar seus processos com foco nos resultados, eliminando-se os gargalos, as burocracias, as intermináveis reuniões que discutem o sexo dos anjos, mas que não resultam em decisões estratégicas, cortar as muitas atividades em paralelo que com o objetivo de agilizar, somente atrapalham e impactam na qualidade das entregas, eliminar intermediários que floreiam as soluções, geram muito papel e apresentações dignas de prêmios, mas nenhum resultado que interesse para os clientes.

Enquanto essas empresas se preocuparem com o excesso de trabalho e apenas em fisgar o cliente, ninguém vive a vida, ninguém satisfaz-se com nada, e de que adianta? Uma hora as pessoas vão perceber que estão vivendo no século errado, que estão no passado e estas empresas não estão alinhadas a seus objetivos de vida, e quando isso acontecer, as barreiras vão cair, e então deixaremos de sobreviver no século XX e aí sim começaremos a viver no século XXI.

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A política dentro de nós

Já que comecei a abordar assuntos polêmicos no artigo A incompetência do Gigante, volto aqui mais uma vez para expressar minha humilde opinião sobre o momento político que estamos passando.

A Era de Péricles - Philipp Von Foltz de 1853A ideia política iniciou-se na Grécia Antiga, onde as praças eram ao mesmo tempo palanques e plenária, então conhecidas como Assembleias dos Cidadãos, sendo ainda considerada berço da democracia, inclusive com o uso do voto como ferramenta. O tempo passou e muito desta política foi esquecida. A cada ano que passa o que temos é cada vez mais um show… de horrores eu acrescentaria. Feito por privilegiados e destinados à massa.

Uma das características que mais definem os brasileiros é o jeitinho que dão para tudo, mesmo que muitas vezes seja para burlar as regras e processos definidos, e é exatamente este diferencial que nos torna tão corruptos, e nos trouxe no caos que estamos. Ou não estamos?

A definição de bom ou ruim não recai sobre uma verdade absoluta, mas sim sob um critério, mesmo que inconsciente, comparativo. Comparação esta que está sujeita a inúmeras variáveis, e principalmente pontos de vista. O que de fato é bom? Seria este bom igual e suficientemente para todos?

Muito me impressiona pessoas reclamarem da corrupção e da política, mas que é tão corrupto quanto, quando colocado em determinadas situações favoráveis à esta, mesmo que nas pequenas coisas, o brasileiro se corrompe muito fácil. Haja vista a velha conhecida Lei de Gerson, onde a vantagem daquele que está em situação favorável sobrepõe-se sob os demais, e exemplos não faltam, espertos que:

  • andam com seus veículos em velocidades proibidas pois sabem que não há fiscalização;
  • andam nos acostamentos ultrapassando aqueles que estão esperando no congestionamento;
  • falsificam identidades para entrar em lugares ou pagar menos;
  • ficam conscientemente com o troco errado que lhe foi dado por descuido do atendente;
  • tiram vantagem das ignorância ou deficiência de outros semelhantes;

Exemplos não faltam, portanto que moral têm estas pessoas em criticar os governantes corruptos? Eles são meros reflexos de nós mesmos. Agora, será que de fato estamos sob um governo tão caótico, como está sendo pintado na mídia e nas redes sociais? Será que as referências as quais estamos comparando estão corretas?

Olho_BrasilO brasileiro é um povo de memória curta. Passamos por momentos recentes e vergonhosos em nossa história e continuamos somente a reclamar, mas agir, aí é outra história. O processo de crescimento de uma pessoa é longo, desde seu nascimento até sua inserção na sociedade como parte de uma engrenagem viva, o que dirá da maturidade deste povo, que prefere fechar os olhos não ver o que acontece no mundo real?

Lembro-me de meus pais há anos atrás se desdobrando para sustentar meu irmão e eu, e ainda fazendo parecer que tudo estava bem. Sofremos com a ditadura, com a inflação, com os congelamentos de salários, com os saques de nosso suado dinheiro de nossas humildes economias e os inúmeros planos econômicos que tivemos, com as fronteiras fechadas para o mundo, com a ignorância de poucos poderosos, entre outras coisas. Tudo isso em razão de uma corrupção não declarada. Mas ainda assim julgamos o governo que evidencia os problemas e esta corrupção como ruim, quando na verdade ele é benefício para o processo de maturidade do povo. O quão hipócritas ainda podemos ser?

E hoje… Ahh como estamos vivendo a beira do caos… sentados em nossas casas próprias, mesmo que financiadas, com nossa mobília nova, bonita e confortável, com televisões de LED assistindo a novela das 8 na mais alta definição, com os mais novos modelos de computadores, tablets e smartphones na palma da mão, conectados ao mundo através da rede mundial de computadores, a Internet. Sem contar o carro na garagem e as viagens pelo país e pelo mundo que temos disponíveis a poucos passos. As muitas filas, sacolas recheadas de compras e futilidades as quais estamos rodeados. Ostentação. A vida está mesmo muito difícil neste país.

Se olharmos para trás veremos que já estivemos muito pior, e que não existe caminhos sem obstáculos e muitas vezes decepções. Tomamos decisões todos os dias, algumas certas e outras nem tanto, afinal somos humanos. Só precisamos reforçar esta humanidade em prol do bem comum.

educação-brasil-281x300De nada adianta o gigante acordar para somente reclamar ou trocar os governantes por outros tão ruins quanto. Quantos de nós sabem de fato administrar algo mais que suas próprias vidas? Quantos sabem o que fazer política e estar no comando realmente significa? A revolução está na base, nos valores que a cada dia que passa se perdem com o vento. Está em assumir as responsabilidades pelas decisões e cobrar de si o que cobramos dos outros.

Aplicando à política governamental atual, não se deixem influenciar pela publicidade, pois esta é apenas uma ferramenta de venda, só serve para isso. Investigue, pesquise, cubra-se de argumentos sólidos para depois tomar sua decisão. Depois de tomada, assuma responsabilidade sob ela, cobre para que as coisas aconteçam, e o mais importante, se errou na decisão, reflita sobre o erro e continue no processo de tomada de decisão consciente. Só assim estaremos de fato comprometidos com um futuro melhor, sustentável e justo para todos.

Seríamos nós virados no Jiraya?

Jiraya_Again_by_kirschnerHá muito anos ouço o termo “Virado no Jiraya” e, apesar de entender o sentido da frase, não conseguia compreender a relação do personagem do nostálgico seriado japonês com uma situação agitada a qual alguém poderia estar passando. Estar virado no Jiraya é estar agitado, por vezes nervoso e, em casos patológicos pode estar associado com a hiperatividade de um determinado indivíduo. Ainda assim, nunca de fato utilizei este termo, pois nunca concordei.

Sekai Ninja Sen Jiraiya (世界忍者戦ジライヤ), traduzido como Guerra Mundial dos Ninjas Jiraiya e lançado no Brasil sob o título de Jiraiya, o Incrível Ninja) é uma série de televisão japonesa do gênero tokusatsu, pertencente à franquia dos Metal Heroes. (Fonte: Wikipedia)

O mais interessante é que após rever o seriado o sentimento ao refletir sobre o termo é outro. A cada episódio nos deparamos com o personagem principal evoluindo não apenas na arte ninja, mas também como ser humano, aprendendo a valorizar a vida sob os bens materiais, enfrentando batalhas que, a princípio pareciam impossíveis e muitas vezes sem as armas necessárias para vencer, mas que ainda assim mostrava-se firme e perseverante, tendo como foco vencer, seja qual inimigo fosse, colocando para os expectadores que a luta por um ideal de paz para a humanidade pode ser a maior recompensa possível.

Pessoa na corda bamba entre bem e malOs ensinamentos ninja da série podem ser aplicados no dia a dia por qualquer um, em ações simples de respeito ao próximo e que valorizem o ser humano acima de tudo. Sendo assim, reforço que não entendo o motivo de rotularem pessoas agitadas assim. A sabedoria de um ninja não está em mostrar-se, na luta ou nas armas que sabe manejar, mas no respeito pelo seu semelhante e pela natureza.

Se as pessoas assistissem e entendessem a mensagem da série, tenho certeza que este termo seria muito melhor empregado com muitos Jirayas praticando o bem maior.

Vislumbre de um sonho

Ele estava dormindo, trilhando o caminho que os anjos lhe indicavam
Sentia-se levado, não tinha controle
A sensação era muito boa, não faria sentido desvencilhar-se
Não havia razão para não ceder à paz que lhe envolvia naquele, que parecia ser um sonho
Por maior que fosse clichê, não podia deixar de notar a névoa a sua volta e a sensação de estar flutuando

Em meio a este sentimento de liberdade e paz, percebeu uma leve brisa passar por seu corpo inerte
Como um sopro repentino

Abriu os olhos com certa dificuldade, mas apreensivo
Perguntou-se o que o teria capturado daquela sensação de paz
Tudo que pôde ver foi um vulto ao longe afastando-se dele
Mal pôde ver sua forma, impossível identificar

Incomodado com a situação, juntou forças para levantar-se
Sentia-se inconformado de ter de deixar aquele transe, mas não conseguia ignorar, sem saber a razão

Ao procurar segui-lo, tentou em vão balbuciar algumas palavras
Queria ser ouvido, estava curioso para saber o que estava acontecendo
Sentia-se como se fisgado por aquela criatura que mal podia identificar
Seria um Anjo? Um Mensageiro? Ou apenas uma ilusão?
Não podia mais conter sua curiosidade

Ao avançar viu-se em um corredor de névoa
Ao fundo pôde enxergar claramente a forma

angelical

Parecia que uma luz vinha de encontro àquele ser, para destaca-lo
Mas não conseguia identificar de onde esta vinha, apenas estava lá, propositalmente para que ele pudesse vê-la
Suas curvas se destacavam, do pescoço aos pés
Sua pele, branca como o leite deixava transparecer sua pureza
Sua nudez era hipnotizante

Ela continuou a caminhar, como se não soubesse que estava sendo observada
Ele seguiu-a, hipnotizado, com aquela beleza ímpar a seus olhos

Ele ainda não fazia ideia de onde estava ou para onde estava indo
Mas em meio a névoa, notou o que parecia ser uma porta a sua esquerda
Não uma porta tradicional, estava mas para um caminho
Uma alternativa àquele corredor que mal conseguia enxergar um fim
Ela entrou, sem dar-lhe qualquer pista de que percebera sua presença

Ao chegar a porta, pode vê-la parada, ainda de costas
O sentimento que vinha a tona não era de desejo, mas de satisfação por estar ali para contemplar aquela beleza

Naquele instante, lentamente ela abaixou-se
Ele, paralisado a porta, pôde sentir cada instante daquele movimento
Como em câmera lenta, como se aquela cena fosse eterna
Pôde contemplar aquele par curvilíneo, perfeito
Como se esculpidos pelo mais perfeccionista dos artistas

Percebeu que ela havia pego algo com suas pequenas e belas mãos
E, ainda abaixada, olhou-o nos olhos abrindo aos poucos, um sorriso inocente e inesquecível

Ainda paralisado, sentiu-se exaurido de sua energia
Pensou que iria, sem forças, deixar-se cair, mas não aconteceu
Sentiu a nevou aumentar, e aquela bela cena começou a sumir
Tentou em vão fixar melhor seu olhar, espantar o que o impedia de contempla-la, mas nada pôde fazer
Conforme aquela imagem se esvaía de sua frente, somente pôde vê-la tentando balbuciar algo

E o pouco que pode entender de seus belos lábios vermelhos foi um sussurro em seu ouvido
“Estou aqui por você” — naquele instante, era somente o que ele precisava ouvir.

Comprometidos com o umbigo

Desde crianças somos condicionados a pensarmos mais em nós mesmos e a sociabilização fica em segundo plano. Um exemplo é que desde a pré-escola, cada um com seu lanche, cada um recebe uma nota e é elogiado ou reprimido por ela, mas dificilmente somos direcionados para competências e atitudes que se voltam para aqueles que estão a nossa volta. É difícil pensar no outro.

camiseta_euO tempo passa e crescemos, vamos para escola, depois faculdade e o olhar para si se fortalece cada vez mais. Não que eu acredite que isso é errado, mas que falta o equilíbrio. Uma pessoa que completa o ensino superior possui em média 24 anos. Ou seja, são 24 anos sendo condicionados a pensar em si contra o mundo ao seu redor.

Sim, o mundo é cruel, eu sei, mas o que acontece quando esta pessoa entra no mundo corporativo? O mesmo, dedica-se a carreira acima de tudo, ou seja, seu crescimento profissional tem que ser sempre maior que o dos demais, e em muitos casos nem que tenham que passar por cima de outros para isso. E muitas empresas valorizam este tipo de atitude, o que é lamentável. Onde estão os valores? Infelizmente, estão perdendo-se com o tempo.

Claro que o o modelo de departamentalização pregado por Ford, que nos foi muito útil no passado e presente até hoje nas corporações, contribui significativamente para este cenário. As empresas não se comportam como foram concebidas, com objetivo único e no qual todos seguem na mesma direção, mas pelo contrário, cada departamento tem seu próprio processo, que não se conversa com os demais, cada departamento é mais importante que o outro, não importando a relevância deste para o negócio da companhia, e por consequência, cada empregado é mais importante para si que os demais. Engraçado que muitas empresas atualmente preferem chamá-los de colaboradores, mas onde estaria de fato a colaboração?

No mundo atual, onde se prega a sustentabilidade, e no qual as redes sociais estão cada vez mais presentes, será que ainda cabe espaço para esse tipo de atitude individualista? A meu ver não, porém esta característica presente no homem moderno está tão enraizada, que acho muito difícil que grandes mudanças ocorram nos próximos 10 ou 20 anos. Mas é claro que a dona esperança é a última que morre.

A meu redor, procuro sempre compartilhar conhecimento e, sempre que possível, a experiência adquirida, mas não é fácil lutar contra a maré. Pensar e agir em prol daquilo que agrega valor, seja em qual segmento for, enquanto os demais estão pensando e agindo somente dentro de suas devidas caixas, tem se mostrado um imenso desafio, talvez o maior neste mundo moderno.

Normose que nos impede de sermos nós mesmos

Desde pequeno somos condicionados a seguir os ditos padrões da sociedade, como se somente com esta receita de bolo pudéssemos ser aceitos, mas por que seguir os padrões de sociedade? Por que ser aceito é tão importante?

Normose é um conceito novo, trazido por alguns autores da Psicologia Transpessoal, que tem ganhado espaço nos meios terapêuticos. É um conceito que lida com a ideia do que é considerado “ser normal” numa determinada sociedade ou grupo e do quanto este comportamento causa sofrimento ou não.  (Fonte)

normoseSer “normal” atualmente pode ser algo perigoso, pois a cada dia que passa a sociedade afunda-se mais em sua mediocridade, trazendo a tona o fundo do poço e o pior, valorizando-o em cadeia nacional. Nesta hora lembro-me de meus velhos professores de comunicação dizendo: “a massa é burra” e, mesmo entendendo o conceito na época, somente com o tempo e a experiência de vida é que podemos de fato compreender o significado desta frase, ou melhor, somente quando sentimos na pele, ao nos depararmos com as inúmeras situações que nos são colocadas pela dita sociedade normática, é que chegamos ao ponto de tomar a decisão entre agir dentro ou forma do padrão de normalidade aceita, ou seja, ser ou não “normal” perante a sociedade. O problema é que nem todos conseguem chegar neste ponto de decisão, muitas vezes por estarem embriagados com a normalidade que os cerca, tornando-se reféns da mesma.

Ser negro enquanto a sociedade é branca
Ser ateu enquanto a sociedade é crente
Ser gordo enquanto a sociedade é magra
Ser imperfeito enquanto a sociedade é “perfeita”

Pensar enquanto a sociedade conforta-se
Criar enquanto a sociedade copia
Contestar enquanto a sociedade impõe-se
Falar enquanto a sociedade cala-se

eisnteinVocê quer ser normal? Eu definitivamente não! De que vale ser “normal” em um mundo virado de ponta cabeça, em que os valores foram esquecidos, onde o errado tornou-se o certo e aqueles que praticam o bem são ridicularizados pelas próprias leis e normas impostas. Eu não… prefiro ser maluco beleza e mesmo com muita dificuldade, ainda acreditar no que é certo, seguir pelo caminho do bem e promover a paz, mesmo que só possa fazê-lo em meu pequeno quadrado e não seja “tão” bem visto  pela sociedade.

Não vou compactuar com a queda da sociedade, ser diferente é bom. Seja diferente, dê um tapa nessa sociedade também e faça a diferença também caro leitor. Só assim podemos mudar o mundo tornando-o um lugar melhor para todos.

Diário de Bordo: Ilhabela – 28/09/2013

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O planejamento começou durante a semana, com a decisão de ir, o estudo do caminho e a reserva de hospedagem. Como tivemos um aniversário na noite anterior, acabamos não conseguindo levantar cedo conforme o planejado. Já estávamos duas horas atrasado do plano original, mas tudo bem, afinal estávamos indo passear.

Depois de terminar de arrumar as malas, deixar as coisas ajeitadas em casa, revisar o trajeto no mapa, atualizar as bases de radares no GPS e abastecer o carro, lá estávamos nós, a caminho de Ilhabela. Pegamos a estrada e tivemos muita boa sorte no caminho. Não presenciamos nenhum acidente e o GPS se virou muito bem. Claro que o caminho era bem simples, e eu já o conhecia. A estrada estava muito boa, com bastante movimento em alguns trechos, porém, sem trânsito. Chegamos na balsa para travessia por volta das 14 horas.

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Após atravessarmos, procuramos o Chalés Patrícios, onde iríamos ficar hospedados, e descobrimos na prática que o Google Maps não está muito atualizado em Ilhabela. O GPS levou-nos até a rua correta, porém bem longe da numeração devida. Dificuldades a parte, conseguimos nos localizar depois de um tempinho, deixamos as coisas no chalé, nos trocamos e fomos rumo a 20130928_163251Praia do Julião, onde nos encontraríamos com amigos. A praia, bem diferente daquelas que estamos acostumados, tinha areia grossa, faixa de areia curta e uma excelente paisagem, mesclando pedras, água cristalina e areia. Ficamos por um tempo contemplando-a e logo depois paramos no Prainha Do Juliao Bar E Restaurante, onde pudemos apreciar excelentes pratos. O local é encantador e merece atenção nos passeios à ilha. Com o sol deitando-se ao horizonte, saímos e lá e voltamos para o chalé, afinal, a noite seria de festa.

Pouco tempo depois, lá estávamos nós novamente dependentes do GPS para chegar em nosso destino, e mais uma vez a tecnologia insistia em nos guiar por uma rua que não existia. Demos algumas voltas e graças a alguns moradores, conseguirmos localizar nosso destino. Estávamos ali para um mega evento em comemoração ao aniversário de meu amigo Rodrigo, com direito a churrasco e o show de sua banda de rock, mas além disso, encontraria com outros amigos em comum e ainda presenciaria um pedido de casamento. Tudo foi muito bom, um espetáculo a parte.

No domingo pela manhã fomos em busca de uma padaria e descobrimos que há pouquíssimas opções para se comer um simples pão na chapa com café. Rodamos bastante pela cidade e graças ao Foursquare encontramos a Ilha dos Pães, uma padaria em um posto de gasolina, foi a salvação. A padaria não era grande, mas oferecia uma boa variedade de produtos. Não sei se é a melhor da ilha, mas foi a que achamos e que tinha um bom atendimento.

PicsArt_1381928157621Com o estômago forrado e o tempo escasso, não perdemos tempo e partimos para conhecer a Cachoeira da Toca, um local muito bonito, e agradável, exceto pelos mosquitos e a água, que estava bem gelada, impossibilitando-nos de aproveitar devidamente sua natureza. É um local simples, mas com uma infraestrutura mínima para proporcionar bons momentos junto à natureza. A entrada custou R$ 15 por pessoa, mas valeu muito a pena. Esperamos voltar em um dia de calor para descer os toboáguas naturais.

Depois da cachoeira, fomos conhecer a famosa Praia da Feiticeira. A praia é bonita, seguindo o padrão da ilha, com areia grossa e faixa curta. A água também não estava muito convidativa, tendo em vista que alguns poucos passos dentro da água e já se está com ela no pescoço. A temperatura também não ajudou. O mais curioso da praia é o casarão que tem a seu lado, muito bonito, mas que por ser propriedade particular, não pudemos chegar muito perto. Ainda assim, gostamos mais da Praia do Julião.

20130929_165151Infelizmente o tempo estava acabando e tínhamos que voltar para casa. Pegamos nossas coisas no Chalé, curtimos a maravilhosa hospitalidade da família do Rodrigo durante um almoço mais que descontraído, e com muito ânimo (só que não), pegamos a estrada de volta para casa.

A Ilha tem seu nome merecido, pois de fato é muito bela, contando com muitas paisagens e atrativos para quem curte a natureza. Foi uma pena ficar tão pouco tempo e que o clima também não ter ajudado muito. É um local para voltar e curtir melhor, afinal ainda há muito o que conhecer.

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