Horizonte de Eventos

Reflexões sobre a vida, o universo e tudo mais

Tag Archives: Trabalho

Improdutividade Corporativa

O início do século XX foi marcado pelo aumento da produtividade industrial, ao qual as empresas investiram em maquinários  e na serialização do trabalho. Neste momento o modelo fordiano representou uma revolução para a indústria e alavancou avanços tecnológicos, mas para a segunda metade do mesmo século este modelo passou a não ser mais suficiente.

A globalização mostrou-se cada vez mais presente, e consigo mudou a forma das empresas verem seus, funcionários, fornecedores e clientes. improdutividade02A cada momento novas frentes se deslocavam do local para o global, e com isso as exigências do mercado cresceram em velocidades cada vez mais altas. Com este cenário, os profissionais deixaram de fazer aquilo que sempre fizeram para ter que fazer cada vez mais, elevando suas possibilidades, absorvendo novas funçõese agregando atividades que antes eram divididas. Daí nasceu a célebre frase: “Fazer mais com menos”. Mas será que isso é realmente possível ou apenas uma ilusão a qual nos sentimos confortáveis diante das exigências que nos são impostas?

Gosto de pensar que tudo o que fazemos é, de alguma maneira, uma representação das leis da natureza e, esta mostra que com uma semente só é possível plantar uma árvore, mas com uma árvore podemos colher várias sementes. Minha interpretação disso é o que alguns estudiosos, como José Davi Furlan estão começando a defender, o correto e consciente não é fazer mais com menos, mas fazer “mais com o mesmo”. Não é natural diminuirmos os insumos e esperarmos um aumento da produção. Isso na realidade não é possível, mas preferimos nos iludir com esta frase em moda, pois os executivos a proferem como uma verdade absoluta.

Ainda assim, a chave para o “Fazer mais com o mesmo” está na também famosa produtividade. Mas o que
seria produtividade? Segundo  em seu artigo “What is Productivity and Why is it Important?“, produtividade, em tradução livre, é:

“… simplesmente uma medida do quanto nosso tempo é gasto para gerar os resultados desejados, e se estamos fazendo de forma efetiva.”

Ainda no artigo, o autor relaciona produtividade à quantidade de tempo gasto produzindo algo que realmente cria valor, o problema é que as empresas cobram por produtividade, mas impõem atividades que não estão relacionadas a valor, ou melhor, muito do que fazemos nas empresas tem pouca ou nenhuma relação com os resultados esperados pelo nosso trabalho.

Entre estas atividades estão reuniões intermináveis e recorrentes, trocas de e-mails, planilhas e apresentações que de nada servem para o resultado que a companhia busca. Geramos documentos para justificar o trabalho realizado ou até a realizar, e gastamos tempo nestes ao invés de produzirmos resultados. Não é isso que faz as corporações prosperarem, pelo contrário, as mantém no buraco da burocracia criada por ela mesma.

Empresas e profissionais produtivos trabalham para o resultado, eliminando gargalos e falhas no processo, e não criando inúmeros pontos de controle para medir e comprovar que algo que já se sabia, de fato acontece. Estes muitos controles e cadeias de aprovações só nos distanciam das reais causas e, por consequência dos resultados.

improdutividade01Já passei por diversas empresas e, mesmo quando converso com outros profissionais, a situação da burocracia e das muitas atividades não produtivas as quais somos obrigados a realizar tem sido cada vez mais presente. Há momentos em que os profissionais dedicam-se tanto a estas improdutivas atividades que ao chegarem no final do dia sentem-se frustrados, pois mesmo cansados, não sentem que fizeram a diferença e que produziram resultados.

Já passou da hora das empresas e, principalmente das pessoas começarem a focar no que realmente é importante e direcionar seu esforço para as atividades que agregam valor e proporcionam insumos para este resultado. Os direcionadores do século XXI são a otimização dos recursos existentes, simplificação dos processos e valorização do capital humano.

Lembro que não basta esperarmos que aconteça, ou até mesmo que seja algo simples e fácil. Esse tipo de mudança não é incremental, mas disruptiva. Para enfrentarmos o que está por vir a famosa “melhoria contínua” não é suficiente, mas sim um modelo transformacional, ao qual repense o negócio e como fazemos parte dele.

A incompetência do gigante

web1146Assim como no futebol, no mundo corporativo os goals são as metas as quais devemos alcançar. Estamos ali para isso, trabalhamos duro para atingí-las e como qualquer profissional, as vezes conseguimos, outras não.

Quem me conhece sabe que não sou nem um pouco fã de futebol, mas uma coisa não posso negar, essa era a chance de nos mostrarmos para o mundo. De apresentarmos os brasileiros como profissionais, capazes de planejar e seguir com os processos, prover garantias para o turista e desmistificar os rótulos pejorativos acumulados durante nossa história. Mas o que fizemos? Em vez disso só mostramos que não estamos preparados para o mundo. Nosso nível de maturidade diante do mundo está mais baixo do que eles poderiam imaginar.

O respeito e as atitudes dos japoneses, sejam os jogadores ou os torcedores que vieram para cá só corroboraram de que ainda estamos longe de podermos sentar numa mesa e comermos de garfo e faca, sem nos sujarmos. E ao final, nossa equipe perde e novamente mostramos para o mundo que não sabemos perder, o orgulho dos brasileiros fala mais forte e o desrespeito impera. Antes todos estavam torcendo para os heróis, agora estão condenando aqueles à forca. Onde está a energia, o patriotismo até a pouco explodindo a plenos pulmões?

Onde foi parar esta garra por justiça nas muitas ocasiões que realmente somos injustiçados, massacrados por políticos corruptos e opressores? E o pior é que os poucos que se levantam são calados a força e ridicularizados pela própria população que estão defendendo, e que deveria também estar ali, lutando por seus direitos. Mas é mais fácil fechar os olhos e deixar tudo como está, ligar a televisão e assistir seu time do coração. Ahh hipocrisia.

bolaO futebol deixou de ser um esporte para o brasileiro há muitos anos para tornar-se um espetáculo. Hoje é religião para os torcedores, ferramenta de manipulação política para aqueles que estão no poder e uma oportunidade de encher os bolsos de dinheiro para aqueles que estão nos bastidores. Mas qual o problema, afinal somos o país do futebol… e da falta de edução, saúde, segurança…

A Copa foi uma representação fiel do que é o Brasil, um país caótico, com uma população que não se respeita, que quer levar vantagem em tudo e, é claro muita corrupção enquanto a massa alienada se diverte.

Não assisti nenhum jogo, como já costumo fazer em todas as Copas, mas num mundo conectado por redes sociais, é impossível não saber o que esta acontecendo e não sentir pena dessa realidade pequena.  Alienação da massa… ahh minhas aulas de comunicação… que saudade!

E por que perdemos? Muito simples meu caro Watson, porque temos uma equipe de estrelas e egos, quando deveríamos ter um time, com foco, estrategia  e objetivos claros, cientes de seu papel e sua responsabilidade.

Enquanto no mundo real as pessoas tem que trabalhar, batalhar muito para atingir seus goals, no Brasil muitos ainda preferem faltar no trabalho para ver um jogo, gastar suas economias em um ingresso superfaturado, enquanto os filhos mal tem o que vestir ou comer. Torcer de bolso vazio para aqueles que não têm mais nem bolsos para carregar seus milhões.

No mundo real quem não atinge as metas não recebe, e em muitos casos fica até desempregado. Quem dera isso fosse realidade em todas as esferas, como no futebol e na política por exemplo. Ahh, aí sim este, há muito tempo chamado de país do futuro, partida ser considerado uma nação.

O Brasil perdeu a Copa do mundo de futebol, mas ganhou a Olimpíada Internacional de Astronomia e Astrofísica. Quantos brasileiros se orgulham disso? Quantos saíram na ruas para comemorar?

Como dizia um velho professor… “ESSA É PRA PENSAR EM CASA”.

Comprometidos com o umbigo

Desde crianças somos condicionados a pensarmos mais em nós mesmos e a sociabilização fica em segundo plano. Um exemplo é que desde a pré-escola, cada um com seu lanche, cada um recebe uma nota e é elogiado ou reprimido por ela, mas dificilmente somos direcionados para competências e atitudes que se voltam para aqueles que estão a nossa volta. É difícil pensar no outro.

camiseta_euO tempo passa e crescemos, vamos para escola, depois faculdade e o olhar para si se fortalece cada vez mais. Não que eu acredite que isso é errado, mas que falta o equilíbrio. Uma pessoa que completa o ensino superior possui em média 24 anos. Ou seja, são 24 anos sendo condicionados a pensar em si contra o mundo ao seu redor.

Sim, o mundo é cruel, eu sei, mas o que acontece quando esta pessoa entra no mundo corporativo? O mesmo, dedica-se a carreira acima de tudo, ou seja, seu crescimento profissional tem que ser sempre maior que o dos demais, e em muitos casos nem que tenham que passar por cima de outros para isso. E muitas empresas valorizam este tipo de atitude, o que é lamentável. Onde estão os valores? Infelizmente, estão perdendo-se com o tempo.

Claro que o o modelo de departamentalização pregado por Ford, que nos foi muito útil no passado e presente até hoje nas corporações, contribui significativamente para este cenário. As empresas não se comportam como foram concebidas, com objetivo único e no qual todos seguem na mesma direção, mas pelo contrário, cada departamento tem seu próprio processo, que não se conversa com os demais, cada departamento é mais importante que o outro, não importando a relevância deste para o negócio da companhia, e por consequência, cada empregado é mais importante para si que os demais. Engraçado que muitas empresas atualmente preferem chamá-los de colaboradores, mas onde estaria de fato a colaboração?

No mundo atual, onde se prega a sustentabilidade, e no qual as redes sociais estão cada vez mais presentes, será que ainda cabe espaço para esse tipo de atitude individualista? A meu ver não, porém esta característica presente no homem moderno está tão enraizada, que acho muito difícil que grandes mudanças ocorram nos próximos 10 ou 20 anos. Mas é claro que a dona esperança é a última que morre.

A meu redor, procuro sempre compartilhar conhecimento e, sempre que possível, a experiência adquirida, mas não é fácil lutar contra a maré. Pensar e agir em prol daquilo que agrega valor, seja em qual segmento for, enquanto os demais estão pensando e agindo somente dentro de suas devidas caixas, tem se mostrado um imenso desafio, talvez o maior neste mundo moderno.

A caminho do lar

Lar_doce_lar

Segundo a definição da Wikipedia, “Lar” é uma forma especial de se definir a casa ou os assuntos relacionados a ela, como a convivência com a família e os vizinhos. “Lar” pode ter uma conotação sentimental ou carinhosa. Existe uma expressão popular que diz: “Lar, doce lar”, mas nunca foi tão difícil chegar em casa quando ultimamente.

O que para alguns poucos privilegiados é algo simples, podem caminhar até suas casas e curtirem a qualidade de vida que lhes é proporcionada, para outros passa a ser uma tarefa árdua e que muitas vezes está fora de nosso controle. Sim, eu sou uma dessas pessoas.

minha-casaClaro que a escolha foi minha, trabalhar longe de casa, em outra cidade, ter que pegar ônibus e estrada. As perguntas sempre se repetem: “Mas você sobe e desce todos os dias?“, “Mas não é longe?“, “É cansativo?” – Brincadeiras a parte, a resposta é sim, sim e sim, mas no geral ainda vale a pena quando se coloca em foco a parte profissional. Agora a pergunta que fica é o quanto estamos sacrificando a outra parte, aquela que realmente importa.

Nós, os viajantes e aventureiros, como alguns podem pensar, passamos por perigos constantes, em um país ao qual os acidentes de trânsito representam uma das principais causas de morte, e nós enfrentamos de cabeça erguida todos os dias, torcendo para mais um dia passarmos desapercebidos da foice que pode estar a nossa espera, numa curva qualquer.

O que realmente esperamos é o mesmo que país espera, que os governantes e empresas privadas tomem vergonha na cara e prestem serviços de qualidade, tendo como foco o ser humano ao qual está na outra ponta da cadeia. Não somos meras máquinas ou cargas, somos seres pensantes e que merecem respeito, que têm o direito básico de voltar para suas famílias em segurança após um longo dia de trabalho, voltar para seus lares e poderem viver suas vidas.

lar-doce-lar

APF: medindo o tamanho da paciência

A primeira vista este título pode deixar o leitor que já me conhece um pouco surpreso, mas não, caro leitor, não falarei mal desta excelente técnica. Para quem não conhece,  a Análise de Pontos de Função (APF) é uma técnica para medição do tamanho funcional de  software, criada pro Allan Albrecht em 1979 e mantida atualmente pelo IFPUG (International Function Point Useres Group).

O processo de medição de software e estimativas já existe há décadas, independentemente da técnica, há formas objetivas de fazê-lo, mas sempre surpreendo-me quando vejo que as empresas as utilizam tão pobremente, muitas vezes somente para mostrar para seus clientes, mas que de fato não as utilizam. Mas por que não utilizá-las?

Como tudo na vida, quando tomamos o controle, passamos a ter parâmetros de comparação e nem todos os “profissionais” gostam desta ideia. Assim, implementar uma técnica de medição pode apresentar-se como um desafio à paciência, na qual o responsável por esta implantação terá que lutar contra tudo e contra todos para conseguir cumprir sua tarefa.

Já assumi mais de uma vez esta tarefa, e não foi nada fácil. A resistência pode vir de todos os lados, o gestor que não tem controle de sua equipe e produtividade, e quer inflar a estimativa para cobrar mais do cliente, ou até o técnico que vê o processo de estimativa como uma burocracia desnecessária, querendo colocar o quanto antes a mão na massa. Haja paciência para conseguir alinhar as expectativas de uns, com a resistência de outros.

A solução, caro leitor, é somente uma: compromisso com o resultado. E, para garantir este compromisso, dois passos devem ser dados, sendo o primeiro, o apoio da alta direção que não deve apenas falar, mas sim tornar este processo relevante como parte das políticas da empresa. O segundo passo é a realização de treinamentos que incentivem a utilização e demonstrem os benefícios de sua utilização em toda a cadeia de prestação de serviço.

Depois de dois meses de estudo, agora mais do que nunca, como CFPS tenho que abraçar mais uma vez este desafio e tenho certeza que o farei com sucesso, controlando minha paciência e expectativas na busca pelo resultado e melhoria contínua.

Planos que se vão com o vento

Muitas vezes nos deparamos com situações de emergência que nos colocam frente a frente com uma necessidade de tomada de decisão imediata. Desta decisão acabamos por gerar uma ou mais ações as quais devemos executar a risca para garantir a resolução do problema. Agora, a pergunta é, por que temos que agir com desespero quando quase sempre este fator de urgência podia ter sido previsto ou até mesmo evitado? Isso sem contar o impacto, o desconforto que o problema já causou, e não poderemos voltar no tempo para consertá-lo.

No mundo corporativo isso é muito comum, e acabamos nos passando por meros profissionais regulares, dentro da média, sem diferencial, como o dito popular, correndo atrás do rabo.

O objetivo principal do planejamento é buscar estabelecer um plano otimizado a partir dos parâmetros que se têm conhecimento até o momento, para que ações sejam executadas com a máxima qualidade, mínimo custo, atendendo prazos e prerrogativas estabelecidas. Seja no trabalho ou na vida pessoal, é comum esse tipo de ocorrência, e é nesta hora que lembro de uma palavrinha mágica que hámuito tempo aprendi ser fundamental para nos auxiliar nestas questões: “Planejamento”.

No mundo corporativo o planejamento pode garantir um projeto vencedor, em que se utiliza as melhores técnicas e ferramentas disponíveis ao seu alcance para buscar altos níveis de satisfação dos clientes, enquanto que, apesar de muitos duvidarem, na vida pessoal o planejamento pode nos proporcionar o mesmo ou até mais.

A satisfação de nossos familiares e amigos, economia no bolso, crescimento… a lista é longa. O mais interessante é que, por mais que muitos possam imaginar que este planejamento envolva várias etapas, e que seja algo difícil, somente para os “experts”, saibam que isso não é verdade.

Planejar exige foco e tempo, significa pensar antes de agir, ou melhor, pensar para agir. Shewhart e Deming foram os responsáveis por sintetizar da forma mais simples possível como trabalhar com este conceito de planejamento dentro de um ciclo de controle e melhoria chamado PDCA (Plan-Do-Check-Act).

Claro que o meu objetivo aqui não é repetir os muitos conceitos e linhas de pensamento que envolvem a gestão, mas sim refletir sobre o porquê das pessoas agirem sem planejamento, mesmo sabendo que o mesmo é necessário. Diariamente fico impressionado como algumas pessoas podem ser tão desorganizadas. Talvez eu seja um extremo, e elas outro neste tema, mas percebo o quanto elas correm atrás do rabo, muitas vezes por razões até bestas.

Recomendo o exercício de cada vez mais, seja na vida profissional, como também na vida pessoal, nos darmos o direito de planejar nosso sucesso, e para chegarmos nele, vamos planejar nossas ações baseados em nossos objetivos de  vida. Não nos deixemos ser levados ao acaso.

“Viver sem filosofar é o que se chama ter os olhos fechados sem nunca os haver tentado abrir.” (René Descartes)

%d bloggers like this: