Horizonte de Eventos

Reflexões sobre a vida, o universo e tudo mais

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A insatisfação de viver no passado

passado-presente-futuroO tempo passou, já estamos no meio da segunda década do século XXI e estamos vivendo como no século passado, influenciados pela urgência de tudo, pela pressa de crescer e expandir-se, e principalmente pela necessidade de sobrevivência no lugar da vivência, mas será que esta característica marcante do século passado ainda faz sentido neste?

O crescimento das empresas no século passado foi tamanho que nas últimas décadas muitas empresas não tinham mais para onde crescer, daí vieram as incorporações, onde as empresas passaram a se juntarem formando grandes conglomerados corporativos, com isso os produtos e serviços viraram commodities, ou seja, algo intrínseco ao dia a dia e, para que as empresas se destacassem, a diferenciação passou a tomar destaque nas discussões estratégicas.

Não que esta tendência pudesse ser diferente ou menos não fosse necessária, de fato o cliente hoje quer produtos e serviços exclusivos, nas não apenas no formato como as companhias estão fazendo, mas na experiência. A experiência do cliente ao adquirir um produto ou serviço ainda hoje é um campo muito pouco explorado pelas empresas, sejam elas simples como uma lanchonete ou restaurante como para as grandes corporações. Essas empresas ainda querem forçar aos clientes uma produção em massa daquilo que elas julgam ser o que o cliente quer, daí a célebre diferença entre foco no cliente e foco do cliente.

Do outro lado estão pessoas comuns, funcionários e parceiros destas empresas, e que em muitos casos também vestem o chapéu de clientes. A sede pela produção massificada destes produtos e serviços gera um alto índice de pressão sobre estas pessoas, que têm que fazer muito mais do que pelo qual foram contratadas ou até mesmo são capazes.

Atividades em paralelo, a busca constante por novos modelos e formas de fisgar os clientes, o fazer mais com menos, tudo isso está indo na contramão daquilo que o cliente realmente busca, que é a satisfação diante da experiência com o produto e serviço.

Ainda assim as empresas insistem que tudo tem que ser para ontem, muitas atividades e iniciativas são postas para execução em paralelo, sem que uma boa estratégia holística tenha sido definida, ou seja, hoje dentro das organizações criamos mais trabalho do que resultados para os clientes.

O controle da linha de produção dos produtos ou até mesmo do atendimento dos serviços já não se faz mais suficiente. Somos cobrados pelo controle do controle do controle e nada disso é percebido pelo cliente, pois este quer apenas uma experiência satisfatória.

Entendo que controles são necessários, porém as empresas precisam de visão estratégica do negócio, visão de fora para dentro e, a partir daí, simplificar seus processos com foco nos resultados, eliminando-se os gargalos, as burocracias, as intermináveis reuniões que discutem o sexo dos anjos, mas que não resultam em decisões estratégicas, cortar as muitas atividades em paralelo que com o objetivo de agilizar, somente atrapalham e impactam na qualidade das entregas, eliminar intermediários que floreiam as soluções, geram muito papel e apresentações dignas de prêmios, mas nenhum resultado que interesse para os clientes.

Enquanto essas empresas se preocuparem com o excesso de trabalho e apenas em fisgar o cliente, ninguém vive a vida, ninguém satisfaz-se com nada, e de que adianta? Uma hora as pessoas vão perceber que estão vivendo no século errado, que estão no passado e estas empresas não estão alinhadas a seus objetivos de vida, e quando isso acontecer, as barreiras vão cair, e então deixaremos de sobreviver no século XX e aí sim começaremos a viver no século XXI.

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A política dentro de nós

Já que comecei a abordar assuntos polêmicos no artigo A incompetência do Gigante, volto aqui mais uma vez para expressar minha humilde opinião sobre o momento político que estamos passando.

A Era de Péricles - Philipp Von Foltz de 1853A ideia política iniciou-se na Grécia Antiga, onde as praças eram ao mesmo tempo palanques e plenária, então conhecidas como Assembleias dos Cidadãos, sendo ainda considerada berço da democracia, inclusive com o uso do voto como ferramenta. O tempo passou e muito desta política foi esquecida. A cada ano que passa o que temos é cada vez mais um show… de horrores eu acrescentaria. Feito por privilegiados e destinados à massa.

Uma das características que mais definem os brasileiros é o jeitinho que dão para tudo, mesmo que muitas vezes seja para burlar as regras e processos definidos, e é exatamente este diferencial que nos torna tão corruptos, e nos trouxe no caos que estamos. Ou não estamos?

A definição de bom ou ruim não recai sobre uma verdade absoluta, mas sim sob um critério, mesmo que inconsciente, comparativo. Comparação esta que está sujeita a inúmeras variáveis, e principalmente pontos de vista. O que de fato é bom? Seria este bom igual e suficientemente para todos?

Muito me impressiona pessoas reclamarem da corrupção e da política, mas que é tão corrupto quanto, quando colocado em determinadas situações favoráveis à esta, mesmo que nas pequenas coisas, o brasileiro se corrompe muito fácil. Haja vista a velha conhecida Lei de Gerson, onde a vantagem daquele que está em situação favorável sobrepõe-se sob os demais, e exemplos não faltam, espertos que:

  • andam com seus veículos em velocidades proibidas pois sabem que não há fiscalização;
  • andam nos acostamentos ultrapassando aqueles que estão esperando no congestionamento;
  • falsificam identidades para entrar em lugares ou pagar menos;
  • ficam conscientemente com o troco errado que lhe foi dado por descuido do atendente;
  • tiram vantagem das ignorância ou deficiência de outros semelhantes;

Exemplos não faltam, portanto que moral têm estas pessoas em criticar os governantes corruptos? Eles são meros reflexos de nós mesmos. Agora, será que de fato estamos sob um governo tão caótico, como está sendo pintado na mídia e nas redes sociais? Será que as referências as quais estamos comparando estão corretas?

Olho_BrasilO brasileiro é um povo de memória curta. Passamos por momentos recentes e vergonhosos em nossa história e continuamos somente a reclamar, mas agir, aí é outra história. O processo de crescimento de uma pessoa é longo, desde seu nascimento até sua inserção na sociedade como parte de uma engrenagem viva, o que dirá da maturidade deste povo, que prefere fechar os olhos não ver o que acontece no mundo real?

Lembro-me de meus pais há anos atrás se desdobrando para sustentar meu irmão e eu, e ainda fazendo parecer que tudo estava bem. Sofremos com a ditadura, com a inflação, com os congelamentos de salários, com os saques de nosso suado dinheiro de nossas humildes economias e os inúmeros planos econômicos que tivemos, com as fronteiras fechadas para o mundo, com a ignorância de poucos poderosos, entre outras coisas. Tudo isso em razão de uma corrupção não declarada. Mas ainda assim julgamos o governo que evidencia os problemas e esta corrupção como ruim, quando na verdade ele é benefício para o processo de maturidade do povo. O quão hipócritas ainda podemos ser?

E hoje… Ahh como estamos vivendo a beira do caos… sentados em nossas casas próprias, mesmo que financiadas, com nossa mobília nova, bonita e confortável, com televisões de LED assistindo a novela das 8 na mais alta definição, com os mais novos modelos de computadores, tablets e smartphones na palma da mão, conectados ao mundo através da rede mundial de computadores, a Internet. Sem contar o carro na garagem e as viagens pelo país e pelo mundo que temos disponíveis a poucos passos. As muitas filas, sacolas recheadas de compras e futilidades as quais estamos rodeados. Ostentação. A vida está mesmo muito difícil neste país.

Se olharmos para trás veremos que já estivemos muito pior, e que não existe caminhos sem obstáculos e muitas vezes decepções. Tomamos decisões todos os dias, algumas certas e outras nem tanto, afinal somos humanos. Só precisamos reforçar esta humanidade em prol do bem comum.

educação-brasil-281x300De nada adianta o gigante acordar para somente reclamar ou trocar os governantes por outros tão ruins quanto. Quantos de nós sabem de fato administrar algo mais que suas próprias vidas? Quantos sabem o que fazer política e estar no comando realmente significa? A revolução está na base, nos valores que a cada dia que passa se perdem com o vento. Está em assumir as responsabilidades pelas decisões e cobrar de si o que cobramos dos outros.

Aplicando à política governamental atual, não se deixem influenciar pela publicidade, pois esta é apenas uma ferramenta de venda, só serve para isso. Investigue, pesquise, cubra-se de argumentos sólidos para depois tomar sua decisão. Depois de tomada, assuma responsabilidade sob ela, cobre para que as coisas aconteçam, e o mais importante, se errou na decisão, reflita sobre o erro e continue no processo de tomada de decisão consciente. Só assim estaremos de fato comprometidos com um futuro melhor, sustentável e justo para todos.

Seríamos nós virados no Jiraya?

Jiraya_Again_by_kirschnerHá muito anos ouço o termo “Virado no Jiraya” e, apesar de entender o sentido da frase, não conseguia compreender a relação do personagem do nostálgico seriado japonês com uma situação agitada a qual alguém poderia estar passando. Estar virado no Jiraya é estar agitado, por vezes nervoso e, em casos patológicos pode estar associado com a hiperatividade de um determinado indivíduo. Ainda assim, nunca de fato utilizei este termo, pois nunca concordei.

Sekai Ninja Sen Jiraiya (世界忍者戦ジライヤ), traduzido como Guerra Mundial dos Ninjas Jiraiya e lançado no Brasil sob o título de Jiraiya, o Incrível Ninja) é uma série de televisão japonesa do gênero tokusatsu, pertencente à franquia dos Metal Heroes. (Fonte: Wikipedia)

O mais interessante é que após rever o seriado o sentimento ao refletir sobre o termo é outro. A cada episódio nos deparamos com o personagem principal evoluindo não apenas na arte ninja, mas também como ser humano, aprendendo a valorizar a vida sob os bens materiais, enfrentando batalhas que, a princípio pareciam impossíveis e muitas vezes sem as armas necessárias para vencer, mas que ainda assim mostrava-se firme e perseverante, tendo como foco vencer, seja qual inimigo fosse, colocando para os expectadores que a luta por um ideal de paz para a humanidade pode ser a maior recompensa possível.

Pessoa na corda bamba entre bem e malOs ensinamentos ninja da série podem ser aplicados no dia a dia por qualquer um, em ações simples de respeito ao próximo e que valorizem o ser humano acima de tudo. Sendo assim, reforço que não entendo o motivo de rotularem pessoas agitadas assim. A sabedoria de um ninja não está em mostrar-se, na luta ou nas armas que sabe manejar, mas no respeito pelo seu semelhante e pela natureza.

Se as pessoas assistissem e entendessem a mensagem da série, tenho certeza que este termo seria muito melhor empregado com muitos Jirayas praticando o bem maior.

Lições sobre a vida, o universo e tudo mais

bau_tesouroNossa memória nada mais é do que um velho baú empoeirado. Uns mais outros menos, porém todos nós temos neles diversos itens de grande importância, como lembranças e experiências as quais passamos durante nossa vida e, vez ou outra alguma dessas vem a tona. Foi o que aconteceu na semana passada, quando ouvindo meus amigos do Grande Coisa num bate papo sobre antigos programas de TV, revivi grandes cenas as quais aprendi muito em minha vida. Estou falando do clássico programa “O Mundo de Beakman“.

beakmanO programa era sensacional, apresentado por um meio professor, meio cientista louco, sua assistente e um rato gigante. A descontração era total e o mais importante foi o quanto nós — crianças — aprendemos com esse trio. De perguntas simples às mais complexas, passando por causos da história mundial, da física, da biologia e até de astronomia, além de situações pra lá de bizarras, tudo era respondido e de uma maneira tão simples, que qualquer um podia entender. Ahh se todos os professores fossem como o Beakman!

Aproveitei a deixa e procurei na Internet os capítulos há muito armazenados no grande e velho baú e, para minha surpresa, consegui achar toda a série, e com dublagem original. Não pude resistir e estou a cada dia matando a saudade, capítulo por capítulo.

O mais interessante é que ao assisti-los, mais lembranças vieram a tona. Aos poucos fui lembrando dos grandes mestres que contribuíram para eu eu estar aqui e ser que em sou hoje.

A  lembrança mais remota (e empoeirada) começa no colégio Lobo Vianna, com a professora Salete, do jardim/pré-escola. As memórias do dia a dia são escassas, mas a imagem dela e de seu apoio a este jovem estão lá no fundo. Sei que no início não gostava dela, mas com o tempo ela ganhou a minha simpatia e um lugar no grande baú. Pouco tempo depois foi a professora Beth, da primeira série, um amor de pessoa, com seu grande óculos e seus cabelos louros. Foi difícil saber que tinha passado de ano e teria outra professora.

O tempo passou e do ginásio recordo-me da Eliana, minha professora de língua portuguesa e inglesa, que entendia minha insatisfação e incentivou-me a escrever minha primeira obra, um livro para ensinar inglês a minha maneira. Tenho até hoje o manuscrito. Isa, minha professora de Educação Artística, que tanto me apoiou para que eu desenvolvesse minha aptidão com o lápis, e assim aprimorar meus desenhos. Não foram muitos que sobreviveram ao tempo, mas ainda tenho alguns deles guardados.

Outro destaque da mesma época, e também muito merecido, vai para o professor Alfonso, de história. Este foi um dos grandes responsáveis por minha veia contestadora que levaria-me futuramente ao jornalismo.

Saindo do foco escola, posso lembrar-me também do Sensei Marcelo Yonamine e Sensei Mauri, que me ensinaram a canalizar minhas energias, formando meu corpo na filosofia das artes marciais através do karatê.

No colegial tive o prazer de ter aula com Antônio Menezes de Oliveira. Esse sim era um mestre de verdade, como poucos o são hoje em dia. Era rígido dentro da sala de aula. Seu nível de exigência para com seus alunos era o mais alto possível. Tratava-nos como adultos conscientes das consequências de nossos atos. Era um exemplo em si. Seus ensinamentos iam muito além da língua e literatura portuguesa, eram ensinamentos para vida, para reforçar nosso caráter. Este foi meu grande incentivador a continuar meus estudos, alçando vôo na Universidade.  Um dos maiores prazeres que tive foi, após passar no vestibular (coisa que na minha época era difícil e um feito de poucos), voltar à escola e agradece-lo, bem como ao professor Alfonso pelo apoio. Lembro claramente do sentimento de orgulho em ambos. Uma energia extremamente positiva que dava-me ainda mais forças para seguir em frente, e a qual nunca poderei esquecer.

Não posso deixar de agradecer também as professoras Vera (Matemática/Física) e Lídia (inglês), também conhecida entre os alunos como “bolinho”, por terem tido “paciência” de aguentar minhas contestações e sede por conhecimentos. Naquele momento eu queria alçar vôos ainda maiores, porém elas não estavam preparadas para isso e não puderam entender. Paciência… ainda assim as agradeço.

No meio do caminho conheci a professora Leila, no curso de inglês que fazia. O mais interessante é que o melhor do curso não eram as aulas de inglês, mas nossas conversas após a aula, sobre política, literatura e ciência. Ela foi a responsável por me ajudar a transitar da literatura infanto-juvenil à literatura adulta, apresentando novos segmentos de leitura. Cristiane F., A Revolução dos Bichos, 1984, Admirável Mundo Novo foram alguns dos livros que esta professora me apresentou, e que até hoje estão entre meus Top 10.

como-solicitar-becas-estudios-L-5rY0W1Ahhh a Universidade! Na falta de um curso universitário, fiz dois, mas poucos professores destacaram-se tanto quanto Gerson Moreira Linha, responsável por apresentar a magia do jornalismo, Dirceu Lopes, responsável por quebrar a magia do jornalismo e apresentar-nos a realidade, Tadeu Nascimento por nos mostrar uma nova forma de ver o mundo e representá-lo através da arte da fotografia, Claudio Lemos, meu querido xará, que incentivou-me na arte do design e diagramação, fundamentais para minha carreira. Paulo Cândido meu caro orientador e amigo, que me apoiou mesmo quando todos estavam contra. Ao final e não menos importante está Walter Lima, meu maior incentivador a avançar pelo desconhecido, aguçando minha percepção para as novas tecnologias e suas possibilidades. Se hoje a tecnologia paga o pão nosso de cada dia, esse cara é o responsável. Obrigado.

Depois da Universidade, fiz diversos cursos e agradeço pelo conhecimento adquirido, porém nenhum destacou-se como meu curso intensivo de língua espanhola. Paulo Della Rosa Junior, este querido professor destacou-se por ser diferente, por propor um forma diferente de aprender, na prática, além de apoiar-me em um momento de pressão que eu estava passando. Precisava aprender rapidamente e ele não apenas entendeu minha necessidade, como teve o cuidado de me apresentar os bastidores da língua e seus praticantes, dicas as quais nunca esqueci, e que por diversas vezes foram o meu diferencial, tudo isso em 3,5 meses. Fico imensamente grato, pois graças a ele consegui até ministrar um curso inteiramente em espanhol no Chile.

Não tão importantes quanto os de carne e osso, mas grandes mestres da TV, literatura e sétima arte também têm um espaço reservado no baú: Mestre Yoda, Sr. Miyagi, Professor Girafales, Prof. Dumbledore, Prof.  Henry ‘Indiana’ Jones Jr, Prof. Xavier, Professora Helena, Professor Pardal, Professor Tibúrcio, entre muito outros.

Assim, termino aqui agradecendo mais uma vez a todos os mestres citados e aos não citados, pois foram responsáveis por quem sou hoje. E você, quem são seus mestres?

O último desafio: reconhecermos a nós mesmos

ultimoNo último final de semana assisti ao filme O Último Desafio, com o exterminador,  Arnold Schwarzenegger e, apesar das muitas críticas, achei um filme muito bom.

Quando comecei este blog um dos primeiros artigos que escrevi foi sobre o tempo (Tempo… tempo mano velho…), e esse tem sido um tema recorrente em minhas reflexões. Não para menos, afinal sou fascinado por ele, seja pela admiração ao passado ou vislumbre ao futuro vindouro.

redAssim, este filme, junto a alguns outros, como o excelente RED, fizeram-me refletir não apenas ao passado, o que fiz, ou deixei de fazer em minha vida, mas em como este passado me fez chegar neste presente, e que este é de fato o momento mais importante.

Ver um brutamontes caindo, sentindo dor e reclamando que está velho nos mostra que não importa o que fizemos e o quanto sacrificamos, pois em algum momento teremos que pagar esse investimento e aprender a lidar com uma nova fase em nossas vidas. Uma fase mais calma, sem extravagâncias, sem correrias, uma fase de paz consigo e com a natureza do mundo a nossa volta.

Não é para menos que aquela “saúde de ferro” nos abandone em algum momento, afinal, o quanto nós a deixamos de lado nos últimos anos? O quanto deixamos passar em prol de algo que nem sabíamos se valeria a pena?

A mim cabe agora restabelecer o equilíbrio, tendo em mente que o mundo mudou, eu mudei, tenho limitações e respeitando isso acima de tudo.

A Fringe Event

Olhou para o lado e mirou no semáforo, estava verde para os carros
Decidiu não arriscar-se e aguardar o momento certo de atravessar
Era uma grande avenida, como grande movimento de veículos
Lembrou-se de instantes ao levantar-se, de seu pensamento,
Ligado a um estranho sonho, o qual mal podia lembrar-se com detalhes

Olhou para o outro lado da avenida, também haviam pessoas querendo atravessar
Uns de mochilas, parecendo estudantes a caminhos da escola
Outros com pastas, bem vestidos
Deviam estar indo trabalhar, como ele estava
Mas, para os demais era somente mais um dia
Um dia regular, talvez nada acontecesse, nada mudasse suas vidas
Mas para ele não, só que ele também não sabia disso

realidade1

De repente ouviu um barulho dentro de sua mente
Não podia distinguir ao certo o que era, olhou para o lado
Parecia ser o semáforo, que havia fechado para os veículos, permitindo sua passagem
Ignorou aquela estranha sensação e deu seu primeiro passo em direção ao seu destino, o outro lado daquela avenida

Ao dar o segundo passo, sentiu que algo estava estranho
Viu a imagem da avenida e do mundo a sua volta ficar turva, tremendo
Podia ver como se fossem camadas a sua volta, como se fossem ondas do mar
Um rodamoínho em pleno ar, em plena avenida
Teve a sensação de estar viajando, mas não havia saído do lugar

vortex

Sua, mente sabia que estava atravessando a rua, como os demais que ali estavam
Não havia nada de estranho, mas sentia que algo estava diferente
Sentiu como se tivesse sido golpeado fortemente
Era uma dor em sua cabeça, tão repentina, que não podia explicar
Olhou novamente para o outro lado, em meio a imagem turva e mesmo com dificuldade decidiu continuar andando
Tentou dar outra passada, e quando colocou seu sapato em contato com o asfalto já quente da manhã, tudo sumiu

A sensação estranha, imagens estranhas e dores se foram
Deram lugar a uma sensação de surpresa
Olhou a realidade a sua volta e algo estava errado, podia sentir
A avenida era a mesma, mas estava diferente
Era como se estivesse em seu mundo, no mesmo lugar, mas em algum tipo de realidade alternativa

Claro que ele não sabia disso
Demorou um bom tempo para seu cérebro começasse a juntar as peças do quebra cabeça
Tudo aquilo era, ao mesmo tempo, muito igual e diferente de sua realidade

Quando chegou do outro lado da avenida sua mente havia viajado, sem que ele soubesse, para outra realidade, uma realidade na qual ainda estava vivo.

Ele era importante, só que ainda não sabia disso.
Alguma energia cósmica o havia transportado para esta realidade segundos antes de um grave acidente
Um caminhão de combustível desgovernado havia batido e explodido cerca de quatro quarteirões a sua volta
Mas ele não poderia saber disso, afinal não estavas mais lá, não havia vivenciado o acidente em si

Fringe

Tentou ignorar o que estava sentindo e a estranheza daquele lugar
Achou que estava sonhando e decidiu seguir em frente

Mal sabia o que estava para vir…

Homenagem a cultuada e excelente série de TV Fringe, que deixará saudades.

Reflexão sobre a mesmice

Muitas vezes nos deparamos reclamando sobre a mesmice do dia a dia, mas será que nos damos conta que mudanças, as vezes,  podem não ser tão boas assim?

Refiro-me aqui não àquelas mudanças as quais nos faz crescer  seja pessoal ou profissionalmente, mas aquelas que são intrínsecas ao viver a vida, ou melhor, aos riscos que estão a nossa volta, e que podem afetar nossa vida para sempre.

Exemplos dessa situação é a violência que está a nossa volta, com massacres diários, sequestros e mortes. Onde vamos parar?

Não são poucas as vezes que deparo-me com pessoas reclamado que nada de bom aconteceu em seus dias, mas será que paramos para refletir que é melhor não ter acontecido nada, a algo ruim?

As vezes a vida nos prega sustos, e são a estes que devemos dar atenção. São eles que, não apenas nos fazem ficarmos mais alertas, mas que nos fazem valorizar mais cada momento, cada pessoa… valorizar a vida em si.

Mais uma etapa…

E lá se foi mais uma passagem em minha vida… um momento que não voltará, exceto na lembrança.

Não, não estou arrependido, pelo contrário, tenho certeza que aprendi bastante com os desafios que a vida proporcionou-me neste período um tanto quanto “curioso”, mas como já dizia o arquiteto no filme Matrix, “Tudo que tem um começo, tem um fim”.

O tempo passou, foram quase cinco anos de intensa batalhas, esgueirando-me nas trincheiras da insanidade, buscando uma luz, algo que fosse trazer-me a tona em uma realidade de incontestável conforto, mas infelizmente não aconteceu. Claro que a perfeição é a fantasia que nossa mente insiste ressaltar, colocando-nos frente a frente, sem que ao menos nos diga como alcança-la, mas será que deveríamos realmente alcançá-la? Será que não o fizemos, e apenas não nos demos conta?

Refletindo sobre isso, recordo-me de meus pais dizendo que tudo tem um motivo para estar acontecendo, e realmente acredito nisso, portanto, agradeço o quanto cresci profissionalmente e pessoalmente, graças a esses desafios. Não há aprendizado melhor do que aquele que nos faz crescer, mesmo que no momento apresente-se como algo não tão bom quanto gostaríamos.

Nostalgias sobre o caminho trilhado

Ontem estava arrumando minhas coisas e deparei-me com um grande sentimento de nostalgia. Estava revendo algumas coisas da época de escola e faculdade, organizando a bagunça. O mais impressionante é que ao pegar cada uma das folhas, com anotações, textos e desenhos, meu cérebro era bombardeado com um turbilhão de lembranças.

Acima de tudo lembranças dos passos que me levaram a chegar onde estou hoje. Há alguns anos o jovem Claudio estava construindo suas idéias e valores, que ainda estão aqui, mas hoje acredito ser uma pessoa muito diferente do que aquele jovem poderia imaginar. Não que seja melhor ou pior, não é isso, acredito sempre na balança, e que em algumas coisas me saí muito melhor e em algumas outras nem tanto. Claro que muitas dessas idéias e objetivos hoje, olhando para trás, vejo que teriam sido em vão. A experiência traz esta consciência da realidade, mas nem sempre é fácil. E não foi.

Vi e revi muitas cenas as quais hoje faria diferente, discussões que deixaria de lado, algumas palavras que evitaria proferir, e tantas outras que deveria ter tido a audácia de falar. Não me arrependo do que fiz e de onde cheguei, mas sinto um pouco de falta daquele sentimento de poder que sentia em minhas veias para mudar o mundo.

Após esta reflexão sei que preciso reviver parte de mim que encontra-se adormecida, levantar a cabeça e lutar com mais garra naquilo que acredito.

Hoje lembro com carinho das pessoas que ficaram para trás e afirmo que todas foram importantíssimas em minha vida, e hoje sou grato a elas pois ajudaram a moldar o que sou hoje, principalmente minha família. Obrigado a todos.

O melhor agente secreto de todos os tempos

Nostalgia é uma sensação de saudade, um sentimento que surge do pensamento de não poder mais reviver certos momentos da vida, momentos estes importantes e, que normalmente refletem um pedaço do que nos tornamos. A nostalgia, por mais trise que possa parecer a primeira vista, deve ser encarada como algo bom, pois mostra que crescemos e, mais do que tudo, que aprendemos a valorizar o que é importante na vida, e também àqueles que foram nossos guias, mentores e ídolos.

Momentos bons do passado podem vir a tona a partir de qualquer coisa, uma imagem, uma música, um lugar, um objeto, um cheiro, etc., e neste último final de semana o que me trouxe estes sentimentos foi o agente mais atrapalhado da história da espionagem, Maxuell Smart.

Ao começar a rever o seriado me deparei com a lembrança de meu pai chegando em casa, depois de um longo dia de trabalho, e sentando comigo para assistir o seriado na TV. Era um momento fabuloso, ao qual relembro com muito carinho. Naquele momento, meu pai era mais do que um James Bond, pois era o melhor agente secreto e estava ali, ao meu lado, me explicando as coisas, dando-me as pistas para desvendar as tramas da vida.

Cquote1.png Mas é claro! O velho truque do artigo que fala de um seriado antigo! Cquote2.png

Mas, voltando ao seriado, Get Smart, como é conhecida originalmente, é um seriado fantástico, daqueles que é impossível assistir sem relacionar suas inusitadas situações àquelas que nos deparamos no dia a dia em nossa vida. Quem já não quis ser um agente secreto ou ao menos estar diante de situações decisivas para a história da humanidade? Todos queremos segurar as rédeas da vida, e por que não como um agente secreto?

Criado por Mel Brooks e Buck Henry em 1965, e protagonizada por Don Adams, o seriado abordava temas de espionagem, guerra fria, entre outros, sempre com um ingrediente de reflexão social, inclusive com doses de um tema muito falado nos dias atuais, a sustentabilidade. As consequências dos atos da K.A.O.S. não apenas nos mostravam que o bem prevalece, mas também que sempre, independente da situação, é possível vencer com uma boa dose de humor. O que isso significa? Que devemos levar a vida, as situações cotidianas com humor, por mais séria que ela pareça.

Quem também não pode ser deixado de lado é o “CHEFE” do Controle, este símbolo da hierarquia, responsável pelos mandos e desmandos do pobre Agente 86, era acima de tudo um ser humano, diferentes de muitos psicopatas que nos deparamos hierarquicamente em nossas vidas profissionais e que só o que sabem fazer é nos infernizar. Mas um jargão se mantém até os dias atuais… “Desculpe por isso, chefe!”

Por último, e não menos importante estava a bela Barbara Feldon na pele da Agente 99, par romântico de 86 e peça
chave para a evolução da trama. Ela era fantástica e cativante, porque vivia os conflitos de Smart com a mesma paixão, por mais absurda que a situação  pudesse parecer, em nenhum momento fazia-o de bobo ou desacreditava-o. Quando agia era sempre para um bem maior.

Maxuel Smart era sem sombra de dúvida o melhor agente secreto de todos os tempos, diferente de 007, ele não tinha licença para matar, mas era o que ele mais tentava a cada episódio, nos matar de rir. Destaque também para os dispositivos avançados de alta espionagem, como o “Sapatofone”, o primeiro celular da história, do “Cone do Silêncio”, a arma disfarçada, entre outros.

Cquote1.png Errou por um tantinho assim. Cquote2.png

Os leitores mais novos provavelmente não entenderão nada do que está nas estrelinhas dos parágrafos acima. Sua breve memória fará apenas uma menção à refilmagem de 2008, com  Steve Carell e Anne Hathaway.  Esta versão não é ruim, mas muito fraca se comparado aos episódios medianos da velha guarda. A história não é a mesma e 86 é tratado praticamente como um retardado, incapaz. Enfim, o filme valeu pela lembrança, mas só me fez querer ainda mais rever o original Don Adams na pele do Agente 86.

Cquote1.pngVocê acreditaria se eu dissesse que 10 mil pessoas leram este artigo? Se se fossem 10?Cquote2.png

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