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Reflexões sobre a vida, o universo e tudo mais

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Sob os trilhos da saudade

“Ói, ói o trem, vem surgindo de trás das montanhas azuis, olha o trem
Ói, ói o trem, vem trazendo de longe as cinzas do velho éon

Ói, já é vem, fumegando, apitando, chamando os que sabem do trem
Ói, é o trem, não precisa passagem nem mesmo bagagem no trem”

trem3Trem Por definição uma série de vagões puxados por uma locomotiva, sob grandes trilhos de ferro. Uma composição ferroviária, muitas vezes de tamanho colossal, que supõe-se ter sido idealizada em 1681 pelo jesuíta belga Ferdinand Verbiest em Pequim. Em 1769, Joseph Cugnot, militar francês, construiu em Paris uma máquina a vapor para o transporte de munições e após várias tentativas fracassadas, Richard Trevithick, engenheiro inglês, conseguiu em 1804, construir uma locomotiva a vapor que conseguiu puxar cinco vagões com dez toneladas de carga e setenta passageiros à velocidade vertiginosa de 8 km. A partir daí também conhecida popularmente como Maria Fumaça.

“Quem vai chorar, quem vai sorrir ?
Quem vai ficar, quem vai partir ?

Pois o trem está chegando, tá chegando na estação
É o trem das sete horas, é o último do sertão, do sertão”

Ahh saudades das viagens de trem… Muito me entristeceu esta semana ver que mais um símbolo da antiga linha férrea está sendo derrubado. O pontilhão que permitia os trens cruzarem a Av. Antônio Emmerich em São Vicente, sentido Estação Ferroviária está sendo derrubado para dar lugar a uma nova estrutura que comportará o VLT (Veículo Leve sob Trilhos). Felizmente é para uma boa causa, o progresso, a modernização, mas ainda assim, este fato não deixa de trazer boas lembranças.

“Ói, olhe o céu, já não é o mesmo céu que você conheceu, não é mais
Vê, ói que céu, é um céu carregado e rajado, suspenso no ar”

Recordo-me como se fosse ontem de minhas férias com meu irmão na casa de meus avós em Pedro de Toledo. Meu avô vinha nos buscar e as 13 horas partíamos com o velho trem de aparência metálica e com seus bancos gastos da extinta estação de Santos rumo a cidade de Registro. A viagem devia levar cerca de 4 horas, uma eternidade para os padrões atuais, mas nem sentíamos esse tempo passar pois além da paisagem maravilhosa, nos deparávamos com várias situações que, para uma criança era uma verdadeira aventura. Conhecíamos pessoas, lanchávamos, acompanhávamos o fiscal conferindo os bilhetes e curtíamos a viagem. Ao chegarmos em nosso destino, lá estava minha avó nos esperando com seu sorriso no rosto e os braços abertos. Beijos e abraços, pegávamos nossas malas e caminhávamos ladeiras abaixo (e acima), acompanhados até chegar em casa pelo pôr do sol sob a natureza que predominava na cidade.

“Vê, é o sinal, é o sinal das trombetas, dos anjos e dos guardiões
Ói, lá vem Deus, deslizando no céu entre brumas de mil megatons

Ói, olhe o mal, vem de braços e abraços com o bem num romance astral”

trem1O tempo passou e linha férrea não existe mais, como também a estação ferroviária de Santos, a de São Vicente e todas as demais que, passávamos acompanhados do alto apito do maquinista, e que nos aguçava a expectativa de estarmos cada vez mais próximos de nosso destino.
O progresso está chegando e as memórias ficando cada vez mais distantes. Sinto por esta realidade não existir mais, o sentimento se foi e nossos descendentes dificilmente poderão entender e até mesmo sentir o que vivemos. Além da nostalgia, ficam as gastas fotos, os grupos de discussão dos amantes dos trens e a bela música composta e maravilhosamente interpretada pelo Rauzito, pêga emprestada para intercalar os modestos e nostálgicos parágrafos deste texto.

Os trilhos, as estações e o pontilhão se vão, mas as lembranças permanecem na esperança de um dia serem revividas.

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Lições sobre a vida, o universo e tudo mais

bau_tesouroNossa memória nada mais é do que um velho baú empoeirado. Uns mais outros menos, porém todos nós temos neles diversos itens de grande importância, como lembranças e experiências as quais passamos durante nossa vida e, vez ou outra alguma dessas vem a tona. Foi o que aconteceu na semana passada, quando ouvindo meus amigos do Grande Coisa num bate papo sobre antigos programas de TV, revivi grandes cenas as quais aprendi muito em minha vida. Estou falando do clássico programa “O Mundo de Beakman“.

beakmanO programa era sensacional, apresentado por um meio professor, meio cientista louco, sua assistente e um rato gigante. A descontração era total e o mais importante foi o quanto nós — crianças — aprendemos com esse trio. De perguntas simples às mais complexas, passando por causos da história mundial, da física, da biologia e até de astronomia, além de situações pra lá de bizarras, tudo era respondido e de uma maneira tão simples, que qualquer um podia entender. Ahh se todos os professores fossem como o Beakman!

Aproveitei a deixa e procurei na Internet os capítulos há muito armazenados no grande e velho baú e, para minha surpresa, consegui achar toda a série, e com dublagem original. Não pude resistir e estou a cada dia matando a saudade, capítulo por capítulo.

O mais interessante é que ao assisti-los, mais lembranças vieram a tona. Aos poucos fui lembrando dos grandes mestres que contribuíram para eu eu estar aqui e ser que em sou hoje.

A  lembrança mais remota (e empoeirada) começa no colégio Lobo Vianna, com a professora Salete, do jardim/pré-escola. As memórias do dia a dia são escassas, mas a imagem dela e de seu apoio a este jovem estão lá no fundo. Sei que no início não gostava dela, mas com o tempo ela ganhou a minha simpatia e um lugar no grande baú. Pouco tempo depois foi a professora Beth, da primeira série, um amor de pessoa, com seu grande óculos e seus cabelos louros. Foi difícil saber que tinha passado de ano e teria outra professora.

O tempo passou e do ginásio recordo-me da Eliana, minha professora de língua portuguesa e inglesa, que entendia minha insatisfação e incentivou-me a escrever minha primeira obra, um livro para ensinar inglês a minha maneira. Tenho até hoje o manuscrito. Isa, minha professora de Educação Artística, que tanto me apoiou para que eu desenvolvesse minha aptidão com o lápis, e assim aprimorar meus desenhos. Não foram muitos que sobreviveram ao tempo, mas ainda tenho alguns deles guardados.

Outro destaque da mesma época, e também muito merecido, vai para o professor Alfonso, de história. Este foi um dos grandes responsáveis por minha veia contestadora que levaria-me futuramente ao jornalismo.

Saindo do foco escola, posso lembrar-me também do Sensei Marcelo Yonamine e Sensei Mauri, que me ensinaram a canalizar minhas energias, formando meu corpo na filosofia das artes marciais através do karatê.

No colegial tive o prazer de ter aula com Antônio Menezes de Oliveira. Esse sim era um mestre de verdade, como poucos o são hoje em dia. Era rígido dentro da sala de aula. Seu nível de exigência para com seus alunos era o mais alto possível. Tratava-nos como adultos conscientes das consequências de nossos atos. Era um exemplo em si. Seus ensinamentos iam muito além da língua e literatura portuguesa, eram ensinamentos para vida, para reforçar nosso caráter. Este foi meu grande incentivador a continuar meus estudos, alçando vôo na Universidade.  Um dos maiores prazeres que tive foi, após passar no vestibular (coisa que na minha época era difícil e um feito de poucos), voltar à escola e agradece-lo, bem como ao professor Alfonso pelo apoio. Lembro claramente do sentimento de orgulho em ambos. Uma energia extremamente positiva que dava-me ainda mais forças para seguir em frente, e a qual nunca poderei esquecer.

Não posso deixar de agradecer também as professoras Vera (Matemática/Física) e Lídia (inglês), também conhecida entre os alunos como “bolinho”, por terem tido “paciência” de aguentar minhas contestações e sede por conhecimentos. Naquele momento eu queria alçar vôos ainda maiores, porém elas não estavam preparadas para isso e não puderam entender. Paciência… ainda assim as agradeço.

No meio do caminho conheci a professora Leila, no curso de inglês que fazia. O mais interessante é que o melhor do curso não eram as aulas de inglês, mas nossas conversas após a aula, sobre política, literatura e ciência. Ela foi a responsável por me ajudar a transitar da literatura infanto-juvenil à literatura adulta, apresentando novos segmentos de leitura. Cristiane F., A Revolução dos Bichos, 1984, Admirável Mundo Novo foram alguns dos livros que esta professora me apresentou, e que até hoje estão entre meus Top 10.

como-solicitar-becas-estudios-L-5rY0W1Ahhh a Universidade! Na falta de um curso universitário, fiz dois, mas poucos professores destacaram-se tanto quanto Gerson Moreira Linha, responsável por apresentar a magia do jornalismo, Dirceu Lopes, responsável por quebrar a magia do jornalismo e apresentar-nos a realidade, Tadeu Nascimento por nos mostrar uma nova forma de ver o mundo e representá-lo através da arte da fotografia, Claudio Lemos, meu querido xará, que incentivou-me na arte do design e diagramação, fundamentais para minha carreira. Paulo Cândido meu caro orientador e amigo, que me apoiou mesmo quando todos estavam contra. Ao final e não menos importante está Walter Lima, meu maior incentivador a avançar pelo desconhecido, aguçando minha percepção para as novas tecnologias e suas possibilidades. Se hoje a tecnologia paga o pão nosso de cada dia, esse cara é o responsável. Obrigado.

Depois da Universidade, fiz diversos cursos e agradeço pelo conhecimento adquirido, porém nenhum destacou-se como meu curso intensivo de língua espanhola. Paulo Della Rosa Junior, este querido professor destacou-se por ser diferente, por propor um forma diferente de aprender, na prática, além de apoiar-me em um momento de pressão que eu estava passando. Precisava aprender rapidamente e ele não apenas entendeu minha necessidade, como teve o cuidado de me apresentar os bastidores da língua e seus praticantes, dicas as quais nunca esqueci, e que por diversas vezes foram o meu diferencial, tudo isso em 3,5 meses. Fico imensamente grato, pois graças a ele consegui até ministrar um curso inteiramente em espanhol no Chile.

Não tão importantes quanto os de carne e osso, mas grandes mestres da TV, literatura e sétima arte também têm um espaço reservado no baú: Mestre Yoda, Sr. Miyagi, Professor Girafales, Prof. Dumbledore, Prof.  Henry ‘Indiana’ Jones Jr, Prof. Xavier, Professora Helena, Professor Pardal, Professor Tibúrcio, entre muito outros.

Assim, termino aqui agradecendo mais uma vez a todos os mestres citados e aos não citados, pois foram responsáveis por quem sou hoje. E você, quem são seus mestres?

O último desafio: reconhecermos a nós mesmos

ultimoNo último final de semana assisti ao filme O Último Desafio, com o exterminador,  Arnold Schwarzenegger e, apesar das muitas críticas, achei um filme muito bom.

Quando comecei este blog um dos primeiros artigos que escrevi foi sobre o tempo (Tempo… tempo mano velho…), e esse tem sido um tema recorrente em minhas reflexões. Não para menos, afinal sou fascinado por ele, seja pela admiração ao passado ou vislumbre ao futuro vindouro.

redAssim, este filme, junto a alguns outros, como o excelente RED, fizeram-me refletir não apenas ao passado, o que fiz, ou deixei de fazer em minha vida, mas em como este passado me fez chegar neste presente, e que este é de fato o momento mais importante.

Ver um brutamontes caindo, sentindo dor e reclamando que está velho nos mostra que não importa o que fizemos e o quanto sacrificamos, pois em algum momento teremos que pagar esse investimento e aprender a lidar com uma nova fase em nossas vidas. Uma fase mais calma, sem extravagâncias, sem correrias, uma fase de paz consigo e com a natureza do mundo a nossa volta.

Não é para menos que aquela “saúde de ferro” nos abandone em algum momento, afinal, o quanto nós a deixamos de lado nos últimos anos? O quanto deixamos passar em prol de algo que nem sabíamos se valeria a pena?

A mim cabe agora restabelecer o equilíbrio, tendo em mente que o mundo mudou, eu mudei, tenho limitações e respeitando isso acima de tudo.

Nostalgias sobre o caminho trilhado

Ontem estava arrumando minhas coisas e deparei-me com um grande sentimento de nostalgia. Estava revendo algumas coisas da época de escola e faculdade, organizando a bagunça. O mais impressionante é que ao pegar cada uma das folhas, com anotações, textos e desenhos, meu cérebro era bombardeado com um turbilhão de lembranças.

Acima de tudo lembranças dos passos que me levaram a chegar onde estou hoje. Há alguns anos o jovem Claudio estava construindo suas idéias e valores, que ainda estão aqui, mas hoje acredito ser uma pessoa muito diferente do que aquele jovem poderia imaginar. Não que seja melhor ou pior, não é isso, acredito sempre na balança, e que em algumas coisas me saí muito melhor e em algumas outras nem tanto. Claro que muitas dessas idéias e objetivos hoje, olhando para trás, vejo que teriam sido em vão. A experiência traz esta consciência da realidade, mas nem sempre é fácil. E não foi.

Vi e revi muitas cenas as quais hoje faria diferente, discussões que deixaria de lado, algumas palavras que evitaria proferir, e tantas outras que deveria ter tido a audácia de falar. Não me arrependo do que fiz e de onde cheguei, mas sinto um pouco de falta daquele sentimento de poder que sentia em minhas veias para mudar o mundo.

Após esta reflexão sei que preciso reviver parte de mim que encontra-se adormecida, levantar a cabeça e lutar com mais garra naquilo que acredito.

Hoje lembro com carinho das pessoas que ficaram para trás e afirmo que todas foram importantíssimas em minha vida, e hoje sou grato a elas pois ajudaram a moldar o que sou hoje, principalmente minha família. Obrigado a todos.

Diário de Bordo: Hot-dog com abacate!

O café da manhã do hotel não era dos melhores, mas até que estava razoável. Fui para a empresa logo cedo e comecei a revisar meus e-mails e as pendências que havia acordado no dia anterior. Foquei principalmente no material do treinamento que daria, para assim garantir que estivesse tudo certo.

No almoço fui convidado a acompanhar o Diretor, tendo em vista que já iríamos direto para o cliente, LAN. Almoçamos no Friday’s do Parque Arauco, um Shopping que me pareceu bem bonito, principalmente a parte dos restaurantes. Escolhi uma massa, um fetuccine com frango. Estava muito bom e na sequência experimentei uma sobremesa muito gostosa com um creme que parecia sorvete, pedaços de bolacha e gotas de chocolate. Muito bom!

Depois deste belo almoço, fui para a Torre del Parque I, onde ficava o escritório do cliente. Passei a tarde inteira em reunião e ao sair de lá já era horário de Rush, ou seja, como toda cidade, peguei bastante trânsito até conseguir chegar no hotel.

Ao chegar, consegui falar com minha amiga Carolina Maturana e combinamos de dar uma volta depois que saísse da pós. Aproveitei o tempo, fui dar uma volta e acabei encontrando na alameda que estou um Supermercado (Santa Isabel) e me deparei com Crush e 7Up que não via há muitos anos, além de muitos produtos conhecidos, mas que aqui possuem outros nomes. Como sempre, fiquei passeando no supermercado. Consegui comprar água, e depois parei em uma das lanchonetes (Doggis) para comer um hot-dog. Voltei para o hotel com o mesmo e quando fui comer, uma surpresa… no lugar do purê de batata, havia purê de abacate!!!! Ruim não estava, mas é estranho!

Mais tarde encontrei a Carolina, que levou-me em um barzinho chamado Pub Licity, com Karaokê. O local era muito bonito, muito bem organizado e também muito animado. Ela conhecia todo mundo, inclusive apresentou-me o administrador do local e alguns de seus amigos, tanto os que trabalham, como também os que frequentam o local. Conheci também seu namorado, Rodrigo e descobri que tanto ela, quando ele cantavam e muito bem. Fiquei impressionado com sua voz. Ela cantou uma canção em inglês, e se não estivesse lá diria que era uma cantora profissional. Conversa vai, conversa vem, foi uma noite muito agradável em um local que nunca havia me imaginado, acompanhado também de um saboroso vinho, escolhido por Rodrigo e desta grande amiga que acabei fazendo aqui no Chile.

E, depois de tudo isso, voltei para o hotel e, vencido pelo cansaço, felizmente conseguir dormir.

Diário de Bordo: ¿Hola que tal?

Eram 2h35 da madrugada e eu já estava desperto. Ansiedade? Não, somente insônia mesmo. Fiquei enrolando até as 4h35, quando levantei para preparar-me para minha primeira viagem ao exterior. O destino? Santiago no Chile. Cheguei cedo ao aeroporto de Guarulhos para não ter erro, fiz o Check-in, passei pelo detector de metais, que apitou por conta de uma fivela no sapato que estava, depois na imigração foi tranquilo e lá estava eu no saguão do aeroporto aguardando meu vôo.

Kit-Kat

Kit-Kat

Sempre ouvi falar que o Free Shop era a oitava maravilha do mundo para nós brasileiros, pois as coisas são muito baratas e tal, porém achei tudo muito fraco, principalmente para quem não bebe e não fuma, era uma coisa ou outra que me chamou a atenção e talvez valesse a pena, mas só olhei. Destaque para a gôndola de Kitkat.

Graças à Internet meu tempo de espera foi agradável e mal senti o tempo passar. Ao entrar no avião pediram-me para trocar de lugar para que uma família ficasse junta. Aceitei, e o outro lugar acabou sendo no fundo da aeronave, e sem ninguém ao lado, logo, tive mais espaço para me esparramar na poltrona. O procedimento de decolagem levou mais de 40 minutos e foi aí que levei um susto. Nas telas internas estava sendo apresentado um mapa em que dizia que o destino seria Lima, no Perú. Neste momento revisei meu bilhete, confirmei o número do vôo e estava tudo certo, daí o comandante confirmou o vôo e o destino, e fiquei mais tranquilo.

A viagem em si foi muito tranquila, parecia que estava andando sob as nuvens. Como estava no corredor não puder ver muito da paisagem, porém devido a altitude, ninguém estava vendo muita coisa a não ser nuvens. Foi um total de 3 horas e 50 minutos de vôo, onde assisti episódios de seriados, comecei a ler meu livro “Universo em uma Casca de Noz”, comi um lanchinho e até consegui dar uma cochilada. A aterrissagem também foi igualmente tranquila e cá estava eu, em terras chilenas.

Ao sair da aeronave percebi o tamanho do Aeroporto e direcionei-me à “Policia Estrangera” para ter autorização de entrar no pais. Felizmente não me acharam com cara de terrorista, passei sem problemas e fui buscar minha mala despachada. Fiquei esperando e com sorte ela apareceu. Um problema a menos. Fui na casa de câmbio para entrar com algum dinheiro no país, tendo em vista que a casa de câmbio no Brasil estava sem pesos chilenos. Claro que a troca foi com um câmbio absurdo, não podia ser diferente! Passei por mais um detector de metais e pronto, poderia sair do aeroporto. Fui verificar o valor de um taxi oficial, mas estava muito caro, 17.500 pesos chilenos. Saí e fui procurar outra opção, ao menos mais barata. Achei um e fechei o valor em 14.000 pesos. O trajeto no táxi não foi longo, e fui lendo um jornal do dia. A temperatura estava bem agradável, e em alguns momentos pude admirar as cordilheiras dos andes com os seus picos cobertos de neve.

Ao chegar na empresa fui convidado a almoçar. Era aniversário de uma gerente e haviam reservado um restaurante. Para minha surpresa era um restaurante japonês, o qual só fui saber no meio do caminho. Voltei para a empresa e fiquei em reunião o restante da tarde. Por volta das 18h30 fui para o hotel, que fica no prédio ao lado da empresa. Foi fácil acertar tudo, e o quarto era agradável. Ponto positivo: a vista. Ponto negativo: o chuveiro. A Internet Wi-Fi do hotel era gratuita, portanto consegui utilizar meu smartphone e falar com minha esposa no Brasil via Whatsapp e Skype. Viva a tecnologia!

Fui informado pelo diretor que o local não é muito recomendável para caminhar sozinho a noite, e que para jantar seria bom ir por perto e logo. Quando estava para sair consegui contactar minha grande amiga Wanessa. Não confunda, esta é com W! Já tem cerca de dez anos que não nos víamos. Ela tinha aula na pós, mas acabou vindo encontrar-me, ou seja, a fiz bolar aula.

Ao chegar, pegamos o metrô na estação “La Moneda” e descemos na estação “Baquedario”, passamos pela torre da Entel, com formato de telefone celular, pela praça de independência, pela mais tradicional faculdade de direito do Chile, daí chegamos no Pátio Bellavista. Caminhamos um pouco no local, que tinha várias opções de comida e artesanatos.

Acabamos ficando em um restaurante chamado Backstage, muito bonito por sinal. Interessante é que no Chile ainda há distinção entre áreas de fumantes (fumadores como dizem aqui) e não fumantes. Experimentei uma bebida daqui, a “Pisco Sauer”, acompanhada de uma porção de frutos do mar empanados. Estava boa, principalmente os camarões!

Logo em seguida chegou o Nilton, noivo da Wanessa e mexicano para nos acompanhar, um cara gente boa e muito divertido. Depois de conversarmos um bom tempo, saímos do bar e me deram uma carona até o hotel.

E assim, com esta excelente companhia, terminou de forma muito agradável o meu primeiro dia.

O melhor agente secreto de todos os tempos

Nostalgia é uma sensação de saudade, um sentimento que surge do pensamento de não poder mais reviver certos momentos da vida, momentos estes importantes e, que normalmente refletem um pedaço do que nos tornamos. A nostalgia, por mais trise que possa parecer a primeira vista, deve ser encarada como algo bom, pois mostra que crescemos e, mais do que tudo, que aprendemos a valorizar o que é importante na vida, e também àqueles que foram nossos guias, mentores e ídolos.

Momentos bons do passado podem vir a tona a partir de qualquer coisa, uma imagem, uma música, um lugar, um objeto, um cheiro, etc., e neste último final de semana o que me trouxe estes sentimentos foi o agente mais atrapalhado da história da espionagem, Maxuell Smart.

Ao começar a rever o seriado me deparei com a lembrança de meu pai chegando em casa, depois de um longo dia de trabalho, e sentando comigo para assistir o seriado na TV. Era um momento fabuloso, ao qual relembro com muito carinho. Naquele momento, meu pai era mais do que um James Bond, pois era o melhor agente secreto e estava ali, ao meu lado, me explicando as coisas, dando-me as pistas para desvendar as tramas da vida.

Cquote1.png Mas é claro! O velho truque do artigo que fala de um seriado antigo! Cquote2.png

Mas, voltando ao seriado, Get Smart, como é conhecida originalmente, é um seriado fantástico, daqueles que é impossível assistir sem relacionar suas inusitadas situações àquelas que nos deparamos no dia a dia em nossa vida. Quem já não quis ser um agente secreto ou ao menos estar diante de situações decisivas para a história da humanidade? Todos queremos segurar as rédeas da vida, e por que não como um agente secreto?

Criado por Mel Brooks e Buck Henry em 1965, e protagonizada por Don Adams, o seriado abordava temas de espionagem, guerra fria, entre outros, sempre com um ingrediente de reflexão social, inclusive com doses de um tema muito falado nos dias atuais, a sustentabilidade. As consequências dos atos da K.A.O.S. não apenas nos mostravam que o bem prevalece, mas também que sempre, independente da situação, é possível vencer com uma boa dose de humor. O que isso significa? Que devemos levar a vida, as situações cotidianas com humor, por mais séria que ela pareça.

Quem também não pode ser deixado de lado é o “CHEFE” do Controle, este símbolo da hierarquia, responsável pelos mandos e desmandos do pobre Agente 86, era acima de tudo um ser humano, diferentes de muitos psicopatas que nos deparamos hierarquicamente em nossas vidas profissionais e que só o que sabem fazer é nos infernizar. Mas um jargão se mantém até os dias atuais… “Desculpe por isso, chefe!”

Por último, e não menos importante estava a bela Barbara Feldon na pele da Agente 99, par romântico de 86 e peça
chave para a evolução da trama. Ela era fantástica e cativante, porque vivia os conflitos de Smart com a mesma paixão, por mais absurda que a situação  pudesse parecer, em nenhum momento fazia-o de bobo ou desacreditava-o. Quando agia era sempre para um bem maior.

Maxuel Smart era sem sombra de dúvida o melhor agente secreto de todos os tempos, diferente de 007, ele não tinha licença para matar, mas era o que ele mais tentava a cada episódio, nos matar de rir. Destaque também para os dispositivos avançados de alta espionagem, como o “Sapatofone”, o primeiro celular da história, do “Cone do Silêncio”, a arma disfarçada, entre outros.

Cquote1.png Errou por um tantinho assim. Cquote2.png

Os leitores mais novos provavelmente não entenderão nada do que está nas estrelinhas dos parágrafos acima. Sua breve memória fará apenas uma menção à refilmagem de 2008, com  Steve Carell e Anne Hathaway.  Esta versão não é ruim, mas muito fraca se comparado aos episódios medianos da velha guarda. A história não é a mesma e 86 é tratado praticamente como um retardado, incapaz. Enfim, o filme valeu pela lembrança, mas só me fez querer ainda mais rever o original Don Adams na pele do Agente 86.

Cquote1.pngVocê acreditaria se eu dissesse que 10 mil pessoas leram este artigo? Se se fossem 10?Cquote2.png

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