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A política dentro de nós

Já que comecei a abordar assuntos polêmicos no artigo A incompetência do Gigante, volto aqui mais uma vez para expressar minha humilde opinião sobre o momento político que estamos passando.

A Era de Péricles - Philipp Von Foltz de 1853A ideia política iniciou-se na Grécia Antiga, onde as praças eram ao mesmo tempo palanques e plenária, então conhecidas como Assembleias dos Cidadãos, sendo ainda considerada berço da democracia, inclusive com o uso do voto como ferramenta. O tempo passou e muito desta política foi esquecida. A cada ano que passa o que temos é cada vez mais um show… de horrores eu acrescentaria. Feito por privilegiados e destinados à massa.

Uma das características que mais definem os brasileiros é o jeitinho que dão para tudo, mesmo que muitas vezes seja para burlar as regras e processos definidos, e é exatamente este diferencial que nos torna tão corruptos, e nos trouxe no caos que estamos. Ou não estamos?

A definição de bom ou ruim não recai sobre uma verdade absoluta, mas sim sob um critério, mesmo que inconsciente, comparativo. Comparação esta que está sujeita a inúmeras variáveis, e principalmente pontos de vista. O que de fato é bom? Seria este bom igual e suficientemente para todos?

Muito me impressiona pessoas reclamarem da corrupção e da política, mas que é tão corrupto quanto, quando colocado em determinadas situações favoráveis à esta, mesmo que nas pequenas coisas, o brasileiro se corrompe muito fácil. Haja vista a velha conhecida Lei de Gerson, onde a vantagem daquele que está em situação favorável sobrepõe-se sob os demais, e exemplos não faltam, espertos que:

  • andam com seus veículos em velocidades proibidas pois sabem que não há fiscalização;
  • andam nos acostamentos ultrapassando aqueles que estão esperando no congestionamento;
  • falsificam identidades para entrar em lugares ou pagar menos;
  • ficam conscientemente com o troco errado que lhe foi dado por descuido do atendente;
  • tiram vantagem das ignorância ou deficiência de outros semelhantes;

Exemplos não faltam, portanto que moral têm estas pessoas em criticar os governantes corruptos? Eles são meros reflexos de nós mesmos. Agora, será que de fato estamos sob um governo tão caótico, como está sendo pintado na mídia e nas redes sociais? Será que as referências as quais estamos comparando estão corretas?

Olho_BrasilO brasileiro é um povo de memória curta. Passamos por momentos recentes e vergonhosos em nossa história e continuamos somente a reclamar, mas agir, aí é outra história. O processo de crescimento de uma pessoa é longo, desde seu nascimento até sua inserção na sociedade como parte de uma engrenagem viva, o que dirá da maturidade deste povo, que prefere fechar os olhos não ver o que acontece no mundo real?

Lembro-me de meus pais há anos atrás se desdobrando para sustentar meu irmão e eu, e ainda fazendo parecer que tudo estava bem. Sofremos com a ditadura, com a inflação, com os congelamentos de salários, com os saques de nosso suado dinheiro de nossas humildes economias e os inúmeros planos econômicos que tivemos, com as fronteiras fechadas para o mundo, com a ignorância de poucos poderosos, entre outras coisas. Tudo isso em razão de uma corrupção não declarada. Mas ainda assim julgamos o governo que evidencia os problemas e esta corrupção como ruim, quando na verdade ele é benefício para o processo de maturidade do povo. O quão hipócritas ainda podemos ser?

E hoje… Ahh como estamos vivendo a beira do caos… sentados em nossas casas próprias, mesmo que financiadas, com nossa mobília nova, bonita e confortável, com televisões de LED assistindo a novela das 8 na mais alta definição, com os mais novos modelos de computadores, tablets e smartphones na palma da mão, conectados ao mundo através da rede mundial de computadores, a Internet. Sem contar o carro na garagem e as viagens pelo país e pelo mundo que temos disponíveis a poucos passos. As muitas filas, sacolas recheadas de compras e futilidades as quais estamos rodeados. Ostentação. A vida está mesmo muito difícil neste país.

Se olharmos para trás veremos que já estivemos muito pior, e que não existe caminhos sem obstáculos e muitas vezes decepções. Tomamos decisões todos os dias, algumas certas e outras nem tanto, afinal somos humanos. Só precisamos reforçar esta humanidade em prol do bem comum.

educação-brasil-281x300De nada adianta o gigante acordar para somente reclamar ou trocar os governantes por outros tão ruins quanto. Quantos de nós sabem de fato administrar algo mais que suas próprias vidas? Quantos sabem o que fazer política e estar no comando realmente significa? A revolução está na base, nos valores que a cada dia que passa se perdem com o vento. Está em assumir as responsabilidades pelas decisões e cobrar de si o que cobramos dos outros.

Aplicando à política governamental atual, não se deixem influenciar pela publicidade, pois esta é apenas uma ferramenta de venda, só serve para isso. Investigue, pesquise, cubra-se de argumentos sólidos para depois tomar sua decisão. Depois de tomada, assuma responsabilidade sob ela, cobre para que as coisas aconteçam, e o mais importante, se errou na decisão, reflita sobre o erro e continue no processo de tomada de decisão consciente. Só assim estaremos de fato comprometidos com um futuro melhor, sustentável e justo para todos.

A incompetência do gigante

web1146Assim como no futebol, no mundo corporativo os goals são as metas as quais devemos alcançar. Estamos ali para isso, trabalhamos duro para atingí-las e como qualquer profissional, as vezes conseguimos, outras não.

Quem me conhece sabe que não sou nem um pouco fã de futebol, mas uma coisa não posso negar, essa era a chance de nos mostrarmos para o mundo. De apresentarmos os brasileiros como profissionais, capazes de planejar e seguir com os processos, prover garantias para o turista e desmistificar os rótulos pejorativos acumulados durante nossa história. Mas o que fizemos? Em vez disso só mostramos que não estamos preparados para o mundo. Nosso nível de maturidade diante do mundo está mais baixo do que eles poderiam imaginar.

O respeito e as atitudes dos japoneses, sejam os jogadores ou os torcedores que vieram para cá só corroboraram de que ainda estamos longe de podermos sentar numa mesa e comermos de garfo e faca, sem nos sujarmos. E ao final, nossa equipe perde e novamente mostramos para o mundo que não sabemos perder, o orgulho dos brasileiros fala mais forte e o desrespeito impera. Antes todos estavam torcendo para os heróis, agora estão condenando aqueles à forca. Onde está a energia, o patriotismo até a pouco explodindo a plenos pulmões?

Onde foi parar esta garra por justiça nas muitas ocasiões que realmente somos injustiçados, massacrados por políticos corruptos e opressores? E o pior é que os poucos que se levantam são calados a força e ridicularizados pela própria população que estão defendendo, e que deveria também estar ali, lutando por seus direitos. Mas é mais fácil fechar os olhos e deixar tudo como está, ligar a televisão e assistir seu time do coração. Ahh hipocrisia.

bolaO futebol deixou de ser um esporte para o brasileiro há muitos anos para tornar-se um espetáculo. Hoje é religião para os torcedores, ferramenta de manipulação política para aqueles que estão no poder e uma oportunidade de encher os bolsos de dinheiro para aqueles que estão nos bastidores. Mas qual o problema, afinal somos o país do futebol… e da falta de edução, saúde, segurança…

A Copa foi uma representação fiel do que é o Brasil, um país caótico, com uma população que não se respeita, que quer levar vantagem em tudo e, é claro muita corrupção enquanto a massa alienada se diverte.

Não assisti nenhum jogo, como já costumo fazer em todas as Copas, mas num mundo conectado por redes sociais, é impossível não saber o que esta acontecendo e não sentir pena dessa realidade pequena.  Alienação da massa… ahh minhas aulas de comunicação… que saudade!

E por que perdemos? Muito simples meu caro Watson, porque temos uma equipe de estrelas e egos, quando deveríamos ter um time, com foco, estrategia  e objetivos claros, cientes de seu papel e sua responsabilidade.

Enquanto no mundo real as pessoas tem que trabalhar, batalhar muito para atingir seus goals, no Brasil muitos ainda preferem faltar no trabalho para ver um jogo, gastar suas economias em um ingresso superfaturado, enquanto os filhos mal tem o que vestir ou comer. Torcer de bolso vazio para aqueles que não têm mais nem bolsos para carregar seus milhões.

No mundo real quem não atinge as metas não recebe, e em muitos casos fica até desempregado. Quem dera isso fosse realidade em todas as esferas, como no futebol e na política por exemplo. Ahh, aí sim este, há muito tempo chamado de país do futuro, partida ser considerado uma nação.

O Brasil perdeu a Copa do mundo de futebol, mas ganhou a Olimpíada Internacional de Astronomia e Astrofísica. Quantos brasileiros se orgulham disso? Quantos saíram na ruas para comemorar?

Como dizia um velho professor… “ESSA É PRA PENSAR EM CASA”.

APF: medindo o tamanho da paciência

A primeira vista este título pode deixar o leitor que já me conhece um pouco surpreso, mas não, caro leitor, não falarei mal desta excelente técnica. Para quem não conhece,  a Análise de Pontos de Função (APF) é uma técnica para medição do tamanho funcional de  software, criada pro Allan Albrecht em 1979 e mantida atualmente pelo IFPUG (International Function Point Useres Group).

O processo de medição de software e estimativas já existe há décadas, independentemente da técnica, há formas objetivas de fazê-lo, mas sempre surpreendo-me quando vejo que as empresas as utilizam tão pobremente, muitas vezes somente para mostrar para seus clientes, mas que de fato não as utilizam. Mas por que não utilizá-las?

Como tudo na vida, quando tomamos o controle, passamos a ter parâmetros de comparação e nem todos os “profissionais” gostam desta ideia. Assim, implementar uma técnica de medição pode apresentar-se como um desafio à paciência, na qual o responsável por esta implantação terá que lutar contra tudo e contra todos para conseguir cumprir sua tarefa.

Já assumi mais de uma vez esta tarefa, e não foi nada fácil. A resistência pode vir de todos os lados, o gestor que não tem controle de sua equipe e produtividade, e quer inflar a estimativa para cobrar mais do cliente, ou até o técnico que vê o processo de estimativa como uma burocracia desnecessária, querendo colocar o quanto antes a mão na massa. Haja paciência para conseguir alinhar as expectativas de uns, com a resistência de outros.

A solução, caro leitor, é somente uma: compromisso com o resultado. E, para garantir este compromisso, dois passos devem ser dados, sendo o primeiro, o apoio da alta direção que não deve apenas falar, mas sim tornar este processo relevante como parte das políticas da empresa. O segundo passo é a realização de treinamentos que incentivem a utilização e demonstrem os benefícios de sua utilização em toda a cadeia de prestação de serviço.

Depois de dois meses de estudo, agora mais do que nunca, como CFPS tenho que abraçar mais uma vez este desafio e tenho certeza que o farei com sucesso, controlando minha paciência e expectativas na busca pelo resultado e melhoria contínua.

1984 – Duplipensando sobre o Big Brother em Novilíngua

1984 - George Orwell

Há muito tempo tenho vontade de falar sobre esta magnífica obra da literatura e o quanto ela foi importante em minha formação. 1984, de Artur Blair, ou melhor, George Orwell, foi um livro que me ajudou a consolidar alguns valores, e por consequência meu caráter.

Lembro-me como se fosse ontem, estava eu, após uma aula de inglês conversando com minha professora, Leila era seu nome, quando apresentou-me esta obra de arte da literatura. Na época ela ficara fascinada com minha sede de leitura. Sempre que estava na aula, antes havia passado na biblioteca e, por consequência, estava carregando algum novo livro debaixo do braço. No começo ela não comentava nada, mas com o tempo ficou curiosa, até que ao final da aula, comentou que eu gostava muito de leitura, e que ela também gostava. Daí para frente, aguardava ansioso para o final da aula, para poder debater sobre o livro que havia lido na semana, e 99% das vezes, nada tinha a ver com a aula ou com a língua inglesa, foco de meu estudo ali.

Leila entregou em minhas mãos um pequeno livro, meio surrado pelo tempo, dizendo-me que era de sua coleção particular. Disse-me que sentia que este livro seria importante para mim. Também alertou-me para ler com cuidado, pois o significado do que estava contido naquelas páginas era grandioso demais e o entendimento da real intensão do autor não viria de primeira a minha mente, que eu teria que exercitá-la, mas que não deveria desistir. E assim o fiz, ficando maravilhado com o mundo apresentado por Orwell. Refleti muito sobre aquilo e, mesmo hoje, quando olho para os lados, quando assisto a TV e vejo as pessoas a minha volta, percebo com clareza, graças ao autor e à Leila, a diferença entre o mundo que se apresenta a meus olhos e aquele que está escondido, chamado de mundo real, ao qual poucos conseguem enxergá-lo, como se fosse uma dimensão paralela.

Após a leitura de 1984 fiquei estarrecido. Aquilo era demais para a mente de um jovem de 14 anos, mas me fascinou. Aprendi muito, o que atiçou minha sede por mais leitura, fazendo-me ver o mundo sobre outra ótica, valorizando algo que eu nunca havia direcionado meu pensamento, a política. Mas, nesta obra, mais que a política, o papel da psicologia no ser humano foi decisivo para que, a partir desta leitura, eu me tornasse ainda mais questionador, passando a querer saber a verdade por trás das aparências, buscando ir onde ninguém havia ido antes.

Depois deste, tive muitas outras leituras que complementaram o que sou hoje, podendo destacar também 1968: O ano que não terminou, de Zuenir Ventura, Revolução do Bichos, também de George Orwell, Adminirável Mundo Novo, de Aldoux Huxley, passando por temas mais filosóficos com O Mundo de Sofia, de Jostein Gaarder, até os quadrinhos de Alan Moore com V de Vingança, entre outras obras.

Assim, recomendo esta obra como uma leitura para a vida. Esse é um dos poucos livros que pode mudar significativamente a vida de quem o lê… diferentemente daquele programinha de TV!

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