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A síndrome do Projeto Alienígena

Em meus anos de experiência profissional me deparei com diversos tipos de iniciativas e projetos, desde o mais difícil e complexo até aquele que tiramos de letra, sabendo exatamente o que precisava ser feito. Já fui desenvolvedor, depois analista, então sei bem como é estar na linha de frente de um projeto, com uma data de entrega se aproximando, com a pressão do gerente e do cliente, mas ainda assim, sabia que era possível fazer o que precisava ser feito e ainda concluir a entrega.

Anos se passaram e minha história tomou um rumo um pouco diferente do desenvolvimento, passei a cuidar do “como” fazer as coisas, com a aplicação de processos, padrões e metodologias. Foi aí que me deparei com um tipo desconhecido de projeto, o “Projeto Alienígena”.

Não se assuste caro leitor, este não se trata de um texto inspirado em alguma invasão alienígena ou mesmo na famosa Guerra dos Mundos de H. G. Wells, mas sim em algo bem mundano, o medo de fazer diferente e o medo do controle.
top_secret2Um “Projeto Alienígena” é aquele que é colocado como sendo tão diferente de tudo o que existe, que não seria possível, segundo o time e o próprio Gerente de Projeto, adotar nenhum processo, metodologia ou padrão. É como se ele se destacasse dos demais, como sendo algo tão fora do senso comum, que somente o jeito que está sendo conduzido é o certo e proverá resultado, como se estivesse numa redoma. Este projeto não pode ser tocado, não pode seguir práticas conhecidas e adotadas pela companhia, e o pior de tudo, não pode ser controlado. Notem aqui que não estou me referindo a projetos de experimentação ou disruptivos, mas projetos do dia a dia.

Agora, vamos refletir rapidamente sobre o sentido destes elementos: um processo existe para obtenção de um resultado que agregue valor, uma metodologia existe para garantir um método claro e objetivo, um “como” chegar no resultado esperado, e os padrões para dar possibilidade de medir, garantir que nada foi esquecido e que no futuro a manutenibilidade deste desenvolvimento será facilitada. Seria mesmo tão absurdo assim utilizá-los neste projeto? E por que não usar?

Ao longo do tempo já me deparei com diversos projetos alienígenas e o resultado dos mesmos, ainda que com toda boa intensão dos gerentes de projetos e dos times, não são tão satisfatório como gostariam, caracterizando-se por projetos mal documentados, com datas comprometidas, custo alto e escopo continuamente variável, mas que justamente pela falta de controle, ficam desapercebidos da alta gerência, iludida por um modismo ou mesmo pela perspectiva de estaria reduzindo a “burocracia”. Ao final o resultado entregue distancia-se do objetivo inicial e o valor entregue é bem aquém àquele esperado, sendo positivo apenas para o desenvolvimento. E onde está o valor para o negócio? Onde está a captura do benefício na cadeia de valor frente ao tempo e custo deste projeto alienígena.

Um processo bem definido é ágil e entrega valor sem gerar burocracia, a metodologia certa, sendo utilizada corretamente proporciona uma visão de resultado de sucesso e os padrões irão eliminar os desperdícios, o retrabalho e proporcionar conformidade.

Convido meus amigos gestores a refletirem sobre isso, e repensarem que um profissional de processos tem o mesmo objetivo de entregar valor, e não é devido ao uso do processo, metodologia ou padrão que este valor não será alcançado, ou mesmo que será prolongado ao longo do tempo. Um processo bem definido é ágil e entrega valor sem gerar burocracia, a metodologia certa, sendo utilizada corretamente proporciona uma visão de resultado de sucesso e os padrões irão eliminar os desperdícios, o retrabalho e proporcionar conformidade. Pensem nos benefícios.

Sendo assim, não seja mais um abduzido pela síndrome do projeto alienígena. Junte-se a Resistência a caminho do sucesso!

Manager walking on the road to success

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A perspectiva das caixas em nossa vida

Há algum tempo atrás eu estava em uma reunião e um dos participantes particularmente me chamou a atenção. Ele discursava diante de todos os presentes com grande entusiasmo, demostrando claramente sua senioridade e experiência profissional, mas dentre tantas frases, uma em especial me chamou a atenção, a insistência dele na frase “precisamos pensar fora da caixa“. Não que seja uma frase nova para mim, eu até a tenho utilizado muito, mas de tanto ele martelar acabei ficando incomodado. Será que estaríamos sendo tão conservadores assim, para justificar esta avalanche?

Saí de lá, mas continuei com a frase na cabeça. Precisava pensar mais sobre aquilo, não pelo cenário exposto na reunião em si, mas o por quê daquela frase estar sendo tão incessantemente proferida. Já virou até clichê no mundo corporativo.

A caixa

Ao refletir sobre o assunto percebi que esta questão envolve o cerne do ser humano e está presente desde antes de nosso nascimento. O mundo em que vivemos nada mais é do que uma caixa dentro de outra caixa, e quando passamos a fazer parte dele adentramos infinitas dimensões de caixas sobre caixas durante toda nossa vida, sejam estas físicas ou comportamentais.

Existe uma caixa enorme chamada universo, ao qual existe um sistema dentro, uma caixa a qual contém planetas e um destes representa uma caixa para nós homens.

Nós seres humanos somos gerados em uma caixa, daí nascemos e logo somos colocados em diversas outras caixas. Nossa vida se resume a cada vez mais nos colocarmos em caixas. Nossa casa, a escola, nosso carro, o elevador da empresa, a empresa, o mercado, a casa dos amigos, o barzinho, a balada, o ônibus…

Tudo se resume a caixas as quais nos permitimos fazer parte, ora por vontade própria, ora por imposição. No caso do segundo, acrescentamos às caixas físicas as comportamentais, que ditam os padrões a serem seguidos e que devemos nos enquadrar, ou melhor, nos encaixar para estarmos bem com a sociedade.

Mas será que todos queremos nos encaixar? Não tem nada de errado com este cenário. Até o considero natural ao ser humano, e o homem moderno, com seu desenvolvendo e tecnologias cada vez mais presentes está cada vez mais envolto em caixas. Pare para pensar no seu dia desde o momento que abriu os olhos, abra a mente e olhe para os lados… perceba o quanto está envolvo em caixas, tanto que inevitavelmente ao final de nossas vidas, acabamos sendo colocados em mais uma caixa.

esconder-dentro-da-caixa-6369498 (1)Diante disso, ao refletir sobre nossa vida, olhar para o lado e ver caixas e mais caixas, questiono-me se de fato é possível pensar fora da caixa, ou se estamos nos iludindo, sem perceber que apenas estamos trocando de caixa? Será que estes padrões estabelecidos pela sociedade os quais deveríamos nos encaixar ainda fazem sentido?

Para mim, pensar fora da caixa é fundamental, necessário e significa essencialmente refletir sobre o que de fato importa, estar disposto a abandonar as caixas que não nos servem mais, e dedicarmos-nos àquelas que nos são valiosas, seja profissional ou pessoalmente. As caixas estão em todos os lugares, de todos os tipos e tamanhos, só precisamos enxergar em quais queremos entrar e focar nestas que vão de encontro ao nossos objetivos.

Paradigmas que se quebram como vidro

Time-for-Change_0Mudanças são comuns em todos os ambientes, desde o big bang, o universo segue em constante mudança. Cada partícula dele é extremamente importante para seu desenvolvimento e, ainda assim estão sempre mudando, e é devido a isso que temoos umas infinidade de eventos magníficos que reconstroem este universo a todo momento.

Mas não precisamos ir tão longe, a natureza que nos cerca também nos apresenta o quanto é normal e natural mudar. Ela nos mostra que o domínio é do mais forte, porém a sobrevivência é daquele que melhor se adapta. Se analisarmos a história da humanidade ao longo dos séculos, os fatores mudança, adaptabilidade e evolução ficam bem evidentes. Então por que resistimos tanto?

Obviamente que o controle nos traz segurança e, de fato nossa sociedade hoje está baseada nela, mas por quanto tempo?

Os moldes e padrões estabelecidos sobrevivem por um tempo, mas não para sempre. Atualmente estamos vivendo este momento de ruptura. Não mais aceitamos as coisas como são, tornamos-nos questionadores, percebemos que podemos tomar decisões para nós mesmos, as quais nos permitirão desfrutar de uma vida melhor.

Há muito tempo deixamos de viver para dar importância para o sobreviver. Isso é de certa forma conveniente e aparentemente necessário, mas atualmente o que vale é a experiência que vivenciamos, e para isso, cada elo, cada engrenagem do universo precisa mudar, precisa adaptar-se.

Tecnologias vêm, novos serviços focados na melhor satisfação se tornam cada vez mais comuns e os clientes deixam de ser um grupo rotulado e a ser estudado, para serem constituídos de cada um de nós, todos juntos ao mesmo tempo, formando um ecossistema sustentável, consumidor de experiências sobre produtos e serviços. Isso é evoluir. Este é o momento que estamos vivendo.

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Ficar preso às amarras da segurança e do porquê sempre foi feito assim, levará muitos à morte, enquanto poucos serão aqueles que, além da visão de futuro, adaptar-se-ão a ele.

Normose que nos impede de sermos nós mesmos

Desde pequeno somos condicionados a seguir os ditos padrões da sociedade, como se somente com esta receita de bolo pudéssemos ser aceitos, mas por que seguir os padrões de sociedade? Por que ser aceito é tão importante?

Normose é um conceito novo, trazido por alguns autores da Psicologia Transpessoal, que tem ganhado espaço nos meios terapêuticos. É um conceito que lida com a ideia do que é considerado “ser normal” numa determinada sociedade ou grupo e do quanto este comportamento causa sofrimento ou não.  (Fonte)

normoseSer “normal” atualmente pode ser algo perigoso, pois a cada dia que passa a sociedade afunda-se mais em sua mediocridade, trazendo a tona o fundo do poço e o pior, valorizando-o em cadeia nacional. Nesta hora lembro-me de meus velhos professores de comunicação dizendo: “a massa é burra” e, mesmo entendendo o conceito na época, somente com o tempo e a experiência de vida é que podemos de fato compreender o significado desta frase, ou melhor, somente quando sentimos na pele, ao nos depararmos com as inúmeras situações que nos são colocadas pela dita sociedade normática, é que chegamos ao ponto de tomar a decisão entre agir dentro ou forma do padrão de normalidade aceita, ou seja, ser ou não “normal” perante a sociedade. O problema é que nem todos conseguem chegar neste ponto de decisão, muitas vezes por estarem embriagados com a normalidade que os cerca, tornando-se reféns da mesma.

Ser negro enquanto a sociedade é branca
Ser ateu enquanto a sociedade é crente
Ser gordo enquanto a sociedade é magra
Ser imperfeito enquanto a sociedade é “perfeita”

Pensar enquanto a sociedade conforta-se
Criar enquanto a sociedade copia
Contestar enquanto a sociedade impõe-se
Falar enquanto a sociedade cala-se

eisnteinVocê quer ser normal? Eu definitivamente não! De que vale ser “normal” em um mundo virado de ponta cabeça, em que os valores foram esquecidos, onde o errado tornou-se o certo e aqueles que praticam o bem são ridicularizados pelas próprias leis e normas impostas. Eu não… prefiro ser maluco beleza e mesmo com muita dificuldade, ainda acreditar no que é certo, seguir pelo caminho do bem e promover a paz, mesmo que só possa fazê-lo em meu pequeno quadrado e não seja “tão” bem visto  pela sociedade.

Não vou compactuar com a queda da sociedade, ser diferente é bom. Seja diferente, dê um tapa nessa sociedade também e faça a diferença também caro leitor. Só assim podemos mudar o mundo tornando-o um lugar melhor para todos.

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