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Reflexões sobre a vida, o universo e tudo mais

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A perspectiva das caixas em nossa vida

Há algum tempo atrás eu estava em uma reunião e um dos participantes particularmente me chamou a atenção. Ele discursava diante de todos os presentes com grande entusiasmo, demostrando claramente sua senioridade e experiência profissional, mas dentre tantas frases, uma em especial me chamou a atenção, a insistência dele na frase “precisamos pensar fora da caixa“. Não que seja uma frase nova para mim, eu até a tenho utilizado muito, mas de tanto ele martelar acabei ficando incomodado. Será que estaríamos sendo tão conservadores assim, para justificar esta avalanche?

Saí de lá, mas continuei com a frase na cabeça. Precisava pensar mais sobre aquilo, não pelo cenário exposto na reunião em si, mas o por quê daquela frase estar sendo tão incessantemente proferida. Já virou até clichê no mundo corporativo.

A caixa

Ao refletir sobre o assunto percebi que esta questão envolve o cerne do ser humano e está presente desde antes de nosso nascimento. O mundo em que vivemos nada mais é do que uma caixa dentro de outra caixa, e quando passamos a fazer parte dele adentramos infinitas dimensões de caixas sobre caixas durante toda nossa vida, sejam estas físicas ou comportamentais.

Existe uma caixa enorme chamada universo, ao qual existe um sistema dentro, uma caixa a qual contém planetas e um destes representa uma caixa para nós homens.

Nós seres humanos somos gerados em uma caixa, daí nascemos e logo somos colocados em diversas outras caixas. Nossa vida se resume a cada vez mais nos colocarmos em caixas. Nossa casa, a escola, nosso carro, o elevador da empresa, a empresa, o mercado, a casa dos amigos, o barzinho, a balada, o ônibus…

Tudo se resume a caixas as quais nos permitimos fazer parte, ora por vontade própria, ora por imposição. No caso do segundo, acrescentamos às caixas físicas as comportamentais, que ditam os padrões a serem seguidos e que devemos nos enquadrar, ou melhor, nos encaixar para estarmos bem com a sociedade.

Mas será que todos queremos nos encaixar? Não tem nada de errado com este cenário. Até o considero natural ao ser humano, e o homem moderno, com seu desenvolvendo e tecnologias cada vez mais presentes está cada vez mais envolto em caixas. Pare para pensar no seu dia desde o momento que abriu os olhos, abra a mente e olhe para os lados… perceba o quanto está envolvo em caixas, tanto que inevitavelmente ao final de nossas vidas, acabamos sendo colocados em mais uma caixa.

esconder-dentro-da-caixa-6369498 (1)Diante disso, ao refletir sobre nossa vida, olhar para o lado e ver caixas e mais caixas, questiono-me se de fato é possível pensar fora da caixa, ou se estamos nos iludindo, sem perceber que apenas estamos trocando de caixa? Será que estes padrões estabelecidos pela sociedade os quais deveríamos nos encaixar ainda fazem sentido?

Para mim, pensar fora da caixa é fundamental, necessário e significa essencialmente refletir sobre o que de fato importa, estar disposto a abandonar as caixas que não nos servem mais, e dedicarmos-nos àquelas que nos são valiosas, seja profissional ou pessoalmente. As caixas estão em todos os lugares, de todos os tipos e tamanhos, só precisamos enxergar em quais queremos entrar e focar nestas que vão de encontro ao nossos objetivos.

A clareza surgida da escuridão

dark-nature-wallpaper-photo-is-cool-wallpapersOs postes da rua ascenderam-se. Era anunciada mais uma noite. A luz gentilmente oferecida por nosso astro rei foi se esvaindo a cada minuto. Pouco tempo depois o fundo da paisagem já se apresentava outro, escondido pelas cortinas da noite que adentrava sem pedir licença.

As horas foram passando, e nós humanos já acostumados com esta rotina, mal percebíamos o que estava acontecendo. O fenômeno é natural, rotação e trasladação, mas a beleza da orquestração oferecida pelo universo por poucos ainda era contemplada.

Para surpresa de muitos, os faróis da noite apagaram-se sem qualquer motivo aparente. De fato, o motivo para estes era indiferente, pois para estes muitos a segurança se foi. Se perguntaram o que teria acontecido. O tempo passou e nenhuma resposta foi dada. Seria o fim?

Para alguns talvez, dependentes de fatores externos e tecnologias longe de sustentáveis, este Homem tornou-se dependente de suas criações, deixando de lado a natureza que o cerca. E qual melhor momento para contemplar, senão aquele em que não temos nenhuma distração.

A escuridão que tomou lugar permitiu a contemplação da natureza como algo maior, algo simples, mas de uma força inestimável. A clareza que aflorava desta escuridão era uma só, e trazia uma única certeza: estamos nos distanciando da natureza e dos fenômenos que nos cercam. Estamos valorizando dependências para nossa sobrevivência que na verdade são secundárias e frágeis.

É somente através da escuridão que conseguimos enxergar a luz, haja vista as estrelas que em sua maioria são vistas apenas a noite.

A escuridão também nos permite dar mais atenção a cada passo dado, trazendo cautela e um senso de busca por uma segurança a qual, mesmo sem sabermos se existe, faz com que alguns repensem, ousem, tentem superar suas dificuldades e avançar ainda mais, enquanto faz com que outros se acovardem e tornem-se vítimas de seu próprio medo e insegurança.

Paradigmas que se quebram como vidro

Time-for-Change_0Mudanças são comuns em todos os ambientes, desde o big bang, o universo segue em constante mudança. Cada partícula dele é extremamente importante para seu desenvolvimento e, ainda assim estão sempre mudando, e é devido a isso que temoos umas infinidade de eventos magníficos que reconstroem este universo a todo momento.

Mas não precisamos ir tão longe, a natureza que nos cerca também nos apresenta o quanto é normal e natural mudar. Ela nos mostra que o domínio é do mais forte, porém a sobrevivência é daquele que melhor se adapta. Se analisarmos a história da humanidade ao longo dos séculos, os fatores mudança, adaptabilidade e evolução ficam bem evidentes. Então por que resistimos tanto?

Obviamente que o controle nos traz segurança e, de fato nossa sociedade hoje está baseada nela, mas por quanto tempo?

Os moldes e padrões estabelecidos sobrevivem por um tempo, mas não para sempre. Atualmente estamos vivendo este momento de ruptura. Não mais aceitamos as coisas como são, tornamos-nos questionadores, percebemos que podemos tomar decisões para nós mesmos, as quais nos permitirão desfrutar de uma vida melhor.

Há muito tempo deixamos de viver para dar importância para o sobreviver. Isso é de certa forma conveniente e aparentemente necessário, mas atualmente o que vale é a experiência que vivenciamos, e para isso, cada elo, cada engrenagem do universo precisa mudar, precisa adaptar-se.

Tecnologias vêm, novos serviços focados na melhor satisfação se tornam cada vez mais comuns e os clientes deixam de ser um grupo rotulado e a ser estudado, para serem constituídos de cada um de nós, todos juntos ao mesmo tempo, formando um ecossistema sustentável, consumidor de experiências sobre produtos e serviços. Isso é evoluir. Este é o momento que estamos vivendo.

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Ficar preso às amarras da segurança e do porquê sempre foi feito assim, levará muitos à morte, enquanto poucos serão aqueles que, além da visão de futuro, adaptar-se-ão a ele.

A insatisfação de viver no passado

passado-presente-futuroO tempo passou, já estamos no meio da segunda década do século XXI e estamos vivendo como no século passado, influenciados pela urgência de tudo, pela pressa de crescer e expandir-se, e principalmente pela necessidade de sobrevivência no lugar da vivência, mas será que esta característica marcante do século passado ainda faz sentido neste?

O crescimento das empresas no século passado foi tamanho que nas últimas décadas muitas empresas não tinham mais para onde crescer, daí vieram as incorporações, onde as empresas passaram a se juntarem formando grandes conglomerados corporativos, com isso os produtos e serviços viraram commodities, ou seja, algo intrínseco ao dia a dia e, para que as empresas se destacassem, a diferenciação passou a tomar destaque nas discussões estratégicas.

Não que esta tendência pudesse ser diferente ou menos não fosse necessária, de fato o cliente hoje quer produtos e serviços exclusivos, nas não apenas no formato como as companhias estão fazendo, mas na experiência. A experiência do cliente ao adquirir um produto ou serviço ainda hoje é um campo muito pouco explorado pelas empresas, sejam elas simples como uma lanchonete ou restaurante como para as grandes corporações. Essas empresas ainda querem forçar aos clientes uma produção em massa daquilo que elas julgam ser o que o cliente quer, daí a célebre diferença entre foco no cliente e foco do cliente.

Do outro lado estão pessoas comuns, funcionários e parceiros destas empresas, e que em muitos casos também vestem o chapéu de clientes. A sede pela produção massificada destes produtos e serviços gera um alto índice de pressão sobre estas pessoas, que têm que fazer muito mais do que pelo qual foram contratadas ou até mesmo são capazes.

Atividades em paralelo, a busca constante por novos modelos e formas de fisgar os clientes, o fazer mais com menos, tudo isso está indo na contramão daquilo que o cliente realmente busca, que é a satisfação diante da experiência com o produto e serviço.

Ainda assim as empresas insistem que tudo tem que ser para ontem, muitas atividades e iniciativas são postas para execução em paralelo, sem que uma boa estratégia holística tenha sido definida, ou seja, hoje dentro das organizações criamos mais trabalho do que resultados para os clientes.

O controle da linha de produção dos produtos ou até mesmo do atendimento dos serviços já não se faz mais suficiente. Somos cobrados pelo controle do controle do controle e nada disso é percebido pelo cliente, pois este quer apenas uma experiência satisfatória.

Entendo que controles são necessários, porém as empresas precisam de visão estratégica do negócio, visão de fora para dentro e, a partir daí, simplificar seus processos com foco nos resultados, eliminando-se os gargalos, as burocracias, as intermináveis reuniões que discutem o sexo dos anjos, mas que não resultam em decisões estratégicas, cortar as muitas atividades em paralelo que com o objetivo de agilizar, somente atrapalham e impactam na qualidade das entregas, eliminar intermediários que floreiam as soluções, geram muito papel e apresentações dignas de prêmios, mas nenhum resultado que interesse para os clientes.

Enquanto essas empresas se preocuparem com o excesso de trabalho e apenas em fisgar o cliente, ninguém vive a vida, ninguém satisfaz-se com nada, e de que adianta? Uma hora as pessoas vão perceber que estão vivendo no século errado, que estão no passado e estas empresas não estão alinhadas a seus objetivos de vida, e quando isso acontecer, as barreiras vão cair, e então deixaremos de sobreviver no século XX e aí sim começaremos a viver no século XXI.

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A política dentro de nós

Já que comecei a abordar assuntos polêmicos no artigo A incompetência do Gigante, volto aqui mais uma vez para expressar minha humilde opinião sobre o momento político que estamos passando.

A Era de Péricles - Philipp Von Foltz de 1853A ideia política iniciou-se na Grécia Antiga, onde as praças eram ao mesmo tempo palanques e plenária, então conhecidas como Assembleias dos Cidadãos, sendo ainda considerada berço da democracia, inclusive com o uso do voto como ferramenta. O tempo passou e muito desta política foi esquecida. A cada ano que passa o que temos é cada vez mais um show… de horrores eu acrescentaria. Feito por privilegiados e destinados à massa.

Uma das características que mais definem os brasileiros é o jeitinho que dão para tudo, mesmo que muitas vezes seja para burlar as regras e processos definidos, e é exatamente este diferencial que nos torna tão corruptos, e nos trouxe no caos que estamos. Ou não estamos?

A definição de bom ou ruim não recai sobre uma verdade absoluta, mas sim sob um critério, mesmo que inconsciente, comparativo. Comparação esta que está sujeita a inúmeras variáveis, e principalmente pontos de vista. O que de fato é bom? Seria este bom igual e suficientemente para todos?

Muito me impressiona pessoas reclamarem da corrupção e da política, mas que é tão corrupto quanto, quando colocado em determinadas situações favoráveis à esta, mesmo que nas pequenas coisas, o brasileiro se corrompe muito fácil. Haja vista a velha conhecida Lei de Gerson, onde a vantagem daquele que está em situação favorável sobrepõe-se sob os demais, e exemplos não faltam, espertos que:

  • andam com seus veículos em velocidades proibidas pois sabem que não há fiscalização;
  • andam nos acostamentos ultrapassando aqueles que estão esperando no congestionamento;
  • falsificam identidades para entrar em lugares ou pagar menos;
  • ficam conscientemente com o troco errado que lhe foi dado por descuido do atendente;
  • tiram vantagem das ignorância ou deficiência de outros semelhantes;

Exemplos não faltam, portanto que moral têm estas pessoas em criticar os governantes corruptos? Eles são meros reflexos de nós mesmos. Agora, será que de fato estamos sob um governo tão caótico, como está sendo pintado na mídia e nas redes sociais? Será que as referências as quais estamos comparando estão corretas?

Olho_BrasilO brasileiro é um povo de memória curta. Passamos por momentos recentes e vergonhosos em nossa história e continuamos somente a reclamar, mas agir, aí é outra história. O processo de crescimento de uma pessoa é longo, desde seu nascimento até sua inserção na sociedade como parte de uma engrenagem viva, o que dirá da maturidade deste povo, que prefere fechar os olhos não ver o que acontece no mundo real?

Lembro-me de meus pais há anos atrás se desdobrando para sustentar meu irmão e eu, e ainda fazendo parecer que tudo estava bem. Sofremos com a ditadura, com a inflação, com os congelamentos de salários, com os saques de nosso suado dinheiro de nossas humildes economias e os inúmeros planos econômicos que tivemos, com as fronteiras fechadas para o mundo, com a ignorância de poucos poderosos, entre outras coisas. Tudo isso em razão de uma corrupção não declarada. Mas ainda assim julgamos o governo que evidencia os problemas e esta corrupção como ruim, quando na verdade ele é benefício para o processo de maturidade do povo. O quão hipócritas ainda podemos ser?

E hoje… Ahh como estamos vivendo a beira do caos… sentados em nossas casas próprias, mesmo que financiadas, com nossa mobília nova, bonita e confortável, com televisões de LED assistindo a novela das 8 na mais alta definição, com os mais novos modelos de computadores, tablets e smartphones na palma da mão, conectados ao mundo através da rede mundial de computadores, a Internet. Sem contar o carro na garagem e as viagens pelo país e pelo mundo que temos disponíveis a poucos passos. As muitas filas, sacolas recheadas de compras e futilidades as quais estamos rodeados. Ostentação. A vida está mesmo muito difícil neste país.

Se olharmos para trás veremos que já estivemos muito pior, e que não existe caminhos sem obstáculos e muitas vezes decepções. Tomamos decisões todos os dias, algumas certas e outras nem tanto, afinal somos humanos. Só precisamos reforçar esta humanidade em prol do bem comum.

educação-brasil-281x300De nada adianta o gigante acordar para somente reclamar ou trocar os governantes por outros tão ruins quanto. Quantos de nós sabem de fato administrar algo mais que suas próprias vidas? Quantos sabem o que fazer política e estar no comando realmente significa? A revolução está na base, nos valores que a cada dia que passa se perdem com o vento. Está em assumir as responsabilidades pelas decisões e cobrar de si o que cobramos dos outros.

Aplicando à política governamental atual, não se deixem influenciar pela publicidade, pois esta é apenas uma ferramenta de venda, só serve para isso. Investigue, pesquise, cubra-se de argumentos sólidos para depois tomar sua decisão. Depois de tomada, assuma responsabilidade sob ela, cobre para que as coisas aconteçam, e o mais importante, se errou na decisão, reflita sobre o erro e continue no processo de tomada de decisão consciente. Só assim estaremos de fato comprometidos com um futuro melhor, sustentável e justo para todos.

Normose que nos impede de sermos nós mesmos

Desde pequeno somos condicionados a seguir os ditos padrões da sociedade, como se somente com esta receita de bolo pudéssemos ser aceitos, mas por que seguir os padrões de sociedade? Por que ser aceito é tão importante?

Normose é um conceito novo, trazido por alguns autores da Psicologia Transpessoal, que tem ganhado espaço nos meios terapêuticos. É um conceito que lida com a ideia do que é considerado “ser normal” numa determinada sociedade ou grupo e do quanto este comportamento causa sofrimento ou não.  (Fonte)

normoseSer “normal” atualmente pode ser algo perigoso, pois a cada dia que passa a sociedade afunda-se mais em sua mediocridade, trazendo a tona o fundo do poço e o pior, valorizando-o em cadeia nacional. Nesta hora lembro-me de meus velhos professores de comunicação dizendo: “a massa é burra” e, mesmo entendendo o conceito na época, somente com o tempo e a experiência de vida é que podemos de fato compreender o significado desta frase, ou melhor, somente quando sentimos na pele, ao nos depararmos com as inúmeras situações que nos são colocadas pela dita sociedade normática, é que chegamos ao ponto de tomar a decisão entre agir dentro ou forma do padrão de normalidade aceita, ou seja, ser ou não “normal” perante a sociedade. O problema é que nem todos conseguem chegar neste ponto de decisão, muitas vezes por estarem embriagados com a normalidade que os cerca, tornando-se reféns da mesma.

Ser negro enquanto a sociedade é branca
Ser ateu enquanto a sociedade é crente
Ser gordo enquanto a sociedade é magra
Ser imperfeito enquanto a sociedade é “perfeita”

Pensar enquanto a sociedade conforta-se
Criar enquanto a sociedade copia
Contestar enquanto a sociedade impõe-se
Falar enquanto a sociedade cala-se

eisnteinVocê quer ser normal? Eu definitivamente não! De que vale ser “normal” em um mundo virado de ponta cabeça, em que os valores foram esquecidos, onde o errado tornou-se o certo e aqueles que praticam o bem são ridicularizados pelas próprias leis e normas impostas. Eu não… prefiro ser maluco beleza e mesmo com muita dificuldade, ainda acreditar no que é certo, seguir pelo caminho do bem e promover a paz, mesmo que só possa fazê-lo em meu pequeno quadrado e não seja “tão” bem visto  pela sociedade.

Não vou compactuar com a queda da sociedade, ser diferente é bom. Seja diferente, dê um tapa nessa sociedade também e faça a diferença também caro leitor. Só assim podemos mudar o mundo tornando-o um lugar melhor para todos.

A vergonha que nos cerca

downloadComeço o dia ainda com o sentimento de frustração. A noite de sono não foi suficiente para fazer-me conformar. A não desacreditar na desumanidade de alguns ditos “seres humanos” aos quais somos obrigados a conviver. Além de frustração, sinto vergonha por eles e pelo caos que estão contribuindo. É muito fácil e bonito discursar entre poucos, mas agir… ahh isso é bem diferente, isso é para poucos nobres de alma.

Não desejo o mal a ninguém, mas a lei é clara, “A toda causa, há um efeito” e aplica-se a todos, seja pobre ou rico, forte ou fraco, branco ou preto, não há diferença.

Um dia estas pessoas estarão por aí, ainda reclamando da situação em que se encontram, reclamado do mundo que os cerca, das injustiças que lhes são impostas, e a verdade é a mais simples possível, estarão apenas colhendo os frutos que plantaram, recebendo o efeito da causa que fizeram. O pior é que para muitos ainda não lhes será consciente, mas ainda assim será justo.

“Primeiro levaram os comunistas,
Mas eu não me importei
Porque não era nada comigo.

“Em seguida levaram alguns operários,
Mas a mim não me afectou
Porque eu não sou operário.

Depois prenderam os sindicalistas,
Mas eu não me incomodei
Porque nunca fui sindicalista.

Logo a seguir chegou a vez
De alguns padres, mas como
Nunca fui religioso, também não liguei.

Agora levaram-me a mim
E quando percebi,
Já era tarde.”

Bertold Brecht

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A caminho do lar

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Segundo a definição da Wikipedia, “Lar” é uma forma especial de se definir a casa ou os assuntos relacionados a ela, como a convivência com a família e os vizinhos. “Lar” pode ter uma conotação sentimental ou carinhosa. Existe uma expressão popular que diz: “Lar, doce lar”, mas nunca foi tão difícil chegar em casa quando ultimamente.

O que para alguns poucos privilegiados é algo simples, podem caminhar até suas casas e curtirem a qualidade de vida que lhes é proporcionada, para outros passa a ser uma tarefa árdua e que muitas vezes está fora de nosso controle. Sim, eu sou uma dessas pessoas.

minha-casaClaro que a escolha foi minha, trabalhar longe de casa, em outra cidade, ter que pegar ônibus e estrada. As perguntas sempre se repetem: “Mas você sobe e desce todos os dias?“, “Mas não é longe?“, “É cansativo?” – Brincadeiras a parte, a resposta é sim, sim e sim, mas no geral ainda vale a pena quando se coloca em foco a parte profissional. Agora a pergunta que fica é o quanto estamos sacrificando a outra parte, aquela que realmente importa.

Nós, os viajantes e aventureiros, como alguns podem pensar, passamos por perigos constantes, em um país ao qual os acidentes de trânsito representam uma das principais causas de morte, e nós enfrentamos de cabeça erguida todos os dias, torcendo para mais um dia passarmos desapercebidos da foice que pode estar a nossa espera, numa curva qualquer.

O que realmente esperamos é o mesmo que país espera, que os governantes e empresas privadas tomem vergonha na cara e prestem serviços de qualidade, tendo como foco o ser humano ao qual está na outra ponta da cadeia. Não somos meras máquinas ou cargas, somos seres pensantes e que merecem respeito, que têm o direito básico de voltar para suas famílias em segurança após um longo dia de trabalho, voltar para seus lares e poderem viver suas vidas.

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O último desafio: reconhecermos a nós mesmos

ultimoNo último final de semana assisti ao filme O Último Desafio, com o exterminador,  Arnold Schwarzenegger e, apesar das muitas críticas, achei um filme muito bom.

Quando comecei este blog um dos primeiros artigos que escrevi foi sobre o tempo (Tempo… tempo mano velho…), e esse tem sido um tema recorrente em minhas reflexões. Não para menos, afinal sou fascinado por ele, seja pela admiração ao passado ou vislumbre ao futuro vindouro.

redAssim, este filme, junto a alguns outros, como o excelente RED, fizeram-me refletir não apenas ao passado, o que fiz, ou deixei de fazer em minha vida, mas em como este passado me fez chegar neste presente, e que este é de fato o momento mais importante.

Ver um brutamontes caindo, sentindo dor e reclamando que está velho nos mostra que não importa o que fizemos e o quanto sacrificamos, pois em algum momento teremos que pagar esse investimento e aprender a lidar com uma nova fase em nossas vidas. Uma fase mais calma, sem extravagâncias, sem correrias, uma fase de paz consigo e com a natureza do mundo a nossa volta.

Não é para menos que aquela “saúde de ferro” nos abandone em algum momento, afinal, o quanto nós a deixamos de lado nos últimos anos? O quanto deixamos passar em prol de algo que nem sabíamos se valeria a pena?

A mim cabe agora restabelecer o equilíbrio, tendo em mente que o mundo mudou, eu mudei, tenho limitações e respeitando isso acima de tudo.

Diário de “Atleta” – 1ª Semana

Depois de muito relutar, iniciei a prática de exercícios diários. Por preferência ficaria em casa, sentado no sofá, curtindo filmes e séries, mas a saúde, ou a falta dela, começou a falar mais alto e fui obrigado a render-me a prática de exercícios.

exercicios

A decisão (Quinta-feira – 31/01/2013): Cheguei em casa decidido em ir na academia para conhecer as opções disponíveis. Sabia que nenhuma delas me agradaria, mas teria que fazer alguma coisa, e se não tivesse atitude, nada mudaria. Não foi fácil, mas consegui ir em duas academias próximas de casa e escolhi uma delas para fazer a aula experimental e conversar com o professor. Conversei com minha esposa e decidimos começar na segunda-feira;

Os preparativos (Domingo – 03/02/2013): Saímos de casa rumo ao Shopping com um único objetivo, comprar roupa para ir na academia. Como há muito não fazíamos nada, não tínhamos nada em casa que servisse. A busca até foi rápida, pegamos algumas peças e depois de uma passada rápida no provador, fomos para a fila pagar as “comprinhas”. Saímos de lá e fomos ao supermercado comprar barrinhas e suquinhos e etc, para nos alimentarmos adequadamente antes do horário das aulas. Conclusão do dia: tentar ser saudável sai muito caro!!! Chegando em casa, deixamos as roupas e demais itens separados, para não nos atrasarmos no primeiro dia.

1º Dia (Segunda-feira – 04/02/2013): Cheguei em casa pouco antes das 20 horas, felizmente estava em condições de seguir com o plano, pois minha companheira (enxaqueca) deu-me um momento de folga. Troquei-me e peguei o que era necessário levar para a academia e deparei-me com a primeira dificuldade… queria entender por que essas roupas de academia não têm bolsos! É absurdo, pois ninguém sai de casa sem nada. Eu por exemplo, sempre saio com minha carteira, um lenço, meu celular e a chave de casa, mas o bendito shorts de academia só tinha um pequeno bolso que só cabia a chave. Sem condições. Minha esposa teve que pegar uma bolsa para poder colocar essas coisas, as toalhas, garrafinha d’água e etc. Saímos de casa e duas quadras e meia depois lá estávamos nós. Diria que esta parte foi bem difícil, pois minha vontade era dar meia volta, parar no quiosque e pedir um prato de picanha com alho. Resisti a tentação e encarei a decisão. Começamos com 15 minutos de esteira, passamos uma hora fazendo rodízio de aparelhos, um mais estranho que o outro, e terminamos a noite com 10 minutos de bicicleta. Foi difícil, mas o objetivo foi alcançado.  Voltamos para casa esgotados, a fome era gigantesca.

2º Dia (Terça-feira – 05/02/2013): Levantei com um pouco de dificuldade, o corpo parecia meio enferrujado. Não sentia grandes dores, mas sim um cansaço nos braços e pernas aos fazer movimentos mais bruscos. No lugar do corpo dolorido, estava a cabeça, minha velha e prezada amiga “enxaqueca” estava ali comigo. Na hora do almoço comecei a sentir mais o corpo, e o ato de subir e descer as escadas já me matavam. Cheguei cedo e consegui prontamente ir para a academia. Sabia que o segundo dia seria mais desgastante, e foi. Acabei por ficar mais dedicado a parte aeróbica, com esteira e bicicleta, mais alguns aparelhos e abdominais. Cansou bem mais que o primeiro dia, mas curiosamente, na hora o corpo doeu menos e  respondeu melhor aos exercícios. A volta para casa foi cansativa e ao parar os exercícios parece que tudo ficou dolorido de uma só vez.

3º Dia (Quarta-feira – 06/02/2013): Acordei as 4 horas da manhã, tentei levantar e não conseguia. Minhas exercicios1pernas pareciam não responder. Levei cerca de 5 minutos para conseguir levantar e ao colocar os pés do chão e sair da cama, sentia um dor lacinante. Não foi fácil. Durante o dia situações corriqueiras como subir e descer escada, tornaram-se um verdadeiro desafio. A volta para casa não foi fácil, com direito a chuva, acidente na estrada e comboio. Resultado: cheguei uma hora mais tarde em casa. Foi difícil não render-me ao cansaço e à fome, mas consegui forças não sei onde, e fui para a academia. As dores durante os exercícios continuaram, mas até que consegui sair bem, a parte mais difícil foi quando terminei os exercícios e fui para casa.

4º Dia (Quinta-feira – 07/02/2013): Mais um dia de muita dor, desce cedo, levantar voltou a ser um desafio, mas conforme o dia foi seguindo, as dores foram melhorando um pouco, mas ainda assim, passei o dia inteiro mancando, pois as panturrilhas estavam me matando. Mesmo com dores, e a contragosto, fui para academia mais uma vez. Fiquei mais tempo dedicado aos exercícios aeróbicos e depois fui fazer o “exame” médico.

E assim foi a primeira semana de exercícios. Repito que não foi fácil, mas devo continuar!

Desejem-me sorte!

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