Horizonte de Eventos

Reflexões sobre a vida, o universo e tudo mais

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A política dentro de nós

Já que comecei a abordar assuntos polêmicos no artigo A incompetência do Gigante, volto aqui mais uma vez para expressar minha humilde opinião sobre o momento político que estamos passando.

A Era de Péricles - Philipp Von Foltz de 1853A ideia política iniciou-se na Grécia Antiga, onde as praças eram ao mesmo tempo palanques e plenária, então conhecidas como Assembleias dos Cidadãos, sendo ainda considerada berço da democracia, inclusive com o uso do voto como ferramenta. O tempo passou e muito desta política foi esquecida. A cada ano que passa o que temos é cada vez mais um show… de horrores eu acrescentaria. Feito por privilegiados e destinados à massa.

Uma das características que mais definem os brasileiros é o jeitinho que dão para tudo, mesmo que muitas vezes seja para burlar as regras e processos definidos, e é exatamente este diferencial que nos torna tão corruptos, e nos trouxe no caos que estamos. Ou não estamos?

A definição de bom ou ruim não recai sobre uma verdade absoluta, mas sim sob um critério, mesmo que inconsciente, comparativo. Comparação esta que está sujeita a inúmeras variáveis, e principalmente pontos de vista. O que de fato é bom? Seria este bom igual e suficientemente para todos?

Muito me impressiona pessoas reclamarem da corrupção e da política, mas que é tão corrupto quanto, quando colocado em determinadas situações favoráveis à esta, mesmo que nas pequenas coisas, o brasileiro se corrompe muito fácil. Haja vista a velha conhecida Lei de Gerson, onde a vantagem daquele que está em situação favorável sobrepõe-se sob os demais, e exemplos não faltam, espertos que:

  • andam com seus veículos em velocidades proibidas pois sabem que não há fiscalização;
  • andam nos acostamentos ultrapassando aqueles que estão esperando no congestionamento;
  • falsificam identidades para entrar em lugares ou pagar menos;
  • ficam conscientemente com o troco errado que lhe foi dado por descuido do atendente;
  • tiram vantagem das ignorância ou deficiência de outros semelhantes;

Exemplos não faltam, portanto que moral têm estas pessoas em criticar os governantes corruptos? Eles são meros reflexos de nós mesmos. Agora, será que de fato estamos sob um governo tão caótico, como está sendo pintado na mídia e nas redes sociais? Será que as referências as quais estamos comparando estão corretas?

Olho_BrasilO brasileiro é um povo de memória curta. Passamos por momentos recentes e vergonhosos em nossa história e continuamos somente a reclamar, mas agir, aí é outra história. O processo de crescimento de uma pessoa é longo, desde seu nascimento até sua inserção na sociedade como parte de uma engrenagem viva, o que dirá da maturidade deste povo, que prefere fechar os olhos não ver o que acontece no mundo real?

Lembro-me de meus pais há anos atrás se desdobrando para sustentar meu irmão e eu, e ainda fazendo parecer que tudo estava bem. Sofremos com a ditadura, com a inflação, com os congelamentos de salários, com os saques de nosso suado dinheiro de nossas humildes economias e os inúmeros planos econômicos que tivemos, com as fronteiras fechadas para o mundo, com a ignorância de poucos poderosos, entre outras coisas. Tudo isso em razão de uma corrupção não declarada. Mas ainda assim julgamos o governo que evidencia os problemas e esta corrupção como ruim, quando na verdade ele é benefício para o processo de maturidade do povo. O quão hipócritas ainda podemos ser?

E hoje… Ahh como estamos vivendo a beira do caos… sentados em nossas casas próprias, mesmo que financiadas, com nossa mobília nova, bonita e confortável, com televisões de LED assistindo a novela das 8 na mais alta definição, com os mais novos modelos de computadores, tablets e smartphones na palma da mão, conectados ao mundo através da rede mundial de computadores, a Internet. Sem contar o carro na garagem e as viagens pelo país e pelo mundo que temos disponíveis a poucos passos. As muitas filas, sacolas recheadas de compras e futilidades as quais estamos rodeados. Ostentação. A vida está mesmo muito difícil neste país.

Se olharmos para trás veremos que já estivemos muito pior, e que não existe caminhos sem obstáculos e muitas vezes decepções. Tomamos decisões todos os dias, algumas certas e outras nem tanto, afinal somos humanos. Só precisamos reforçar esta humanidade em prol do bem comum.

educação-brasil-281x300De nada adianta o gigante acordar para somente reclamar ou trocar os governantes por outros tão ruins quanto. Quantos de nós sabem de fato administrar algo mais que suas próprias vidas? Quantos sabem o que fazer política e estar no comando realmente significa? A revolução está na base, nos valores que a cada dia que passa se perdem com o vento. Está em assumir as responsabilidades pelas decisões e cobrar de si o que cobramos dos outros.

Aplicando à política governamental atual, não se deixem influenciar pela publicidade, pois esta é apenas uma ferramenta de venda, só serve para isso. Investigue, pesquise, cubra-se de argumentos sólidos para depois tomar sua decisão. Depois de tomada, assuma responsabilidade sob ela, cobre para que as coisas aconteçam, e o mais importante, se errou na decisão, reflita sobre o erro e continue no processo de tomada de decisão consciente. Só assim estaremos de fato comprometidos com um futuro melhor, sustentável e justo para todos.

Vislumbre de um sonho

Ele estava dormindo, trilhando o caminho que os anjos lhe indicavam
Sentia-se levado, não tinha controle
A sensação era muito boa, não faria sentido desvencilhar-se
Não havia razão para não ceder à paz que lhe envolvia naquele, que parecia ser um sonho
Por maior que fosse clichê, não podia deixar de notar a névoa a sua volta e a sensação de estar flutuando

Em meio a este sentimento de liberdade e paz, percebeu uma leve brisa passar por seu corpo inerte
Como um sopro repentino

Abriu os olhos com certa dificuldade, mas apreensivo
Perguntou-se o que o teria capturado daquela sensação de paz
Tudo que pôde ver foi um vulto ao longe afastando-se dele
Mal pôde ver sua forma, impossível identificar

Incomodado com a situação, juntou forças para levantar-se
Sentia-se inconformado de ter de deixar aquele transe, mas não conseguia ignorar, sem saber a razão

Ao procurar segui-lo, tentou em vão balbuciar algumas palavras
Queria ser ouvido, estava curioso para saber o que estava acontecendo
Sentia-se como se fisgado por aquela criatura que mal podia identificar
Seria um Anjo? Um Mensageiro? Ou apenas uma ilusão?
Não podia mais conter sua curiosidade

Ao avançar viu-se em um corredor de névoa
Ao fundo pôde enxergar claramente a forma

angelical

Parecia que uma luz vinha de encontro àquele ser, para destaca-lo
Mas não conseguia identificar de onde esta vinha, apenas estava lá, propositalmente para que ele pudesse vê-la
Suas curvas se destacavam, do pescoço aos pés
Sua pele, branca como o leite deixava transparecer sua pureza
Sua nudez era hipnotizante

Ela continuou a caminhar, como se não soubesse que estava sendo observada
Ele seguiu-a, hipnotizado, com aquela beleza ímpar a seus olhos

Ele ainda não fazia ideia de onde estava ou para onde estava indo
Mas em meio a névoa, notou o que parecia ser uma porta a sua esquerda
Não uma porta tradicional, estava mas para um caminho
Uma alternativa àquele corredor que mal conseguia enxergar um fim
Ela entrou, sem dar-lhe qualquer pista de que percebera sua presença

Ao chegar a porta, pode vê-la parada, ainda de costas
O sentimento que vinha a tona não era de desejo, mas de satisfação por estar ali para contemplar aquela beleza

Naquele instante, lentamente ela abaixou-se
Ele, paralisado a porta, pôde sentir cada instante daquele movimento
Como em câmera lenta, como se aquela cena fosse eterna
Pôde contemplar aquele par curvilíneo, perfeito
Como se esculpidos pelo mais perfeccionista dos artistas

Percebeu que ela havia pego algo com suas pequenas e belas mãos
E, ainda abaixada, olhou-o nos olhos abrindo aos poucos, um sorriso inocente e inesquecível

Ainda paralisado, sentiu-se exaurido de sua energia
Pensou que iria, sem forças, deixar-se cair, mas não aconteceu
Sentiu a nevou aumentar, e aquela bela cena começou a sumir
Tentou em vão fixar melhor seu olhar, espantar o que o impedia de contempla-la, mas nada pôde fazer
Conforme aquela imagem se esvaía de sua frente, somente pôde vê-la tentando balbuciar algo

E o pouco que pode entender de seus belos lábios vermelhos foi um sussurro em seu ouvido
“Estou aqui por você” — naquele instante, era somente o que ele precisava ouvir.

Normose que nos impede de sermos nós mesmos

Desde pequeno somos condicionados a seguir os ditos padrões da sociedade, como se somente com esta receita de bolo pudéssemos ser aceitos, mas por que seguir os padrões de sociedade? Por que ser aceito é tão importante?

Normose é um conceito novo, trazido por alguns autores da Psicologia Transpessoal, que tem ganhado espaço nos meios terapêuticos. É um conceito que lida com a ideia do que é considerado “ser normal” numa determinada sociedade ou grupo e do quanto este comportamento causa sofrimento ou não.  (Fonte)

normoseSer “normal” atualmente pode ser algo perigoso, pois a cada dia que passa a sociedade afunda-se mais em sua mediocridade, trazendo a tona o fundo do poço e o pior, valorizando-o em cadeia nacional. Nesta hora lembro-me de meus velhos professores de comunicação dizendo: “a massa é burra” e, mesmo entendendo o conceito na época, somente com o tempo e a experiência de vida é que podemos de fato compreender o significado desta frase, ou melhor, somente quando sentimos na pele, ao nos depararmos com as inúmeras situações que nos são colocadas pela dita sociedade normática, é que chegamos ao ponto de tomar a decisão entre agir dentro ou forma do padrão de normalidade aceita, ou seja, ser ou não “normal” perante a sociedade. O problema é que nem todos conseguem chegar neste ponto de decisão, muitas vezes por estarem embriagados com a normalidade que os cerca, tornando-se reféns da mesma.

Ser negro enquanto a sociedade é branca
Ser ateu enquanto a sociedade é crente
Ser gordo enquanto a sociedade é magra
Ser imperfeito enquanto a sociedade é “perfeita”

Pensar enquanto a sociedade conforta-se
Criar enquanto a sociedade copia
Contestar enquanto a sociedade impõe-se
Falar enquanto a sociedade cala-se

eisnteinVocê quer ser normal? Eu definitivamente não! De que vale ser “normal” em um mundo virado de ponta cabeça, em que os valores foram esquecidos, onde o errado tornou-se o certo e aqueles que praticam o bem são ridicularizados pelas próprias leis e normas impostas. Eu não… prefiro ser maluco beleza e mesmo com muita dificuldade, ainda acreditar no que é certo, seguir pelo caminho do bem e promover a paz, mesmo que só possa fazê-lo em meu pequeno quadrado e não seja “tão” bem visto  pela sociedade.

Não vou compactuar com a queda da sociedade, ser diferente é bom. Seja diferente, dê um tapa nessa sociedade também e faça a diferença também caro leitor. Só assim podemos mudar o mundo tornando-o um lugar melhor para todos.

2 anos de Horizonte de Eventos

birthday_2Nesta semana este site completa dois anos de existência e estou muito contente em estar escrevendo, exercitando minha pseudo veia escritora, e propondo reflexões sobre a vida, o universo e tudo mais.

Não foi fácil e continua não sendo. Manter a periodicidade de publicações é, sem sombra de dúvidas, o maior desafio. Atualmente minha rotina é bem distinta de um escritor e blogueiro, o que faz com que a oportunidade de estar aqui com novos textos ainda mais desafiadora.

Até aqui foram 37 textos com relatos de minhas desventuras, dicas, reflexões sobre situações enfrentadas no dia a dia, homenagens ao mundo do entretenimento, ao qual sou muito fã, textos nonsenses, nerdices em geral, entre outros que, de alguma forma, fizeram-me refletir. E por que não trazer esta mesma reflexão a tona? Como a essência da filosofia, a intensão é para que todos juntos pudéssemos seguir com o exercício do pensar e, com isso melhorarmos nossas atitudes e o mundo que nos cerca, através de nós mesmos.

Como dito em meu primeiro texto, esta continua sendo uma experimentação caro leitor e companheiro, e não tenho pretensão de fazer algo diferente disso. Novidades virão e espero que gostem.

Rumo aos 3 anos!

Sob os trilhos da saudade

“Ói, ói o trem, vem surgindo de trás das montanhas azuis, olha o trem
Ói, ói o trem, vem trazendo de longe as cinzas do velho éon

Ói, já é vem, fumegando, apitando, chamando os que sabem do trem
Ói, é o trem, não precisa passagem nem mesmo bagagem no trem”

trem3Trem Por definição uma série de vagões puxados por uma locomotiva, sob grandes trilhos de ferro. Uma composição ferroviária, muitas vezes de tamanho colossal, que supõe-se ter sido idealizada em 1681 pelo jesuíta belga Ferdinand Verbiest em Pequim. Em 1769, Joseph Cugnot, militar francês, construiu em Paris uma máquina a vapor para o transporte de munições e após várias tentativas fracassadas, Richard Trevithick, engenheiro inglês, conseguiu em 1804, construir uma locomotiva a vapor que conseguiu puxar cinco vagões com dez toneladas de carga e setenta passageiros à velocidade vertiginosa de 8 km. A partir daí também conhecida popularmente como Maria Fumaça.

“Quem vai chorar, quem vai sorrir ?
Quem vai ficar, quem vai partir ?

Pois o trem está chegando, tá chegando na estação
É o trem das sete horas, é o último do sertão, do sertão”

Ahh saudades das viagens de trem… Muito me entristeceu esta semana ver que mais um símbolo da antiga linha férrea está sendo derrubado. O pontilhão que permitia os trens cruzarem a Av. Antônio Emmerich em São Vicente, sentido Estação Ferroviária está sendo derrubado para dar lugar a uma nova estrutura que comportará o VLT (Veículo Leve sob Trilhos). Felizmente é para uma boa causa, o progresso, a modernização, mas ainda assim, este fato não deixa de trazer boas lembranças.

“Ói, olhe o céu, já não é o mesmo céu que você conheceu, não é mais
Vê, ói que céu, é um céu carregado e rajado, suspenso no ar”

Recordo-me como se fosse ontem de minhas férias com meu irmão na casa de meus avós em Pedro de Toledo. Meu avô vinha nos buscar e as 13 horas partíamos com o velho trem de aparência metálica e com seus bancos gastos da extinta estação de Santos rumo a cidade de Registro. A viagem devia levar cerca de 4 horas, uma eternidade para os padrões atuais, mas nem sentíamos esse tempo passar pois além da paisagem maravilhosa, nos deparávamos com várias situações que, para uma criança era uma verdadeira aventura. Conhecíamos pessoas, lanchávamos, acompanhávamos o fiscal conferindo os bilhetes e curtíamos a viagem. Ao chegarmos em nosso destino, lá estava minha avó nos esperando com seu sorriso no rosto e os braços abertos. Beijos e abraços, pegávamos nossas malas e caminhávamos ladeiras abaixo (e acima), acompanhados até chegar em casa pelo pôr do sol sob a natureza que predominava na cidade.

“Vê, é o sinal, é o sinal das trombetas, dos anjos e dos guardiões
Ói, lá vem Deus, deslizando no céu entre brumas de mil megatons

Ói, olhe o mal, vem de braços e abraços com o bem num romance astral”

trem1O tempo passou e linha férrea não existe mais, como também a estação ferroviária de Santos, a de São Vicente e todas as demais que, passávamos acompanhados do alto apito do maquinista, e que nos aguçava a expectativa de estarmos cada vez mais próximos de nosso destino.
O progresso está chegando e as memórias ficando cada vez mais distantes. Sinto por esta realidade não existir mais, o sentimento se foi e nossos descendentes dificilmente poderão entender e até mesmo sentir o que vivemos. Além da nostalgia, ficam as gastas fotos, os grupos de discussão dos amantes dos trens e a bela música composta e maravilhosamente interpretada pelo Rauzito, pêga emprestada para intercalar os modestos e nostálgicos parágrafos deste texto.

Os trilhos, as estações e o pontilhão se vão, mas as lembranças permanecem na esperança de um dia serem revividas.

Lições sobre a vida, o universo e tudo mais

bau_tesouroNossa memória nada mais é do que um velho baú empoeirado. Uns mais outros menos, porém todos nós temos neles diversos itens de grande importância, como lembranças e experiências as quais passamos durante nossa vida e, vez ou outra alguma dessas vem a tona. Foi o que aconteceu na semana passada, quando ouvindo meus amigos do Grande Coisa num bate papo sobre antigos programas de TV, revivi grandes cenas as quais aprendi muito em minha vida. Estou falando do clássico programa “O Mundo de Beakman“.

beakmanO programa era sensacional, apresentado por um meio professor, meio cientista louco, sua assistente e um rato gigante. A descontração era total e o mais importante foi o quanto nós — crianças — aprendemos com esse trio. De perguntas simples às mais complexas, passando por causos da história mundial, da física, da biologia e até de astronomia, além de situações pra lá de bizarras, tudo era respondido e de uma maneira tão simples, que qualquer um podia entender. Ahh se todos os professores fossem como o Beakman!

Aproveitei a deixa e procurei na Internet os capítulos há muito armazenados no grande e velho baú e, para minha surpresa, consegui achar toda a série, e com dublagem original. Não pude resistir e estou a cada dia matando a saudade, capítulo por capítulo.

O mais interessante é que ao assisti-los, mais lembranças vieram a tona. Aos poucos fui lembrando dos grandes mestres que contribuíram para eu eu estar aqui e ser que em sou hoje.

A  lembrança mais remota (e empoeirada) começa no colégio Lobo Vianna, com a professora Salete, do jardim/pré-escola. As memórias do dia a dia são escassas, mas a imagem dela e de seu apoio a este jovem estão lá no fundo. Sei que no início não gostava dela, mas com o tempo ela ganhou a minha simpatia e um lugar no grande baú. Pouco tempo depois foi a professora Beth, da primeira série, um amor de pessoa, com seu grande óculos e seus cabelos louros. Foi difícil saber que tinha passado de ano e teria outra professora.

O tempo passou e do ginásio recordo-me da Eliana, minha professora de língua portuguesa e inglesa, que entendia minha insatisfação e incentivou-me a escrever minha primeira obra, um livro para ensinar inglês a minha maneira. Tenho até hoje o manuscrito. Isa, minha professora de Educação Artística, que tanto me apoiou para que eu desenvolvesse minha aptidão com o lápis, e assim aprimorar meus desenhos. Não foram muitos que sobreviveram ao tempo, mas ainda tenho alguns deles guardados.

Outro destaque da mesma época, e também muito merecido, vai para o professor Alfonso, de história. Este foi um dos grandes responsáveis por minha veia contestadora que levaria-me futuramente ao jornalismo.

Saindo do foco escola, posso lembrar-me também do Sensei Marcelo Yonamine e Sensei Mauri, que me ensinaram a canalizar minhas energias, formando meu corpo na filosofia das artes marciais através do karatê.

No colegial tive o prazer de ter aula com Antônio Menezes de Oliveira. Esse sim era um mestre de verdade, como poucos o são hoje em dia. Era rígido dentro da sala de aula. Seu nível de exigência para com seus alunos era o mais alto possível. Tratava-nos como adultos conscientes das consequências de nossos atos. Era um exemplo em si. Seus ensinamentos iam muito além da língua e literatura portuguesa, eram ensinamentos para vida, para reforçar nosso caráter. Este foi meu grande incentivador a continuar meus estudos, alçando vôo na Universidade.  Um dos maiores prazeres que tive foi, após passar no vestibular (coisa que na minha época era difícil e um feito de poucos), voltar à escola e agradece-lo, bem como ao professor Alfonso pelo apoio. Lembro claramente do sentimento de orgulho em ambos. Uma energia extremamente positiva que dava-me ainda mais forças para seguir em frente, e a qual nunca poderei esquecer.

Não posso deixar de agradecer também as professoras Vera (Matemática/Física) e Lídia (inglês), também conhecida entre os alunos como “bolinho”, por terem tido “paciência” de aguentar minhas contestações e sede por conhecimentos. Naquele momento eu queria alçar vôos ainda maiores, porém elas não estavam preparadas para isso e não puderam entender. Paciência… ainda assim as agradeço.

No meio do caminho conheci a professora Leila, no curso de inglês que fazia. O mais interessante é que o melhor do curso não eram as aulas de inglês, mas nossas conversas após a aula, sobre política, literatura e ciência. Ela foi a responsável por me ajudar a transitar da literatura infanto-juvenil à literatura adulta, apresentando novos segmentos de leitura. Cristiane F., A Revolução dos Bichos, 1984, Admirável Mundo Novo foram alguns dos livros que esta professora me apresentou, e que até hoje estão entre meus Top 10.

como-solicitar-becas-estudios-L-5rY0W1Ahhh a Universidade! Na falta de um curso universitário, fiz dois, mas poucos professores destacaram-se tanto quanto Gerson Moreira Linha, responsável por apresentar a magia do jornalismo, Dirceu Lopes, responsável por quebrar a magia do jornalismo e apresentar-nos a realidade, Tadeu Nascimento por nos mostrar uma nova forma de ver o mundo e representá-lo através da arte da fotografia, Claudio Lemos, meu querido xará, que incentivou-me na arte do design e diagramação, fundamentais para minha carreira. Paulo Cândido meu caro orientador e amigo, que me apoiou mesmo quando todos estavam contra. Ao final e não menos importante está Walter Lima, meu maior incentivador a avançar pelo desconhecido, aguçando minha percepção para as novas tecnologias e suas possibilidades. Se hoje a tecnologia paga o pão nosso de cada dia, esse cara é o responsável. Obrigado.

Depois da Universidade, fiz diversos cursos e agradeço pelo conhecimento adquirido, porém nenhum destacou-se como meu curso intensivo de língua espanhola. Paulo Della Rosa Junior, este querido professor destacou-se por ser diferente, por propor um forma diferente de aprender, na prática, além de apoiar-me em um momento de pressão que eu estava passando. Precisava aprender rapidamente e ele não apenas entendeu minha necessidade, como teve o cuidado de me apresentar os bastidores da língua e seus praticantes, dicas as quais nunca esqueci, e que por diversas vezes foram o meu diferencial, tudo isso em 3,5 meses. Fico imensamente grato, pois graças a ele consegui até ministrar um curso inteiramente em espanhol no Chile.

Não tão importantes quanto os de carne e osso, mas grandes mestres da TV, literatura e sétima arte também têm um espaço reservado no baú: Mestre Yoda, Sr. Miyagi, Professor Girafales, Prof. Dumbledore, Prof.  Henry ‘Indiana’ Jones Jr, Prof. Xavier, Professora Helena, Professor Pardal, Professor Tibúrcio, entre muito outros.

Assim, termino aqui agradecendo mais uma vez a todos os mestres citados e aos não citados, pois foram responsáveis por quem sou hoje. E você, quem são seus mestres?

O último desafio: reconhecermos a nós mesmos

ultimoNo último final de semana assisti ao filme O Último Desafio, com o exterminador,  Arnold Schwarzenegger e, apesar das muitas críticas, achei um filme muito bom.

Quando comecei este blog um dos primeiros artigos que escrevi foi sobre o tempo (Tempo… tempo mano velho…), e esse tem sido um tema recorrente em minhas reflexões. Não para menos, afinal sou fascinado por ele, seja pela admiração ao passado ou vislumbre ao futuro vindouro.

redAssim, este filme, junto a alguns outros, como o excelente RED, fizeram-me refletir não apenas ao passado, o que fiz, ou deixei de fazer em minha vida, mas em como este passado me fez chegar neste presente, e que este é de fato o momento mais importante.

Ver um brutamontes caindo, sentindo dor e reclamando que está velho nos mostra que não importa o que fizemos e o quanto sacrificamos, pois em algum momento teremos que pagar esse investimento e aprender a lidar com uma nova fase em nossas vidas. Uma fase mais calma, sem extravagâncias, sem correrias, uma fase de paz consigo e com a natureza do mundo a nossa volta.

Não é para menos que aquela “saúde de ferro” nos abandone em algum momento, afinal, o quanto nós a deixamos de lado nos últimos anos? O quanto deixamos passar em prol de algo que nem sabíamos se valeria a pena?

A mim cabe agora restabelecer o equilíbrio, tendo em mente que o mundo mudou, eu mudei, tenho limitações e respeitando isso acima de tudo.

A Fringe Event

Olhou para o lado e mirou no semáforo, estava verde para os carros
Decidiu não arriscar-se e aguardar o momento certo de atravessar
Era uma grande avenida, como grande movimento de veículos
Lembrou-se de instantes ao levantar-se, de seu pensamento,
Ligado a um estranho sonho, o qual mal podia lembrar-se com detalhes

Olhou para o outro lado da avenida, também haviam pessoas querendo atravessar
Uns de mochilas, parecendo estudantes a caminhos da escola
Outros com pastas, bem vestidos
Deviam estar indo trabalhar, como ele estava
Mas, para os demais era somente mais um dia
Um dia regular, talvez nada acontecesse, nada mudasse suas vidas
Mas para ele não, só que ele também não sabia disso

realidade1

De repente ouviu um barulho dentro de sua mente
Não podia distinguir ao certo o que era, olhou para o lado
Parecia ser o semáforo, que havia fechado para os veículos, permitindo sua passagem
Ignorou aquela estranha sensação e deu seu primeiro passo em direção ao seu destino, o outro lado daquela avenida

Ao dar o segundo passo, sentiu que algo estava estranho
Viu a imagem da avenida e do mundo a sua volta ficar turva, tremendo
Podia ver como se fossem camadas a sua volta, como se fossem ondas do mar
Um rodamoínho em pleno ar, em plena avenida
Teve a sensação de estar viajando, mas não havia saído do lugar

vortex

Sua, mente sabia que estava atravessando a rua, como os demais que ali estavam
Não havia nada de estranho, mas sentia que algo estava diferente
Sentiu como se tivesse sido golpeado fortemente
Era uma dor em sua cabeça, tão repentina, que não podia explicar
Olhou novamente para o outro lado, em meio a imagem turva e mesmo com dificuldade decidiu continuar andando
Tentou dar outra passada, e quando colocou seu sapato em contato com o asfalto já quente da manhã, tudo sumiu

A sensação estranha, imagens estranhas e dores se foram
Deram lugar a uma sensação de surpresa
Olhou a realidade a sua volta e algo estava errado, podia sentir
A avenida era a mesma, mas estava diferente
Era como se estivesse em seu mundo, no mesmo lugar, mas em algum tipo de realidade alternativa

Claro que ele não sabia disso
Demorou um bom tempo para seu cérebro começasse a juntar as peças do quebra cabeça
Tudo aquilo era, ao mesmo tempo, muito igual e diferente de sua realidade

Quando chegou do outro lado da avenida sua mente havia viajado, sem que ele soubesse, para outra realidade, uma realidade na qual ainda estava vivo.

Ele era importante, só que ainda não sabia disso.
Alguma energia cósmica o havia transportado para esta realidade segundos antes de um grave acidente
Um caminhão de combustível desgovernado havia batido e explodido cerca de quatro quarteirões a sua volta
Mas ele não poderia saber disso, afinal não estavas mais lá, não havia vivenciado o acidente em si

Fringe

Tentou ignorar o que estava sentindo e a estranheza daquele lugar
Achou que estava sonhando e decidiu seguir em frente

Mal sabia o que estava para vir…

Homenagem a cultuada e excelente série de TV Fringe, que deixará saudades.

Novas vozes, novos amigos

Certo dia estava no ônibus voltando para casa. A viagem era longa. Na época trabalhava no Centro de São Paulo e, como era comum na época, estava eu tentando ler meu livro. Era um livro técnico, sobre metodologias de TI e algo começou a incomodar-me.
Um colega de fretado, Marcos, estava com fone de ouvido, e não parava de rir, cada vez mais alto.
No começo, pensei que era algo isolado, mas com o tempo aquilo começou a incomodar-me. Podia ter chamado o coordenador, reclamado com Marcos, xingado… mas fiquei na minha, em prol da educação e convívio em comunidade.
podcastDias se passaram e, em uma conversa com Marcos, o mesmo me falou que estava ouvindo um podcast muito legal, e que eu provavelmente também iria curtir.
Perguntei-lhe que raios era “Podcast”? Teria alguma coisa a ver com iPod? E foi assim que fui apresentado para meu primeiro Podcast, o Nerdcast.
Para quem não sabe, podcast são programas gravados, como se fosse um programa de rádio, mas que encontram-se disponíveis em MP3, permitindo que se baixe gratuitamente e ouça a qualquer momento.
Aceitei a indicação e baixei meu primeiro Nerdcast, episódio 28a, com a temática da série Lost. Coloquei o arquivo no meu celular e fui ouvir no metrô. Como Marcos, não conseguia ouvir sem cair na gargalhada.

nerdinho

O episódio foi muito bom e engraçado, o que levou-me a baixar os episódios anteriores, e os novos a cada semana, toda sexta-feira, sempre com um tema novo, mas excelentemente abordado. A cada semana que passava fui envolvendo-me cada vez mais com os personagens Jovem Nerd, Azaghal, entre outros. Para minha surpresa, conhecia pessoalmente um dos personagens, o Tucano, pois havíamos trabalhado juntos.
Depois do NerdCast, comecei a baixar o podcast do site LostBrasil, focado em reviwes dos episódios da série, depois o RapaduraCast, especializado em Cinema. Por um tempo consegui contentar-me com esses, mas pouco tempo depois fui apresentado pela turma do NerdCast ao MonaCast e MRG (Matando Robos Gigantes), e também aos de tecnologia PapoTech e Podsemfio, com participação da simpática Bia Kunze.

Hoje divirto-me muito com essas turmas e, em alguns casos sinto-me também parte delas, como se os conhecesse há anos, pois são meus companheiros de viagem diariamente. A cada novo programa meu celular já baixa automaticamente, e lá está… diversão e informação garantida!

Agradeço a Marcos por ter me apresentado esses programas e as equipes que se reúnem para entreter os ouvintes, sejam nas discussões ou na parte técnica.

Para os interessados em entrar nesta onda, listo abaixo outros programas que tenho acompanhado também:

  • CocaTech
  • Fronteiras da Ciência
  • Guanabara.info
  • Iradex
  • Papo de Gordo
  • Radiofobia
  • Semana Tech Info
  • SpinOff TV Séries

Insônia insólita

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Ele abriu os olhos

Durante as muitas madrugadas de sua vida, isso até era comum, mas desta vez algo estava diferente
Pensou ter ouvido um barulho, seria um ladrão? Alguém tentando arrombar a porta de seu apartamento?
Olhou para o lado e viu sua mulher ali dormindo, como se nada fosse capaz de desperta-la daquele sono profundo
Mas o que o teria acordado dessa vez?

Olhou para o relógio e ainda eram 3h33 da madrugada
Levantou-se de sua cama com cuidado e caminhou em direção a sala
Olhou para os lados e nada
Caminhou até a porta para verifica-la, e ao chegar até ela, a mesma estava fechada correctamente
Lembrou-se que ele havia conferido antes de deitar-se naquela noite
Ficou um tempo ali, parado, contemplando o silêncio da noite
Nada aconteceu, o silêncio era absoluto
Até seu cachorro hiperativo estava dormindo profundamente

Achou tudo aquilo um pouco estranho
Aquela sensação ainda estava com ele
Após uma longa pausa em seu transe, decidiu voltar para cama e continuar a dormir
Virou-se e deu dois passos em direção ao quarto quando sentiu uma estranha energia em volta de seu corpo

images (1)

Era como se estivesse laçado, preso em uma rede, como um peixe
A diferença era que a sensação parecia-lhe boa
Tão boa que quando deu por si estava em outro lugar
Um lugar estranho, como se fosse um grande buraco
Sentiu-se como se estivesse caindo
Mas a sensação que sentia naquele momento não era de queda, mas sim de impulso
Como a decolagem de um avião, mas sem o avião
Podia ouvir o assovio do ar passando próximo a seus ouvidos, além de uma leve sensação de enjôo, como em um navio
O que estaria acontecendo, pensou
Sem mais nem menos tudo parou
Viu sua sala e quando percebeu viu sua casa e sua mulher dormido
Pode perceber como se estivesse flutuando
S
entiu uma clareza de pensamento que nunca havia sentido antes
Estaria morto? Não… Será?
Voltou a sentir a mesma energia de quando em sua sala
E desta vez sentiu uma calmaria eletrocutar todo seu corpo
Ou seria sua mente?
Um conforto que só havia sentido quando protegido pelo ventre de sua mãe
Mas como poderia saber disso?
Ele sabia
Ficou confortavelmente… com medo do que estava acontecendo, do que estava sentindo
images
Através daquela estranha energia, inexplicavelmente acalmou-se
E naquele instante deparou-se com uma paz inexplicável
Compreendeu seu papel na grande máquina da vida
Sentiu-se grato por aquela visão, aquele sentimento tão nobre
Sabia que estava ali por algum motivo
E imediatamente este motivo veio a sua mente
Como um flashback ou talvez um Déjà vu
Foi como descer a grande montanha russa do universo
Uma sensação de medo, adrenalina e alívio
Novamente abriu os olhos e deparou-se consigo parado no meio da sala
Seu peito queria explodir
Queria gritar
Sentia a energia do universo em suas veias
Então, ele abriu os olhos e deparou-se com o teto de seu quarto
Olhou para o relógio, que marcava 3h34 da madrugada
Teria sido um sonho?

 

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