Horizonte de Eventos

Reflexões sobre a vida, o universo e tudo mais

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Vislumbre de um sonho

Ele estava dormindo, trilhando o caminho que os anjos lhe indicavam
Sentia-se levado, não tinha controle
A sensação era muito boa, não faria sentido desvencilhar-se
Não havia razão para não ceder à paz que lhe envolvia naquele, que parecia ser um sonho
Por maior que fosse clichê, não podia deixar de notar a névoa a sua volta e a sensação de estar flutuando

Em meio a este sentimento de liberdade e paz, percebeu uma leve brisa passar por seu corpo inerte
Como um sopro repentino

Abriu os olhos com certa dificuldade, mas apreensivo
Perguntou-se o que o teria capturado daquela sensação de paz
Tudo que pôde ver foi um vulto ao longe afastando-se dele
Mal pôde ver sua forma, impossível identificar

Incomodado com a situação, juntou forças para levantar-se
Sentia-se inconformado de ter de deixar aquele transe, mas não conseguia ignorar, sem saber a razão

Ao procurar segui-lo, tentou em vão balbuciar algumas palavras
Queria ser ouvido, estava curioso para saber o que estava acontecendo
Sentia-se como se fisgado por aquela criatura que mal podia identificar
Seria um Anjo? Um Mensageiro? Ou apenas uma ilusão?
Não podia mais conter sua curiosidade

Ao avançar viu-se em um corredor de névoa
Ao fundo pôde enxergar claramente a forma

angelical

Parecia que uma luz vinha de encontro àquele ser, para destaca-lo
Mas não conseguia identificar de onde esta vinha, apenas estava lá, propositalmente para que ele pudesse vê-la
Suas curvas se destacavam, do pescoço aos pés
Sua pele, branca como o leite deixava transparecer sua pureza
Sua nudez era hipnotizante

Ela continuou a caminhar, como se não soubesse que estava sendo observada
Ele seguiu-a, hipnotizado, com aquela beleza ímpar a seus olhos

Ele ainda não fazia ideia de onde estava ou para onde estava indo
Mas em meio a névoa, notou o que parecia ser uma porta a sua esquerda
Não uma porta tradicional, estava mas para um caminho
Uma alternativa àquele corredor que mal conseguia enxergar um fim
Ela entrou, sem dar-lhe qualquer pista de que percebera sua presença

Ao chegar a porta, pode vê-la parada, ainda de costas
O sentimento que vinha a tona não era de desejo, mas de satisfação por estar ali para contemplar aquela beleza

Naquele instante, lentamente ela abaixou-se
Ele, paralisado a porta, pôde sentir cada instante daquele movimento
Como em câmera lenta, como se aquela cena fosse eterna
Pôde contemplar aquele par curvilíneo, perfeito
Como se esculpidos pelo mais perfeccionista dos artistas

Percebeu que ela havia pego algo com suas pequenas e belas mãos
E, ainda abaixada, olhou-o nos olhos abrindo aos poucos, um sorriso inocente e inesquecível

Ainda paralisado, sentiu-se exaurido de sua energia
Pensou que iria, sem forças, deixar-se cair, mas não aconteceu
Sentiu a nevou aumentar, e aquela bela cena começou a sumir
Tentou em vão fixar melhor seu olhar, espantar o que o impedia de contempla-la, mas nada pôde fazer
Conforme aquela imagem se esvaía de sua frente, somente pôde vê-la tentando balbuciar algo

E o pouco que pode entender de seus belos lábios vermelhos foi um sussurro em seu ouvido
“Estou aqui por você” — naquele instante, era somente o que ele precisava ouvir.

Sob os trilhos da saudade

“Ói, ói o trem, vem surgindo de trás das montanhas azuis, olha o trem
Ói, ói o trem, vem trazendo de longe as cinzas do velho éon

Ói, já é vem, fumegando, apitando, chamando os que sabem do trem
Ói, é o trem, não precisa passagem nem mesmo bagagem no trem”

trem3Trem Por definição uma série de vagões puxados por uma locomotiva, sob grandes trilhos de ferro. Uma composição ferroviária, muitas vezes de tamanho colossal, que supõe-se ter sido idealizada em 1681 pelo jesuíta belga Ferdinand Verbiest em Pequim. Em 1769, Joseph Cugnot, militar francês, construiu em Paris uma máquina a vapor para o transporte de munições e após várias tentativas fracassadas, Richard Trevithick, engenheiro inglês, conseguiu em 1804, construir uma locomotiva a vapor que conseguiu puxar cinco vagões com dez toneladas de carga e setenta passageiros à velocidade vertiginosa de 8 km. A partir daí também conhecida popularmente como Maria Fumaça.

“Quem vai chorar, quem vai sorrir ?
Quem vai ficar, quem vai partir ?

Pois o trem está chegando, tá chegando na estação
É o trem das sete horas, é o último do sertão, do sertão”

Ahh saudades das viagens de trem… Muito me entristeceu esta semana ver que mais um símbolo da antiga linha férrea está sendo derrubado. O pontilhão que permitia os trens cruzarem a Av. Antônio Emmerich em São Vicente, sentido Estação Ferroviária está sendo derrubado para dar lugar a uma nova estrutura que comportará o VLT (Veículo Leve sob Trilhos). Felizmente é para uma boa causa, o progresso, a modernização, mas ainda assim, este fato não deixa de trazer boas lembranças.

“Ói, olhe o céu, já não é o mesmo céu que você conheceu, não é mais
Vê, ói que céu, é um céu carregado e rajado, suspenso no ar”

Recordo-me como se fosse ontem de minhas férias com meu irmão na casa de meus avós em Pedro de Toledo. Meu avô vinha nos buscar e as 13 horas partíamos com o velho trem de aparência metálica e com seus bancos gastos da extinta estação de Santos rumo a cidade de Registro. A viagem devia levar cerca de 4 horas, uma eternidade para os padrões atuais, mas nem sentíamos esse tempo passar pois além da paisagem maravilhosa, nos deparávamos com várias situações que, para uma criança era uma verdadeira aventura. Conhecíamos pessoas, lanchávamos, acompanhávamos o fiscal conferindo os bilhetes e curtíamos a viagem. Ao chegarmos em nosso destino, lá estava minha avó nos esperando com seu sorriso no rosto e os braços abertos. Beijos e abraços, pegávamos nossas malas e caminhávamos ladeiras abaixo (e acima), acompanhados até chegar em casa pelo pôr do sol sob a natureza que predominava na cidade.

“Vê, é o sinal, é o sinal das trombetas, dos anjos e dos guardiões
Ói, lá vem Deus, deslizando no céu entre brumas de mil megatons

Ói, olhe o mal, vem de braços e abraços com o bem num romance astral”

trem1O tempo passou e linha férrea não existe mais, como também a estação ferroviária de Santos, a de São Vicente e todas as demais que, passávamos acompanhados do alto apito do maquinista, e que nos aguçava a expectativa de estarmos cada vez mais próximos de nosso destino.
O progresso está chegando e as memórias ficando cada vez mais distantes. Sinto por esta realidade não existir mais, o sentimento se foi e nossos descendentes dificilmente poderão entender e até mesmo sentir o que vivemos. Além da nostalgia, ficam as gastas fotos, os grupos de discussão dos amantes dos trens e a bela música composta e maravilhosamente interpretada pelo Rauzito, pêga emprestada para intercalar os modestos e nostálgicos parágrafos deste texto.

Os trilhos, as estações e o pontilhão se vão, mas as lembranças permanecem na esperança de um dia serem revividas.

Lições sobre a vida, o universo e tudo mais

bau_tesouroNossa memória nada mais é do que um velho baú empoeirado. Uns mais outros menos, porém todos nós temos neles diversos itens de grande importância, como lembranças e experiências as quais passamos durante nossa vida e, vez ou outra alguma dessas vem a tona. Foi o que aconteceu na semana passada, quando ouvindo meus amigos do Grande Coisa num bate papo sobre antigos programas de TV, revivi grandes cenas as quais aprendi muito em minha vida. Estou falando do clássico programa “O Mundo de Beakman“.

beakmanO programa era sensacional, apresentado por um meio professor, meio cientista louco, sua assistente e um rato gigante. A descontração era total e o mais importante foi o quanto nós — crianças — aprendemos com esse trio. De perguntas simples às mais complexas, passando por causos da história mundial, da física, da biologia e até de astronomia, além de situações pra lá de bizarras, tudo era respondido e de uma maneira tão simples, que qualquer um podia entender. Ahh se todos os professores fossem como o Beakman!

Aproveitei a deixa e procurei na Internet os capítulos há muito armazenados no grande e velho baú e, para minha surpresa, consegui achar toda a série, e com dublagem original. Não pude resistir e estou a cada dia matando a saudade, capítulo por capítulo.

O mais interessante é que ao assisti-los, mais lembranças vieram a tona. Aos poucos fui lembrando dos grandes mestres que contribuíram para eu eu estar aqui e ser que em sou hoje.

A  lembrança mais remota (e empoeirada) começa no colégio Lobo Vianna, com a professora Salete, do jardim/pré-escola. As memórias do dia a dia são escassas, mas a imagem dela e de seu apoio a este jovem estão lá no fundo. Sei que no início não gostava dela, mas com o tempo ela ganhou a minha simpatia e um lugar no grande baú. Pouco tempo depois foi a professora Beth, da primeira série, um amor de pessoa, com seu grande óculos e seus cabelos louros. Foi difícil saber que tinha passado de ano e teria outra professora.

O tempo passou e do ginásio recordo-me da Eliana, minha professora de língua portuguesa e inglesa, que entendia minha insatisfação e incentivou-me a escrever minha primeira obra, um livro para ensinar inglês a minha maneira. Tenho até hoje o manuscrito. Isa, minha professora de Educação Artística, que tanto me apoiou para que eu desenvolvesse minha aptidão com o lápis, e assim aprimorar meus desenhos. Não foram muitos que sobreviveram ao tempo, mas ainda tenho alguns deles guardados.

Outro destaque da mesma época, e também muito merecido, vai para o professor Alfonso, de história. Este foi um dos grandes responsáveis por minha veia contestadora que levaria-me futuramente ao jornalismo.

Saindo do foco escola, posso lembrar-me também do Sensei Marcelo Yonamine e Sensei Mauri, que me ensinaram a canalizar minhas energias, formando meu corpo na filosofia das artes marciais através do karatê.

No colegial tive o prazer de ter aula com Antônio Menezes de Oliveira. Esse sim era um mestre de verdade, como poucos o são hoje em dia. Era rígido dentro da sala de aula. Seu nível de exigência para com seus alunos era o mais alto possível. Tratava-nos como adultos conscientes das consequências de nossos atos. Era um exemplo em si. Seus ensinamentos iam muito além da língua e literatura portuguesa, eram ensinamentos para vida, para reforçar nosso caráter. Este foi meu grande incentivador a continuar meus estudos, alçando vôo na Universidade.  Um dos maiores prazeres que tive foi, após passar no vestibular (coisa que na minha época era difícil e um feito de poucos), voltar à escola e agradece-lo, bem como ao professor Alfonso pelo apoio. Lembro claramente do sentimento de orgulho em ambos. Uma energia extremamente positiva que dava-me ainda mais forças para seguir em frente, e a qual nunca poderei esquecer.

Não posso deixar de agradecer também as professoras Vera (Matemática/Física) e Lídia (inglês), também conhecida entre os alunos como “bolinho”, por terem tido “paciência” de aguentar minhas contestações e sede por conhecimentos. Naquele momento eu queria alçar vôos ainda maiores, porém elas não estavam preparadas para isso e não puderam entender. Paciência… ainda assim as agradeço.

No meio do caminho conheci a professora Leila, no curso de inglês que fazia. O mais interessante é que o melhor do curso não eram as aulas de inglês, mas nossas conversas após a aula, sobre política, literatura e ciência. Ela foi a responsável por me ajudar a transitar da literatura infanto-juvenil à literatura adulta, apresentando novos segmentos de leitura. Cristiane F., A Revolução dos Bichos, 1984, Admirável Mundo Novo foram alguns dos livros que esta professora me apresentou, e que até hoje estão entre meus Top 10.

como-solicitar-becas-estudios-L-5rY0W1Ahhh a Universidade! Na falta de um curso universitário, fiz dois, mas poucos professores destacaram-se tanto quanto Gerson Moreira Linha, responsável por apresentar a magia do jornalismo, Dirceu Lopes, responsável por quebrar a magia do jornalismo e apresentar-nos a realidade, Tadeu Nascimento por nos mostrar uma nova forma de ver o mundo e representá-lo através da arte da fotografia, Claudio Lemos, meu querido xará, que incentivou-me na arte do design e diagramação, fundamentais para minha carreira. Paulo Cândido meu caro orientador e amigo, que me apoiou mesmo quando todos estavam contra. Ao final e não menos importante está Walter Lima, meu maior incentivador a avançar pelo desconhecido, aguçando minha percepção para as novas tecnologias e suas possibilidades. Se hoje a tecnologia paga o pão nosso de cada dia, esse cara é o responsável. Obrigado.

Depois da Universidade, fiz diversos cursos e agradeço pelo conhecimento adquirido, porém nenhum destacou-se como meu curso intensivo de língua espanhola. Paulo Della Rosa Junior, este querido professor destacou-se por ser diferente, por propor um forma diferente de aprender, na prática, além de apoiar-me em um momento de pressão que eu estava passando. Precisava aprender rapidamente e ele não apenas entendeu minha necessidade, como teve o cuidado de me apresentar os bastidores da língua e seus praticantes, dicas as quais nunca esqueci, e que por diversas vezes foram o meu diferencial, tudo isso em 3,5 meses. Fico imensamente grato, pois graças a ele consegui até ministrar um curso inteiramente em espanhol no Chile.

Não tão importantes quanto os de carne e osso, mas grandes mestres da TV, literatura e sétima arte também têm um espaço reservado no baú: Mestre Yoda, Sr. Miyagi, Professor Girafales, Prof. Dumbledore, Prof.  Henry ‘Indiana’ Jones Jr, Prof. Xavier, Professora Helena, Professor Pardal, Professor Tibúrcio, entre muito outros.

Assim, termino aqui agradecendo mais uma vez a todos os mestres citados e aos não citados, pois foram responsáveis por quem sou hoje. E você, quem são seus mestres?

Diário de Bordo Serra Negra: 08/07/2013

Dia 3 – Segunda-Feira

O dia amanhecera e não podíamos perder tempo. Este era o dia de volta para casa, mas nem por isso iríamos deixar de aproveitar o que a região ainda tinha a oferecer. Após o café da manhã, já com as baterias da câmera e do celular devidamente carregadas, parti para o momento fotografia, e para isso a localização do hotel proporcionava grandes privilégios, pois além de possuir uma grande área interna, com muita natureza, também permitia excelentes paisagens da cidade.

serra5Aproveitamos o finalzinho da diária e relaxamos na piscina aquecida, onde conhecemos um casal muito simpático ao qual ficamos a maior parte do tempo conversando. Já com o relógio quase batendo as doze badaladas, arrumamos as coisas e fizemos o checkout. Vale ressaltar que o Grande Hotel Serra Negra passou no teste e é de fato um lugar que quero voltar. O atendimento desde nossa chegada foi exemplar, além de ser bem completo, limpo e confortável. Definitivamente recomendo ele.

Saímos rumo a Rota dos Queijos e Vinhos de Serra Negra, mas como estávamos sem conexão, graças a Claro Brasil, tivemos um pouco de dificuldade para acharmos a tal rota, principalmente devido à via indicada não existir em mapa algum. Saímos do hotel com as indicações da recepcionista, pegamos um estradinha sensacional e nos deparamos com uma paisagem inesquecível, com fazendas rodeadas por belas montanhas. O caminho estava errado, levamos um tempo para ter certeza graças a falta de uma alma viva para perguntarmos, mas ainda assim o passeio valeu a pena.

Cruzamos a cidade em busca de indicações através das placas, sem muito sucesso. Parei em um boteco, no qual dois amigos, com seus copos de pinga nas mãos me deram a melhor orientação. Foi interessantes, eles estavam animados, mas foram exemplares quanto à orientação. Seguimos as dicas e voltamos a cruzar a cidade, localizando com certa facilidade o caminho certo.

Para quem for visitar a Rota dos Queijos e Vinhos de Serra Negra,  eles divulgam que fica na Rod. 105, mas a mesma não tem esse nome nos mapas, portanto, procure pela Rod. Dr. Rubens Pupo Pimentel e estará no caminho certo. Apesar de ser uma estrada, a mesma é muito precária, sendo toda de terra batida, com trechos em que somente é possível passar um veículo por vez. Para sorte dos futuros visitantes, a mesma está inteira em obras, o que em breve proporcionará uma experiência melhor.

Depois de muita poeira, uma camada grossa de terra sob a carroceria, alguns sustos e muita garra do possante, chegamos na Fazenda Chapadão. Nela tivemos uma excelente apresentação sobre a produção de gado, produção de queijos e cultivo do café. Ambos são especialidades da família. Acompanhamos a ordenha das vacas e o processo de secagem dos grãos de café. Experimentamos os queijos produzidos por lá e depois de um bom bate-papo partimos para a fazenda da família Carra, um pouco mais a frente. É claro que não poderíamos sair de mãos vazias e trouxemos alguns exemplares de queijos e café.

Ao chegar na fazenda da Família Carra, fomos recebidos muito bem e nos foi apresentada a história da família, vimos os produtos ali produzidos e partimos para degustação. Tudo era muito bom e eu recomendo. Os vinhos de tão saborosos, mal percebia-se o gosto do álcool. Infelizmente não poderíamos ficar mais pois a tarde já tinha passado de sua metade e ainda tínhamos um longo caminho pela frente.

Voltamos pela estradinha até a cidade para abastecer o carro e pegar a estrada. O valor combustível por lá não é dos melhores, portanto se puder, prefira abastecer em Amparo ou Morumgaba, pois é mais barato. Outra dica é não deixar para sacar dinheiro em postos de combustível ou qualquer outro lugar, pois eles não possuem caixas eletrônicos espalhados pela cidade. Se precisar sacar, terá que ir a uma agência do banco no centro, em horário comercial.

A volta para casa foi tranquila. Pegamos um pouco de movimento nas estradas, principalmente no Rodoanel e, ao entrar na Imigrantes nos deparamos com um forte chuva. Muito diferente do clima que havíamos nos deparado nos últimos dias. Depois de quatro horas de viagem, estávamos de volta ao lar, acompanhado das muitas lembranças deste passeio que, apesar de curto, foi muito agradável.

Dia 1: Sábado

Dia 2: Domingo

Diário de Bordo Serra Negra: 07/07/2013

Dia 2: Domingo

O dia custou a amanhecer. A temperatura havia baixado durante a madrugada, mas não tanto quanto gostaria. O silêncio era total e o sol se esforçava cada vez mais para sobrepor-se às cortinas que insistiam em mantê-lo distante.

O dia seria longo, e mesmo com muita preguiça levantamos e fomos de encontro ao café da manhã do hotel. As opções de pães, bolos e frios eram muitas. Um bom exemplo de café da manhã de rei e rainha. Após deliciarmos a comida, nos apressamos a arrumar tudo, pegar o que levaríamos e partirmos para os pontos turísticos da região.

serra1Começamos o passeio pela Disneylândia dos Robos, uma casa o tanto o quanto curiosa. Nela podemos encontrar verdadeiras relíquias da cultura pop, máquinas de todos os tipos, peças egípcias e é claro, robôs… muitos robôs. O local existe desde 1988 e é parada obrigatória para quem vem a Serra Negra, sejam adultos ou crianças, não há quem não goste. De fato, não há nome melhor do que Disneylândia, um lugar para guardar e expôr tudo que é bagulho guardado durante os muitos anos de vida, para criar coisas e ainda ganhar dinheiro. Foi lá que percebi que havia esquecido de carregar a bateria da câmera, e mais uma vez ficamos dependentes do celular para poder tirar as todos.

panoramaDepois dessa pequena dose de diversão, partimos para o Macaquinhos, um parque de turismo rual e aventura. O local possui uma variedade de atividades como pedalinhos, caiaques, tirolesas, cavalos, paintball, buggys, piscinas, pescaria, animais, além de uma bela paisagem com muito verde. Este parque é parada obrigatória para quem curte este tipo de programa, sendo possível passar o dia inteiro por lá, serra2tanto que a manhã passou como um raio enquanto estávamos curtindo as atrações, e a tarde já estava chegando a sua metade quando saímos de lá rumo ao centro da cidade para almoçar.

O centro estava lotado e foi difícil achar algum lugar para almoçar, afinal já era mais de três horas da tarde. Escolhemos comer algo rápido na Padaria e Confeitaria Serrana, de frente a praça principal. Mesmo lotado, foi rápido para conseguir um lugar e os garçons muito cordiais e prestativos. Pedimos um lanche que pouco demorou para estar a nossa mesa e assim pudéssemos devorá-los, dada a fome que estávamos. Para quem busca um local rápido para comer algo de qualidade e acompanhado de um excelente serviço, este é o local certo. Como sobremesa experimentamos um sorvete artesanal, na Sorveteria Tarantela, tradicional na cidade e que conta com diversos sabores. A dica é não desistir, pois a fila é grande, mas vale a pena esperar.

serra3A tarde seguia de encontro às suas últimas horas e decidimos ir até o Cristo Redentor, mas no caminho paramos no III Encontro de Antigomobilismo de Serra Negra, onde estavam expostos diversos carros antigos em excelente estado de conservação. Haviam diversos exemplares de grandes automóveis como Mercury, Eldorado, Imperial, Landal, Alpha Romeu, calhambeques, entre outras marcas e modelos. Renderam boas fotos.

serra4Voltamos ao caminho e seguimos para cima, rumo ao Cristo Redentor de Serra Negra, localizado em um dos pontos mais altos da região. O local é de fácil acesso, limpo e com uma paisagem magnífica. Ficamos um tempinho por lá para recuperar o fôlego da subida, mas a noite já estava batendo à porta, e o cansaço chegando. Saímos de lá rumo ao centro da cidade, como caminho para voltar para o hotel. Por incrível que pareça, no domingo a noite pegamos um congestionamento de meia hora para chegarmos ao hotel que, ao chegar, percebemos que estava ao lado do trajeto do Cristo. Ou seja, por desconhecimento, demos a volta na cidade, pegamos congestionamento, quando na verdade estávamos duas quadras do hotel. Coisa de turista.

Chegamos no hotel e nos preparamos para o jantar, que apesar de poucas opções, estava muito bom, principalmente as sobremesas. Demos uma caminhada no lado de fora do hotel, curtindo a noite de Serra Negra, debaixo do céu estrelado, quando tentei identificar as constelações visíveis. Voltamos para dentro, curtimos as salas de jogos e demais dependências do hotel e depois nos rendemos ao cansaço. Afinal, já era hora de recarregar as baterias novamente para o dia seguinte.

Leia mais:

Dia 1: Sábado

Diário de Bordo Serra Negra: 06/07/2013

Dia 1: Sábado

serra1

Era madrugada, as malas já estavam prontas e a ansiedade não me deixou pregar os olhos por muito tempo. Não que isso fosse incomum, pois estou acostumado a acordar cedo. Aguardei o relógio me avisar que estava na hora de levantar e superamos a preguiça que era grande naquele momento. Levantamos, nos arrumamos, tomamos café e saímos.

O trajeto foi tranquilo, com a subida pela Imigrantes, seguindo pelo Rodoanel e Bandeirantes. Neste ponto tivemos um pequeno desvio, por perder uma entradinha na altura de Jundiaí, o que nos custou alguns minutos para um pequeno passeio pela cidade. Após nos acharmos, pegamos uma estradinha que estava em reforma em vários trechos, mas que fielmente nos levou até a rodovia D. Pedro I e dela pegamos outra para enfrentar a serra, que era perfeita para quem gosta de dirigir, com um asfalto bom e bastante curvas, proporcionando em alguns momentos fortes emoções. Durante o caminho fomos ultrapassados por motociclistas devidamente equipados, como se estivessem em uma competição.

Passamos pelas cidades de Morumgaba e Amparo, ambas com um clima muito calmo e com características de cidades do interior. Como nosso objetivo era aproveitar o máximo de Serra Negra, seguimos a estrada sem parar nestas cidades.

Ao chegar em Serra Negra, o GPS perdeu conexão e acabamos levando um tempinho para localizarmos o hotel, graças a Claro Brasil, que por incrível que pareça não fornece o serviço de dados 3G  na cidade, e o 2G mal funciona. Fizemos o checkin no Grande Hotel Serra Negra, deixamos as malas no quarto e saímos rumo ao centro da cidade para almoçarmos.

No caminho para o centro demos algumas voltas na cidade para nos acharmos sem o GPS, seguindo apenas as placas, mas conseguimos. Ao chegarmos no centro nos deparamos com muito movimento de carros e motos, e com muita dificuldade conseguimos fugir do congestionamento e encontrar um lugar para estacionar. A dica para estacionar no final de semana no centro é aproveitar o estacionamento ao lado do Fórum, que fica liberado nos finais de semana.

serra2Fomos até a Praça Pref. João Zelante, que estava tendo um evento de festa junina das escolas municipais e estava lotada de crianças, seus pais e turistas. Nesta praça há vários locais interessantes para comer, petiscar, beber e jogar conversa fora. Escolhemos o Bar Santos Cycle, e fomos muito bem atendidos. Ali estava rolando um encontro de motociclistas. Mesmo lotado, o atendimento foi rápido e a comida além de bem servida, estava saborosa.

De estômago cheio, aproveitamos a tarde para caminhar pelo centro e conhecer melhor o comércio local. O passeio foi muito bom, com foco principalmente em compras de roupas e malhas, mas no caminho encontramos coisas interessantes, como casas de vinhos e queijos, uma banda local de aposentados que alegravam o centro e tocavam junto aos turistas, além de algumas opções de entretenimento nas praças, com música ao vivo, dentre outras coisas. serra3Ao final da tarde paramos no café Delícias na Praça para descansar as pernas e depois, com a noite já chegando, voltamos para o Hotel.

A noite o cansaço começou a bater forte, daí aproveitamos para curtir a festinha junina do hotel, que por sinal era um exemplo de organização, com muitas opções de comidas, barracas de brincadeiras para adultos e crianças, música ao vivo e atéserra4 fogueira para aquecer o ambiente. Depois disso, o cansaço do dia, somado ao da viagem e da semana, me fez desmaiar, e como o dia seguinte seria longo, não poderia perder a oportunidade de recarregar as baterias.

O último desafio: reconhecermos a nós mesmos

ultimoNo último final de semana assisti ao filme O Último Desafio, com o exterminador,  Arnold Schwarzenegger e, apesar das muitas críticas, achei um filme muito bom.

Quando comecei este blog um dos primeiros artigos que escrevi foi sobre o tempo (Tempo… tempo mano velho…), e esse tem sido um tema recorrente em minhas reflexões. Não para menos, afinal sou fascinado por ele, seja pela admiração ao passado ou vislumbre ao futuro vindouro.

redAssim, este filme, junto a alguns outros, como o excelente RED, fizeram-me refletir não apenas ao passado, o que fiz, ou deixei de fazer em minha vida, mas em como este passado me fez chegar neste presente, e que este é de fato o momento mais importante.

Ver um brutamontes caindo, sentindo dor e reclamando que está velho nos mostra que não importa o que fizemos e o quanto sacrificamos, pois em algum momento teremos que pagar esse investimento e aprender a lidar com uma nova fase em nossas vidas. Uma fase mais calma, sem extravagâncias, sem correrias, uma fase de paz consigo e com a natureza do mundo a nossa volta.

Não é para menos que aquela “saúde de ferro” nos abandone em algum momento, afinal, o quanto nós a deixamos de lado nos últimos anos? O quanto deixamos passar em prol de algo que nem sabíamos se valeria a pena?

A mim cabe agora restabelecer o equilíbrio, tendo em mente que o mundo mudou, eu mudei, tenho limitações e respeitando isso acima de tudo.

A Fringe Event

Olhou para o lado e mirou no semáforo, estava verde para os carros
Decidiu não arriscar-se e aguardar o momento certo de atravessar
Era uma grande avenida, como grande movimento de veículos
Lembrou-se de instantes ao levantar-se, de seu pensamento,
Ligado a um estranho sonho, o qual mal podia lembrar-se com detalhes

Olhou para o outro lado da avenida, também haviam pessoas querendo atravessar
Uns de mochilas, parecendo estudantes a caminhos da escola
Outros com pastas, bem vestidos
Deviam estar indo trabalhar, como ele estava
Mas, para os demais era somente mais um dia
Um dia regular, talvez nada acontecesse, nada mudasse suas vidas
Mas para ele não, só que ele também não sabia disso

realidade1

De repente ouviu um barulho dentro de sua mente
Não podia distinguir ao certo o que era, olhou para o lado
Parecia ser o semáforo, que havia fechado para os veículos, permitindo sua passagem
Ignorou aquela estranha sensação e deu seu primeiro passo em direção ao seu destino, o outro lado daquela avenida

Ao dar o segundo passo, sentiu que algo estava estranho
Viu a imagem da avenida e do mundo a sua volta ficar turva, tremendo
Podia ver como se fossem camadas a sua volta, como se fossem ondas do mar
Um rodamoínho em pleno ar, em plena avenida
Teve a sensação de estar viajando, mas não havia saído do lugar

vortex

Sua, mente sabia que estava atravessando a rua, como os demais que ali estavam
Não havia nada de estranho, mas sentia que algo estava diferente
Sentiu como se tivesse sido golpeado fortemente
Era uma dor em sua cabeça, tão repentina, que não podia explicar
Olhou novamente para o outro lado, em meio a imagem turva e mesmo com dificuldade decidiu continuar andando
Tentou dar outra passada, e quando colocou seu sapato em contato com o asfalto já quente da manhã, tudo sumiu

A sensação estranha, imagens estranhas e dores se foram
Deram lugar a uma sensação de surpresa
Olhou a realidade a sua volta e algo estava errado, podia sentir
A avenida era a mesma, mas estava diferente
Era como se estivesse em seu mundo, no mesmo lugar, mas em algum tipo de realidade alternativa

Claro que ele não sabia disso
Demorou um bom tempo para seu cérebro começasse a juntar as peças do quebra cabeça
Tudo aquilo era, ao mesmo tempo, muito igual e diferente de sua realidade

Quando chegou do outro lado da avenida sua mente havia viajado, sem que ele soubesse, para outra realidade, uma realidade na qual ainda estava vivo.

Ele era importante, só que ainda não sabia disso.
Alguma energia cósmica o havia transportado para esta realidade segundos antes de um grave acidente
Um caminhão de combustível desgovernado havia batido e explodido cerca de quatro quarteirões a sua volta
Mas ele não poderia saber disso, afinal não estavas mais lá, não havia vivenciado o acidente em si

Fringe

Tentou ignorar o que estava sentindo e a estranheza daquele lugar
Achou que estava sonhando e decidiu seguir em frente

Mal sabia o que estava para vir…

Homenagem a cultuada e excelente série de TV Fringe, que deixará saudades.

Novas vozes, novos amigos

Certo dia estava no ônibus voltando para casa. A viagem era longa. Na época trabalhava no Centro de São Paulo e, como era comum na época, estava eu tentando ler meu livro. Era um livro técnico, sobre metodologias de TI e algo começou a incomodar-me.
Um colega de fretado, Marcos, estava com fone de ouvido, e não parava de rir, cada vez mais alto.
No começo, pensei que era algo isolado, mas com o tempo aquilo começou a incomodar-me. Podia ter chamado o coordenador, reclamado com Marcos, xingado… mas fiquei na minha, em prol da educação e convívio em comunidade.
podcastDias se passaram e, em uma conversa com Marcos, o mesmo me falou que estava ouvindo um podcast muito legal, e que eu provavelmente também iria curtir.
Perguntei-lhe que raios era “Podcast”? Teria alguma coisa a ver com iPod? E foi assim que fui apresentado para meu primeiro Podcast, o Nerdcast.
Para quem não sabe, podcast são programas gravados, como se fosse um programa de rádio, mas que encontram-se disponíveis em MP3, permitindo que se baixe gratuitamente e ouça a qualquer momento.
Aceitei a indicação e baixei meu primeiro Nerdcast, episódio 28a, com a temática da série Lost. Coloquei o arquivo no meu celular e fui ouvir no metrô. Como Marcos, não conseguia ouvir sem cair na gargalhada.

nerdinho

O episódio foi muito bom e engraçado, o que levou-me a baixar os episódios anteriores, e os novos a cada semana, toda sexta-feira, sempre com um tema novo, mas excelentemente abordado. A cada semana que passava fui envolvendo-me cada vez mais com os personagens Jovem Nerd, Azaghal, entre outros. Para minha surpresa, conhecia pessoalmente um dos personagens, o Tucano, pois havíamos trabalhado juntos.
Depois do NerdCast, comecei a baixar o podcast do site LostBrasil, focado em reviwes dos episódios da série, depois o RapaduraCast, especializado em Cinema. Por um tempo consegui contentar-me com esses, mas pouco tempo depois fui apresentado pela turma do NerdCast ao MonaCast e MRG (Matando Robos Gigantes), e também aos de tecnologia PapoTech e Podsemfio, com participação da simpática Bia Kunze.

Hoje divirto-me muito com essas turmas e, em alguns casos sinto-me também parte delas, como se os conhecesse há anos, pois são meus companheiros de viagem diariamente. A cada novo programa meu celular já baixa automaticamente, e lá está… diversão e informação garantida!

Agradeço a Marcos por ter me apresentado esses programas e as equipes que se reúnem para entreter os ouvintes, sejam nas discussões ou na parte técnica.

Para os interessados em entrar nesta onda, listo abaixo outros programas que tenho acompanhado também:

  • CocaTech
  • Fronteiras da Ciência
  • Guanabara.info
  • Iradex
  • Papo de Gordo
  • Radiofobia
  • Semana Tech Info
  • SpinOff TV Séries

Insônia insólita

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Ele abriu os olhos

Durante as muitas madrugadas de sua vida, isso até era comum, mas desta vez algo estava diferente
Pensou ter ouvido um barulho, seria um ladrão? Alguém tentando arrombar a porta de seu apartamento?
Olhou para o lado e viu sua mulher ali dormindo, como se nada fosse capaz de desperta-la daquele sono profundo
Mas o que o teria acordado dessa vez?

Olhou para o relógio e ainda eram 3h33 da madrugada
Levantou-se de sua cama com cuidado e caminhou em direção a sala
Olhou para os lados e nada
Caminhou até a porta para verifica-la, e ao chegar até ela, a mesma estava fechada correctamente
Lembrou-se que ele havia conferido antes de deitar-se naquela noite
Ficou um tempo ali, parado, contemplando o silêncio da noite
Nada aconteceu, o silêncio era absoluto
Até seu cachorro hiperativo estava dormindo profundamente

Achou tudo aquilo um pouco estranho
Aquela sensação ainda estava com ele
Após uma longa pausa em seu transe, decidiu voltar para cama e continuar a dormir
Virou-se e deu dois passos em direção ao quarto quando sentiu uma estranha energia em volta de seu corpo

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Era como se estivesse laçado, preso em uma rede, como um peixe
A diferença era que a sensação parecia-lhe boa
Tão boa que quando deu por si estava em outro lugar
Um lugar estranho, como se fosse um grande buraco
Sentiu-se como se estivesse caindo
Mas a sensação que sentia naquele momento não era de queda, mas sim de impulso
Como a decolagem de um avião, mas sem o avião
Podia ouvir o assovio do ar passando próximo a seus ouvidos, além de uma leve sensação de enjôo, como em um navio
O que estaria acontecendo, pensou
Sem mais nem menos tudo parou
Viu sua sala e quando percebeu viu sua casa e sua mulher dormido
Pode perceber como se estivesse flutuando
S
entiu uma clareza de pensamento que nunca havia sentido antes
Estaria morto? Não… Será?
Voltou a sentir a mesma energia de quando em sua sala
E desta vez sentiu uma calmaria eletrocutar todo seu corpo
Ou seria sua mente?
Um conforto que só havia sentido quando protegido pelo ventre de sua mãe
Mas como poderia saber disso?
Ele sabia
Ficou confortavelmente… com medo do que estava acontecendo, do que estava sentindo
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Através daquela estranha energia, inexplicavelmente acalmou-se
E naquele instante deparou-se com uma paz inexplicável
Compreendeu seu papel na grande máquina da vida
Sentiu-se grato por aquela visão, aquele sentimento tão nobre
Sabia que estava ali por algum motivo
E imediatamente este motivo veio a sua mente
Como um flashback ou talvez um Déjà vu
Foi como descer a grande montanha russa do universo
Uma sensação de medo, adrenalina e alívio
Novamente abriu os olhos e deparou-se consigo parado no meio da sala
Seu peito queria explodir
Queria gritar
Sentia a energia do universo em suas veias
Então, ele abriu os olhos e deparou-se com o teto de seu quarto
Olhou para o relógio, que marcava 3h34 da madrugada
Teria sido um sonho?

 

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