Horizonte de Eventos

Reflexões sobre a vida, o universo e tudo mais

Category Archives: Cotidiano

Paradigmas que se quebram como vidro

Time-for-Change_0Mudanças são comuns em todos os ambientes, desde o big bang, o universo segue em constante mudança. Cada partícula dele é extremamente importante para seu desenvolvimento e, ainda assim estão sempre mudando, e é devido a isso que temoos umas infinidade de eventos magníficos que reconstroem este universo a todo momento.

Mas não precisamos ir tão longe, a natureza que nos cerca também nos apresenta o quanto é normal e natural mudar. Ela nos mostra que o domínio é do mais forte, porém a sobrevivência é daquele que melhor se adapta. Se analisarmos a história da humanidade ao longo dos séculos, os fatores mudança, adaptabilidade e evolução ficam bem evidentes. Então por que resistimos tanto?

Obviamente que o controle nos traz segurança e, de fato nossa sociedade hoje está baseada nela, mas por quanto tempo?

Os moldes e padrões estabelecidos sobrevivem por um tempo, mas não para sempre. Atualmente estamos vivendo este momento de ruptura. Não mais aceitamos as coisas como são, tornamos-nos questionadores, percebemos que podemos tomar decisões para nós mesmos, as quais nos permitirão desfrutar de uma vida melhor.

Há muito tempo deixamos de viver para dar importância para o sobreviver. Isso é de certa forma conveniente e aparentemente necessário, mas atualmente o que vale é a experiência que vivenciamos, e para isso, cada elo, cada engrenagem do universo precisa mudar, precisa adaptar-se.

Tecnologias vêm, novos serviços focados na melhor satisfação se tornam cada vez mais comuns e os clientes deixam de ser um grupo rotulado e a ser estudado, para serem constituídos de cada um de nós, todos juntos ao mesmo tempo, formando um ecossistema sustentável, consumidor de experiências sobre produtos e serviços. Isso é evoluir. Este é o momento que estamos vivendo.

mudanças-2

Ficar preso às amarras da segurança e do porquê sempre foi feito assim, levará muitos à morte, enquanto poucos serão aqueles que, além da visão de futuro, adaptar-se-ão a ele.

A beleza de um amanhecer chuvoso

Rain-5Ainda escuro, o dia preguiçosamente relutava em amanhecer. O sol nem dava sinal de sua luz, estava ocupado com o outro hemisfério. Aqui era a chuva que predominava, nos brindando uma temperatura agradável com seus dezesseis graus.

Ao deparar-se com ela, diante das luzes que regem as madrugadas da civilização, era possível compreender a força e majestosa precisão imposta pela sua natureza.

As formas únicas imprimiam uma tela exuberante, sendo o vento o pincel do artista, direcionando firmemente os contornos e seus preenchimentos. Diferentemente de uma pintura regular, esta apresentava não apenas uma imagem, mas junto a ela, o seu relevo, sua textura e seu cheiro.

Uma sensação única de prazer e impotência, afinal apesar da beleza, suas características não poderiam ser somente apreciadas. Era necessário enfrentar esta expressão da natureza, adentrando sua obra, invadindo-a sem pedir licença, mas ainda assim, tentando parecer imperceptível a sua grandiosidade.

Mas talvez este mero observador já estivesse destinado a parte desta paisagem esculpida, pois para o espectador que acabara de dar-se conta do espetáculo, ali estava a natureza sendo desafiada pelo humilde homem com suas calças molhadas e seu singelo guarda-chuva.

A política dentro de nós

Já que comecei a abordar assuntos polêmicos no artigo A incompetência do Gigante, volto aqui mais uma vez para expressar minha humilde opinião sobre o momento político que estamos passando.

A Era de Péricles - Philipp Von Foltz de 1853A ideia política iniciou-se na Grécia Antiga, onde as praças eram ao mesmo tempo palanques e plenária, então conhecidas como Assembleias dos Cidadãos, sendo ainda considerada berço da democracia, inclusive com o uso do voto como ferramenta. O tempo passou e muito desta política foi esquecida. A cada ano que passa o que temos é cada vez mais um show… de horrores eu acrescentaria. Feito por privilegiados e destinados à massa.

Uma das características que mais definem os brasileiros é o jeitinho que dão para tudo, mesmo que muitas vezes seja para burlar as regras e processos definidos, e é exatamente este diferencial que nos torna tão corruptos, e nos trouxe no caos que estamos. Ou não estamos?

A definição de bom ou ruim não recai sobre uma verdade absoluta, mas sim sob um critério, mesmo que inconsciente, comparativo. Comparação esta que está sujeita a inúmeras variáveis, e principalmente pontos de vista. O que de fato é bom? Seria este bom igual e suficientemente para todos?

Muito me impressiona pessoas reclamarem da corrupção e da política, mas que é tão corrupto quanto, quando colocado em determinadas situações favoráveis à esta, mesmo que nas pequenas coisas, o brasileiro se corrompe muito fácil. Haja vista a velha conhecida Lei de Gerson, onde a vantagem daquele que está em situação favorável sobrepõe-se sob os demais, e exemplos não faltam, espertos que:

  • andam com seus veículos em velocidades proibidas pois sabem que não há fiscalização;
  • andam nos acostamentos ultrapassando aqueles que estão esperando no congestionamento;
  • falsificam identidades para entrar em lugares ou pagar menos;
  • ficam conscientemente com o troco errado que lhe foi dado por descuido do atendente;
  • tiram vantagem das ignorância ou deficiência de outros semelhantes;

Exemplos não faltam, portanto que moral têm estas pessoas em criticar os governantes corruptos? Eles são meros reflexos de nós mesmos. Agora, será que de fato estamos sob um governo tão caótico, como está sendo pintado na mídia e nas redes sociais? Será que as referências as quais estamos comparando estão corretas?

Olho_BrasilO brasileiro é um povo de memória curta. Passamos por momentos recentes e vergonhosos em nossa história e continuamos somente a reclamar, mas agir, aí é outra história. O processo de crescimento de uma pessoa é longo, desde seu nascimento até sua inserção na sociedade como parte de uma engrenagem viva, o que dirá da maturidade deste povo, que prefere fechar os olhos não ver o que acontece no mundo real?

Lembro-me de meus pais há anos atrás se desdobrando para sustentar meu irmão e eu, e ainda fazendo parecer que tudo estava bem. Sofremos com a ditadura, com a inflação, com os congelamentos de salários, com os saques de nosso suado dinheiro de nossas humildes economias e os inúmeros planos econômicos que tivemos, com as fronteiras fechadas para o mundo, com a ignorância de poucos poderosos, entre outras coisas. Tudo isso em razão de uma corrupção não declarada. Mas ainda assim julgamos o governo que evidencia os problemas e esta corrupção como ruim, quando na verdade ele é benefício para o processo de maturidade do povo. O quão hipócritas ainda podemos ser?

E hoje… Ahh como estamos vivendo a beira do caos… sentados em nossas casas próprias, mesmo que financiadas, com nossa mobília nova, bonita e confortável, com televisões de LED assistindo a novela das 8 na mais alta definição, com os mais novos modelos de computadores, tablets e smartphones na palma da mão, conectados ao mundo através da rede mundial de computadores, a Internet. Sem contar o carro na garagem e as viagens pelo país e pelo mundo que temos disponíveis a poucos passos. As muitas filas, sacolas recheadas de compras e futilidades as quais estamos rodeados. Ostentação. A vida está mesmo muito difícil neste país.

Se olharmos para trás veremos que já estivemos muito pior, e que não existe caminhos sem obstáculos e muitas vezes decepções. Tomamos decisões todos os dias, algumas certas e outras nem tanto, afinal somos humanos. Só precisamos reforçar esta humanidade em prol do bem comum.

educação-brasil-281x300De nada adianta o gigante acordar para somente reclamar ou trocar os governantes por outros tão ruins quanto. Quantos de nós sabem de fato administrar algo mais que suas próprias vidas? Quantos sabem o que fazer política e estar no comando realmente significa? A revolução está na base, nos valores que a cada dia que passa se perdem com o vento. Está em assumir as responsabilidades pelas decisões e cobrar de si o que cobramos dos outros.

Aplicando à política governamental atual, não se deixem influenciar pela publicidade, pois esta é apenas uma ferramenta de venda, só serve para isso. Investigue, pesquise, cubra-se de argumentos sólidos para depois tomar sua decisão. Depois de tomada, assuma responsabilidade sob ela, cobre para que as coisas aconteçam, e o mais importante, se errou na decisão, reflita sobre o erro e continue no processo de tomada de decisão consciente. Só assim estaremos de fato comprometidos com um futuro melhor, sustentável e justo para todos.

A incompetência do gigante

web1146Assim como no futebol, no mundo corporativo os goals são as metas as quais devemos alcançar. Estamos ali para isso, trabalhamos duro para atingí-las e como qualquer profissional, as vezes conseguimos, outras não.

Quem me conhece sabe que não sou nem um pouco fã de futebol, mas uma coisa não posso negar, essa era a chance de nos mostrarmos para o mundo. De apresentarmos os brasileiros como profissionais, capazes de planejar e seguir com os processos, prover garantias para o turista e desmistificar os rótulos pejorativos acumulados durante nossa história. Mas o que fizemos? Em vez disso só mostramos que não estamos preparados para o mundo. Nosso nível de maturidade diante do mundo está mais baixo do que eles poderiam imaginar.

O respeito e as atitudes dos japoneses, sejam os jogadores ou os torcedores que vieram para cá só corroboraram de que ainda estamos longe de podermos sentar numa mesa e comermos de garfo e faca, sem nos sujarmos. E ao final, nossa equipe perde e novamente mostramos para o mundo que não sabemos perder, o orgulho dos brasileiros fala mais forte e o desrespeito impera. Antes todos estavam torcendo para os heróis, agora estão condenando aqueles à forca. Onde está a energia, o patriotismo até a pouco explodindo a plenos pulmões?

Onde foi parar esta garra por justiça nas muitas ocasiões que realmente somos injustiçados, massacrados por políticos corruptos e opressores? E o pior é que os poucos que se levantam são calados a força e ridicularizados pela própria população que estão defendendo, e que deveria também estar ali, lutando por seus direitos. Mas é mais fácil fechar os olhos e deixar tudo como está, ligar a televisão e assistir seu time do coração. Ahh hipocrisia.

bolaO futebol deixou de ser um esporte para o brasileiro há muitos anos para tornar-se um espetáculo. Hoje é religião para os torcedores, ferramenta de manipulação política para aqueles que estão no poder e uma oportunidade de encher os bolsos de dinheiro para aqueles que estão nos bastidores. Mas qual o problema, afinal somos o país do futebol… e da falta de edução, saúde, segurança…

A Copa foi uma representação fiel do que é o Brasil, um país caótico, com uma população que não se respeita, que quer levar vantagem em tudo e, é claro muita corrupção enquanto a massa alienada se diverte.

Não assisti nenhum jogo, como já costumo fazer em todas as Copas, mas num mundo conectado por redes sociais, é impossível não saber o que esta acontecendo e não sentir pena dessa realidade pequena.  Alienação da massa… ahh minhas aulas de comunicação… que saudade!

E por que perdemos? Muito simples meu caro Watson, porque temos uma equipe de estrelas e egos, quando deveríamos ter um time, com foco, estrategia  e objetivos claros, cientes de seu papel e sua responsabilidade.

Enquanto no mundo real as pessoas tem que trabalhar, batalhar muito para atingir seus goals, no Brasil muitos ainda preferem faltar no trabalho para ver um jogo, gastar suas economias em um ingresso superfaturado, enquanto os filhos mal tem o que vestir ou comer. Torcer de bolso vazio para aqueles que não têm mais nem bolsos para carregar seus milhões.

No mundo real quem não atinge as metas não recebe, e em muitos casos fica até desempregado. Quem dera isso fosse realidade em todas as esferas, como no futebol e na política por exemplo. Ahh, aí sim este, há muito tempo chamado de país do futuro, partida ser considerado uma nação.

O Brasil perdeu a Copa do mundo de futebol, mas ganhou a Olimpíada Internacional de Astronomia e Astrofísica. Quantos brasileiros se orgulham disso? Quantos saíram na ruas para comemorar?

Como dizia um velho professor… “ESSA É PRA PENSAR EM CASA”.

Comprometidos com o umbigo

Desde crianças somos condicionados a pensarmos mais em nós mesmos e a sociabilização fica em segundo plano. Um exemplo é que desde a pré-escola, cada um com seu lanche, cada um recebe uma nota e é elogiado ou reprimido por ela, mas dificilmente somos direcionados para competências e atitudes que se voltam para aqueles que estão a nossa volta. É difícil pensar no outro.

camiseta_euO tempo passa e crescemos, vamos para escola, depois faculdade e o olhar para si se fortalece cada vez mais. Não que eu acredite que isso é errado, mas que falta o equilíbrio. Uma pessoa que completa o ensino superior possui em média 24 anos. Ou seja, são 24 anos sendo condicionados a pensar em si contra o mundo ao seu redor.

Sim, o mundo é cruel, eu sei, mas o que acontece quando esta pessoa entra no mundo corporativo? O mesmo, dedica-se a carreira acima de tudo, ou seja, seu crescimento profissional tem que ser sempre maior que o dos demais, e em muitos casos nem que tenham que passar por cima de outros para isso. E muitas empresas valorizam este tipo de atitude, o que é lamentável. Onde estão os valores? Infelizmente, estão perdendo-se com o tempo.

Claro que o o modelo de departamentalização pregado por Ford, que nos foi muito útil no passado e presente até hoje nas corporações, contribui significativamente para este cenário. As empresas não se comportam como foram concebidas, com objetivo único e no qual todos seguem na mesma direção, mas pelo contrário, cada departamento tem seu próprio processo, que não se conversa com os demais, cada departamento é mais importante que o outro, não importando a relevância deste para o negócio da companhia, e por consequência, cada empregado é mais importante para si que os demais. Engraçado que muitas empresas atualmente preferem chamá-los de colaboradores, mas onde estaria de fato a colaboração?

No mundo atual, onde se prega a sustentabilidade, e no qual as redes sociais estão cada vez mais presentes, será que ainda cabe espaço para esse tipo de atitude individualista? A meu ver não, porém esta característica presente no homem moderno está tão enraizada, que acho muito difícil que grandes mudanças ocorram nos próximos 10 ou 20 anos. Mas é claro que a dona esperança é a última que morre.

A meu redor, procuro sempre compartilhar conhecimento e, sempre que possível, a experiência adquirida, mas não é fácil lutar contra a maré. Pensar e agir em prol daquilo que agrega valor, seja em qual segmento for, enquanto os demais estão pensando e agindo somente dentro de suas devidas caixas, tem se mostrado um imenso desafio, talvez o maior neste mundo moderno.

A síndrome do cardápio fujão

???????????????Há muito tempo deparo-me com profissionais com esta síndrome e, por até hoje não ter visto nenhum estudo focado em seu tratamento, resolvi comentar aqui, e quem sabe alertar a população desta situação, que a cada dia espalha-se nos restaurantes e lanchonetes do Brasil.

Reflitam sobre a cena: você resolve ir a um restaurante ou lanchonete, seja por qualquer motivo,  seja ele conhecido ou desconhecido, caro ou barato. Ao entrar é recepcionado por um garçom e direciona-se até uma mesa disponível. Ao aconchegar-se, olha na mesa e a primeira coisa que procura é o cardápio. Onde estaria ele? Você chama o garçom que provavelmente estará distraído ou atendendo outras mesas. Ao chegar a sua mesa, o garçom diz: “Pois não, o que deseja?” Ora, a não ser que sejamos clientes VIPs e que o garçom já nos conheça, qual a probabilidade de você já saber exatamente qual prato vai pedir? Obviamente pedimos o cardápio ao garçom e, por mais impressionante que pareça, o mesmo faz cara de surpresa e vai buscá-lo a contra gosto, como se você tivesse obrigação de saber o que vai pedir, ou pior ainda, como se o cardápio fosse um entidade que devesse ficar em uma redoma de vidro e nunca ser sequer tocado por nossas desgraçadas e imundas mãos.

Ao voltar com o menu, o garçom fica a seu lado, vigiando-o para que você não faça nada de errado com aquele item tão precioso, e está pronto para retirá-lo de suas mãos caso a atenção seja dispersada. Engana-se quem pensa que o garçom está lá para servi-lo, na verdade ele é guardião do cardápio, como se o mesmo fosse o item mais importante e valioso naquele local. Se há dúvidas sobre algum item descrito nele, guarde para si, pois raramente o garçom saberá esclarecê-lo, afinal o que está no cardápio é a última palavra, o que está lá é a verdade absoluta, e tudo que você deve saber, ou seja, não pergunte.

Ainda que não seja o caso, se tudo até aqui foi bem, ao realizar o pedido, imediatamente o cardápio é rispidamente retirado de suas mãos, não importando se você futuramente vai pedir mais alguma coisa. Terá que seguir o mesmo roteiro para pedir uma sobremesa por exemplo, implorando ao garçom que lhe traga o menu. Isso quando não são cardápios diferentes para entradas, almoço, bebidas, vinhos, sobremesas e etc., aí prepare-se para ajoelhar e implorar ao garçom.

garcom1Afinal, qual a dificuldade de deixarem pelo menos um cardápio na mesa? Entendo que todo comércio quer sugar de seus clientes o máximo possível, portanto neste caso este item supervalorizado nada mais é do que a vitrine para o estabelecimento. Imagino que o que um restaurante/lanchonete deseja é que os clientes peçam as coisas, mas por que não facilitar deixando o cardápio na mesa, como um chamariz, para instigar o cliente a querer pedir mais alguma coisa, até que esteja completamente satisfeito? Será que o custo de “imprimir” cardápios é tão alto assim, a ponto de impossibilitar que o estabelecimento possa sustentar-se e ainda oferecer cardápios para todos seus clientes?

Brincadeiras a parte, se você é dono de um restaurante ou lanchonete, atente para esta síndrome em seus garçons e encaminhe-os para um bom psicólogo. Se você é garçom entenda que nós clientes não queremos roubar ou maltratar o pobres cardápios, mas sim contemplá-los, para que juntos possamos fazer nosso pedido e saciar nossa fome. E finalmente, se você é cliente como eu, ignore a cara feia do garçom e agarre seu cardápio. Solte-o somente quando tiver certeza que não necessitará mais dele.

Normose que nos impede de sermos nós mesmos

Desde pequeno somos condicionados a seguir os ditos padrões da sociedade, como se somente com esta receita de bolo pudéssemos ser aceitos, mas por que seguir os padrões de sociedade? Por que ser aceito é tão importante?

Normose é um conceito novo, trazido por alguns autores da Psicologia Transpessoal, que tem ganhado espaço nos meios terapêuticos. É um conceito que lida com a ideia do que é considerado “ser normal” numa determinada sociedade ou grupo e do quanto este comportamento causa sofrimento ou não.  (Fonte)

normoseSer “normal” atualmente pode ser algo perigoso, pois a cada dia que passa a sociedade afunda-se mais em sua mediocridade, trazendo a tona o fundo do poço e o pior, valorizando-o em cadeia nacional. Nesta hora lembro-me de meus velhos professores de comunicação dizendo: “a massa é burra” e, mesmo entendendo o conceito na época, somente com o tempo e a experiência de vida é que podemos de fato compreender o significado desta frase, ou melhor, somente quando sentimos na pele, ao nos depararmos com as inúmeras situações que nos são colocadas pela dita sociedade normática, é que chegamos ao ponto de tomar a decisão entre agir dentro ou forma do padrão de normalidade aceita, ou seja, ser ou não “normal” perante a sociedade. O problema é que nem todos conseguem chegar neste ponto de decisão, muitas vezes por estarem embriagados com a normalidade que os cerca, tornando-se reféns da mesma.

Ser negro enquanto a sociedade é branca
Ser ateu enquanto a sociedade é crente
Ser gordo enquanto a sociedade é magra
Ser imperfeito enquanto a sociedade é “perfeita”

Pensar enquanto a sociedade conforta-se
Criar enquanto a sociedade copia
Contestar enquanto a sociedade impõe-se
Falar enquanto a sociedade cala-se

eisnteinVocê quer ser normal? Eu definitivamente não! De que vale ser “normal” em um mundo virado de ponta cabeça, em que os valores foram esquecidos, onde o errado tornou-se o certo e aqueles que praticam o bem são ridicularizados pelas próprias leis e normas impostas. Eu não… prefiro ser maluco beleza e mesmo com muita dificuldade, ainda acreditar no que é certo, seguir pelo caminho do bem e promover a paz, mesmo que só possa fazê-lo em meu pequeno quadrado e não seja “tão” bem visto  pela sociedade.

Não vou compactuar com a queda da sociedade, ser diferente é bom. Seja diferente, dê um tapa nessa sociedade também e faça a diferença também caro leitor. Só assim podemos mudar o mundo tornando-o um lugar melhor para todos.

Diário de Bordo: Ilhabela – 28/09/2013

20130928_113058

O planejamento começou durante a semana, com a decisão de ir, o estudo do caminho e a reserva de hospedagem. Como tivemos um aniversário na noite anterior, acabamos não conseguindo levantar cedo conforme o planejado. Já estávamos duas horas atrasado do plano original, mas tudo bem, afinal estávamos indo passear.

Depois de terminar de arrumar as malas, deixar as coisas ajeitadas em casa, revisar o trajeto no mapa, atualizar as bases de radares no GPS e abastecer o carro, lá estávamos nós, a caminho de Ilhabela. Pegamos a estrada e tivemos muita boa sorte no caminho. Não presenciamos nenhum acidente e o GPS se virou muito bem. Claro que o caminho era bem simples, e eu já o conhecia. A estrada estava muito boa, com bastante movimento em alguns trechos, porém, sem trânsito. Chegamos na balsa para travessia por volta das 14 horas.

20130928_162741

Após atravessarmos, procuramos o Chalés Patrícios, onde iríamos ficar hospedados, e descobrimos na prática que o Google Maps não está muito atualizado em Ilhabela. O GPS levou-nos até a rua correta, porém bem longe da numeração devida. Dificuldades a parte, conseguimos nos localizar depois de um tempinho, deixamos as coisas no chalé, nos trocamos e fomos rumo a 20130928_163251Praia do Julião, onde nos encontraríamos com amigos. A praia, bem diferente daquelas que estamos acostumados, tinha areia grossa, faixa de areia curta e uma excelente paisagem, mesclando pedras, água cristalina e areia. Ficamos por um tempo contemplando-a e logo depois paramos no Prainha Do Juliao Bar E Restaurante, onde pudemos apreciar excelentes pratos. O local é encantador e merece atenção nos passeios à ilha. Com o sol deitando-se ao horizonte, saímos e lá e voltamos para o chalé, afinal, a noite seria de festa.

Pouco tempo depois, lá estávamos nós novamente dependentes do GPS para chegar em nosso destino, e mais uma vez a tecnologia insistia em nos guiar por uma rua que não existia. Demos algumas voltas e graças a alguns moradores, conseguirmos localizar nosso destino. Estávamos ali para um mega evento em comemoração ao aniversário de meu amigo Rodrigo, com direito a churrasco e o show de sua banda de rock, mas além disso, encontraria com outros amigos em comum e ainda presenciaria um pedido de casamento. Tudo foi muito bom, um espetáculo a parte.

No domingo pela manhã fomos em busca de uma padaria e descobrimos que há pouquíssimas opções para se comer um simples pão na chapa com café. Rodamos bastante pela cidade e graças ao Foursquare encontramos a Ilha dos Pães, uma padaria em um posto de gasolina, foi a salvação. A padaria não era grande, mas oferecia uma boa variedade de produtos. Não sei se é a melhor da ilha, mas foi a que achamos e que tinha um bom atendimento.

PicsArt_1381928157621Com o estômago forrado e o tempo escasso, não perdemos tempo e partimos para conhecer a Cachoeira da Toca, um local muito bonito, e agradável, exceto pelos mosquitos e a água, que estava bem gelada, impossibilitando-nos de aproveitar devidamente sua natureza. É um local simples, mas com uma infraestrutura mínima para proporcionar bons momentos junto à natureza. A entrada custou R$ 15 por pessoa, mas valeu muito a pena. Esperamos voltar em um dia de calor para descer os toboáguas naturais.

Depois da cachoeira, fomos conhecer a famosa Praia da Feiticeira. A praia é bonita, seguindo o padrão da ilha, com areia grossa e faixa curta. A água também não estava muito convidativa, tendo em vista que alguns poucos passos dentro da água e já se está com ela no pescoço. A temperatura também não ajudou. O mais curioso da praia é o casarão que tem a seu lado, muito bonito, mas que por ser propriedade particular, não pudemos chegar muito perto. Ainda assim, gostamos mais da Praia do Julião.

20130929_165151Infelizmente o tempo estava acabando e tínhamos que voltar para casa. Pegamos nossas coisas no Chalé, curtimos a maravilhosa hospitalidade da família do Rodrigo durante um almoço mais que descontraído, e com muito ânimo (só que não), pegamos a estrada de volta para casa.

A Ilha tem seu nome merecido, pois de fato é muito bela, contando com muitas paisagens e atrativos para quem curte a natureza. Foi uma pena ficar tão pouco tempo e que o clima também não ter ajudado muito. É um local para voltar e curtir melhor, afinal ainda há muito o que conhecer.

Sob os trilhos da saudade

“Ói, ói o trem, vem surgindo de trás das montanhas azuis, olha o trem
Ói, ói o trem, vem trazendo de longe as cinzas do velho éon

Ói, já é vem, fumegando, apitando, chamando os que sabem do trem
Ói, é o trem, não precisa passagem nem mesmo bagagem no trem”

trem3Trem Por definição uma série de vagões puxados por uma locomotiva, sob grandes trilhos de ferro. Uma composição ferroviária, muitas vezes de tamanho colossal, que supõe-se ter sido idealizada em 1681 pelo jesuíta belga Ferdinand Verbiest em Pequim. Em 1769, Joseph Cugnot, militar francês, construiu em Paris uma máquina a vapor para o transporte de munições e após várias tentativas fracassadas, Richard Trevithick, engenheiro inglês, conseguiu em 1804, construir uma locomotiva a vapor que conseguiu puxar cinco vagões com dez toneladas de carga e setenta passageiros à velocidade vertiginosa de 8 km. A partir daí também conhecida popularmente como Maria Fumaça.

“Quem vai chorar, quem vai sorrir ?
Quem vai ficar, quem vai partir ?

Pois o trem está chegando, tá chegando na estação
É o trem das sete horas, é o último do sertão, do sertão”

Ahh saudades das viagens de trem… Muito me entristeceu esta semana ver que mais um símbolo da antiga linha férrea está sendo derrubado. O pontilhão que permitia os trens cruzarem a Av. Antônio Emmerich em São Vicente, sentido Estação Ferroviária está sendo derrubado para dar lugar a uma nova estrutura que comportará o VLT (Veículo Leve sob Trilhos). Felizmente é para uma boa causa, o progresso, a modernização, mas ainda assim, este fato não deixa de trazer boas lembranças.

“Ói, olhe o céu, já não é o mesmo céu que você conheceu, não é mais
Vê, ói que céu, é um céu carregado e rajado, suspenso no ar”

Recordo-me como se fosse ontem de minhas férias com meu irmão na casa de meus avós em Pedro de Toledo. Meu avô vinha nos buscar e as 13 horas partíamos com o velho trem de aparência metálica e com seus bancos gastos da extinta estação de Santos rumo a cidade de Registro. A viagem devia levar cerca de 4 horas, uma eternidade para os padrões atuais, mas nem sentíamos esse tempo passar pois além da paisagem maravilhosa, nos deparávamos com várias situações que, para uma criança era uma verdadeira aventura. Conhecíamos pessoas, lanchávamos, acompanhávamos o fiscal conferindo os bilhetes e curtíamos a viagem. Ao chegarmos em nosso destino, lá estava minha avó nos esperando com seu sorriso no rosto e os braços abertos. Beijos e abraços, pegávamos nossas malas e caminhávamos ladeiras abaixo (e acima), acompanhados até chegar em casa pelo pôr do sol sob a natureza que predominava na cidade.

“Vê, é o sinal, é o sinal das trombetas, dos anjos e dos guardiões
Ói, lá vem Deus, deslizando no céu entre brumas de mil megatons

Ói, olhe o mal, vem de braços e abraços com o bem num romance astral”

trem1O tempo passou e linha férrea não existe mais, como também a estação ferroviária de Santos, a de São Vicente e todas as demais que, passávamos acompanhados do alto apito do maquinista, e que nos aguçava a expectativa de estarmos cada vez mais próximos de nosso destino.
O progresso está chegando e as memórias ficando cada vez mais distantes. Sinto por esta realidade não existir mais, o sentimento se foi e nossos descendentes dificilmente poderão entender e até mesmo sentir o que vivemos. Além da nostalgia, ficam as gastas fotos, os grupos de discussão dos amantes dos trens e a bela música composta e maravilhosamente interpretada pelo Rauzito, pêga emprestada para intercalar os modestos e nostálgicos parágrafos deste texto.

Os trilhos, as estações e o pontilhão se vão, mas as lembranças permanecem na esperança de um dia serem revividas.

Lições sobre a vida, o universo e tudo mais

bau_tesouroNossa memória nada mais é do que um velho baú empoeirado. Uns mais outros menos, porém todos nós temos neles diversos itens de grande importância, como lembranças e experiências as quais passamos durante nossa vida e, vez ou outra alguma dessas vem a tona. Foi o que aconteceu na semana passada, quando ouvindo meus amigos do Grande Coisa num bate papo sobre antigos programas de TV, revivi grandes cenas as quais aprendi muito em minha vida. Estou falando do clássico programa “O Mundo de Beakman“.

beakmanO programa era sensacional, apresentado por um meio professor, meio cientista louco, sua assistente e um rato gigante. A descontração era total e o mais importante foi o quanto nós — crianças — aprendemos com esse trio. De perguntas simples às mais complexas, passando por causos da história mundial, da física, da biologia e até de astronomia, além de situações pra lá de bizarras, tudo era respondido e de uma maneira tão simples, que qualquer um podia entender. Ahh se todos os professores fossem como o Beakman!

Aproveitei a deixa e procurei na Internet os capítulos há muito armazenados no grande e velho baú e, para minha surpresa, consegui achar toda a série, e com dublagem original. Não pude resistir e estou a cada dia matando a saudade, capítulo por capítulo.

O mais interessante é que ao assisti-los, mais lembranças vieram a tona. Aos poucos fui lembrando dos grandes mestres que contribuíram para eu eu estar aqui e ser que em sou hoje.

A  lembrança mais remota (e empoeirada) começa no colégio Lobo Vianna, com a professora Salete, do jardim/pré-escola. As memórias do dia a dia são escassas, mas a imagem dela e de seu apoio a este jovem estão lá no fundo. Sei que no início não gostava dela, mas com o tempo ela ganhou a minha simpatia e um lugar no grande baú. Pouco tempo depois foi a professora Beth, da primeira série, um amor de pessoa, com seu grande óculos e seus cabelos louros. Foi difícil saber que tinha passado de ano e teria outra professora.

O tempo passou e do ginásio recordo-me da Eliana, minha professora de língua portuguesa e inglesa, que entendia minha insatisfação e incentivou-me a escrever minha primeira obra, um livro para ensinar inglês a minha maneira. Tenho até hoje o manuscrito. Isa, minha professora de Educação Artística, que tanto me apoiou para que eu desenvolvesse minha aptidão com o lápis, e assim aprimorar meus desenhos. Não foram muitos que sobreviveram ao tempo, mas ainda tenho alguns deles guardados.

Outro destaque da mesma época, e também muito merecido, vai para o professor Alfonso, de história. Este foi um dos grandes responsáveis por minha veia contestadora que levaria-me futuramente ao jornalismo.

Saindo do foco escola, posso lembrar-me também do Sensei Marcelo Yonamine e Sensei Mauri, que me ensinaram a canalizar minhas energias, formando meu corpo na filosofia das artes marciais através do karatê.

No colegial tive o prazer de ter aula com Antônio Menezes de Oliveira. Esse sim era um mestre de verdade, como poucos o são hoje em dia. Era rígido dentro da sala de aula. Seu nível de exigência para com seus alunos era o mais alto possível. Tratava-nos como adultos conscientes das consequências de nossos atos. Era um exemplo em si. Seus ensinamentos iam muito além da língua e literatura portuguesa, eram ensinamentos para vida, para reforçar nosso caráter. Este foi meu grande incentivador a continuar meus estudos, alçando vôo na Universidade.  Um dos maiores prazeres que tive foi, após passar no vestibular (coisa que na minha época era difícil e um feito de poucos), voltar à escola e agradece-lo, bem como ao professor Alfonso pelo apoio. Lembro claramente do sentimento de orgulho em ambos. Uma energia extremamente positiva que dava-me ainda mais forças para seguir em frente, e a qual nunca poderei esquecer.

Não posso deixar de agradecer também as professoras Vera (Matemática/Física) e Lídia (inglês), também conhecida entre os alunos como “bolinho”, por terem tido “paciência” de aguentar minhas contestações e sede por conhecimentos. Naquele momento eu queria alçar vôos ainda maiores, porém elas não estavam preparadas para isso e não puderam entender. Paciência… ainda assim as agradeço.

No meio do caminho conheci a professora Leila, no curso de inglês que fazia. O mais interessante é que o melhor do curso não eram as aulas de inglês, mas nossas conversas após a aula, sobre política, literatura e ciência. Ela foi a responsável por me ajudar a transitar da literatura infanto-juvenil à literatura adulta, apresentando novos segmentos de leitura. Cristiane F., A Revolução dos Bichos, 1984, Admirável Mundo Novo foram alguns dos livros que esta professora me apresentou, e que até hoje estão entre meus Top 10.

como-solicitar-becas-estudios-L-5rY0W1Ahhh a Universidade! Na falta de um curso universitário, fiz dois, mas poucos professores destacaram-se tanto quanto Gerson Moreira Linha, responsável por apresentar a magia do jornalismo, Dirceu Lopes, responsável por quebrar a magia do jornalismo e apresentar-nos a realidade, Tadeu Nascimento por nos mostrar uma nova forma de ver o mundo e representá-lo através da arte da fotografia, Claudio Lemos, meu querido xará, que incentivou-me na arte do design e diagramação, fundamentais para minha carreira. Paulo Cândido meu caro orientador e amigo, que me apoiou mesmo quando todos estavam contra. Ao final e não menos importante está Walter Lima, meu maior incentivador a avançar pelo desconhecido, aguçando minha percepção para as novas tecnologias e suas possibilidades. Se hoje a tecnologia paga o pão nosso de cada dia, esse cara é o responsável. Obrigado.

Depois da Universidade, fiz diversos cursos e agradeço pelo conhecimento adquirido, porém nenhum destacou-se como meu curso intensivo de língua espanhola. Paulo Della Rosa Junior, este querido professor destacou-se por ser diferente, por propor um forma diferente de aprender, na prática, além de apoiar-me em um momento de pressão que eu estava passando. Precisava aprender rapidamente e ele não apenas entendeu minha necessidade, como teve o cuidado de me apresentar os bastidores da língua e seus praticantes, dicas as quais nunca esqueci, e que por diversas vezes foram o meu diferencial, tudo isso em 3,5 meses. Fico imensamente grato, pois graças a ele consegui até ministrar um curso inteiramente em espanhol no Chile.

Não tão importantes quanto os de carne e osso, mas grandes mestres da TV, literatura e sétima arte também têm um espaço reservado no baú: Mestre Yoda, Sr. Miyagi, Professor Girafales, Prof. Dumbledore, Prof.  Henry ‘Indiana’ Jones Jr, Prof. Xavier, Professora Helena, Professor Pardal, Professor Tibúrcio, entre muito outros.

Assim, termino aqui agradecendo mais uma vez a todos os mestres citados e aos não citados, pois foram responsáveis por quem sou hoje. E você, quem são seus mestres?

%d bloggers like this: