Horizonte de Eventos

Reflexões sobre a vida, o universo e tudo mais

A síndrome do Projeto Alienígena

Em meus anos de experiência profissional me deparei com diversos tipos de iniciativas e projetos, desde o mais difícil e complexo até aquele que tiramos de letra, sabendo exatamente o que precisava ser feito. Já fui desenvolvedor, depois analista, então sei bem como é estar na linha de frente de um projeto, com uma data de entrega se aproximando, com a pressão do gerente e do cliente, mas ainda assim, sabia que era possível fazer o que precisava ser feito e ainda concluir a entrega.

Anos se passaram e minha história tomou um rumo um pouco diferente do desenvolvimento, passei a cuidar do “como” fazer as coisas, com a aplicação de processos, padrões e metodologias. Foi aí que me deparei com um tipo desconhecido de projeto, o “Projeto Alienígena”.

Não se assuste caro leitor, este não se trata de um texto inspirado em alguma invasão alienígena ou mesmo na famosa Guerra dos Mundos de H. G. Wells, mas sim em algo bem mundano, o medo de fazer diferente e o medo do controle.
top_secret2Um “Projeto Alienígena” é aquele que é colocado como sendo tão diferente de tudo o que existe, que não seria possível, segundo o time e o próprio Gerente de Projeto, adotar nenhum processo, metodologia ou padrão. É como se ele se destacasse dos demais, como sendo algo tão fora do senso comum, que somente o jeito que está sendo conduzido é o certo e proverá resultado, como se estivesse numa redoma. Este projeto não pode ser tocado, não pode seguir práticas conhecidas e adotadas pela companhia, e o pior de tudo, não pode ser controlado. Notem aqui que não estou me referindo a projetos de experimentação ou disruptivos, mas projetos do dia a dia.

Agora, vamos refletir rapidamente sobre o sentido destes elementos: um processo existe para obtenção de um resultado que agregue valor, uma metodologia existe para garantir um método claro e objetivo, um “como” chegar no resultado esperado, e os padrões para dar possibilidade de medir, garantir que nada foi esquecido e que no futuro a manutenibilidade deste desenvolvimento será facilitada. Seria mesmo tão absurdo assim utilizá-los neste projeto? E por que não usar?

Ao longo do tempo já me deparei com diversos projetos alienígenas e o resultado dos mesmos, ainda que com toda boa intensão dos gerentes de projetos e dos times, não são tão satisfatório como gostariam, caracterizando-se por projetos mal documentados, com datas comprometidas, custo alto e escopo continuamente variável, mas que justamente pela falta de controle, ficam desapercebidos da alta gerência, iludida por um modismo ou mesmo pela perspectiva de estaria reduzindo a “burocracia”. Ao final o resultado entregue distancia-se do objetivo inicial e o valor entregue é bem aquém àquele esperado, sendo positivo apenas para o desenvolvimento. E onde está o valor para o negócio? Onde está a captura do benefício na cadeia de valor frente ao tempo e custo deste projeto alienígena.

Um processo bem definido é ágil e entrega valor sem gerar burocracia, a metodologia certa, sendo utilizada corretamente proporciona uma visão de resultado de sucesso e os padrões irão eliminar os desperdícios, o retrabalho e proporcionar conformidade.

Convido meus amigos gestores a refletirem sobre isso, e repensarem que um profissional de processos tem o mesmo objetivo de entregar valor, e não é devido ao uso do processo, metodologia ou padrão que este valor não será alcançado, ou mesmo que será prolongado ao longo do tempo. Um processo bem definido é ágil e entrega valor sem gerar burocracia, a metodologia certa, sendo utilizada corretamente proporciona uma visão de resultado de sucesso e os padrões irão eliminar os desperdícios, o retrabalho e proporcionar conformidade. Pensem nos benefícios.

Sendo assim, não seja mais um abduzido pela síndrome do projeto alienígena. Junte-se a Resistência a caminho do sucesso!

Manager walking on the road to success

A perspectiva das caixas em nossa vida

Há algum tempo atrás eu estava em uma reunião e um dos participantes particularmente me chamou a atenção. Ele discursava diante de todos os presentes com grande entusiasmo, demostrando claramente sua senioridade e experiência profissional, mas dentre tantas frases, uma em especial me chamou a atenção, a insistência dele na frase “precisamos pensar fora da caixa“. Não que seja uma frase nova para mim, eu até a tenho utilizado muito, mas de tanto ele martelar acabei ficando incomodado. Será que estaríamos sendo tão conservadores assim, para justificar esta avalanche?

Saí de lá, mas continuei com a frase na cabeça. Precisava pensar mais sobre aquilo, não pelo cenário exposto na reunião em si, mas o por quê daquela frase estar sendo tão incessantemente proferida. Já virou até clichê no mundo corporativo.

A caixa

Ao refletir sobre o assunto percebi que esta questão envolve o cerne do ser humano e está presente desde antes de nosso nascimento. O mundo em que vivemos nada mais é do que uma caixa dentro de outra caixa, e quando passamos a fazer parte dele adentramos infinitas dimensões de caixas sobre caixas durante toda nossa vida, sejam estas físicas ou comportamentais.

Existe uma caixa enorme chamada universo, ao qual existe um sistema dentro, uma caixa a qual contém planetas e um destes representa uma caixa para nós homens.

Nós seres humanos somos gerados em uma caixa, daí nascemos e logo somos colocados em diversas outras caixas. Nossa vida se resume a cada vez mais nos colocarmos em caixas. Nossa casa, a escola, nosso carro, o elevador da empresa, a empresa, o mercado, a casa dos amigos, o barzinho, a balada, o ônibus…

Tudo se resume a caixas as quais nos permitimos fazer parte, ora por vontade própria, ora por imposição. No caso do segundo, acrescentamos às caixas físicas as comportamentais, que ditam os padrões a serem seguidos e que devemos nos enquadrar, ou melhor, nos encaixar para estarmos bem com a sociedade.

Mas será que todos queremos nos encaixar? Não tem nada de errado com este cenário. Até o considero natural ao ser humano, e o homem moderno, com seu desenvolvendo e tecnologias cada vez mais presentes está cada vez mais envolto em caixas. Pare para pensar no seu dia desde o momento que abriu os olhos, abra a mente e olhe para os lados… perceba o quanto está envolvo em caixas, tanto que inevitavelmente ao final de nossas vidas, acabamos sendo colocados em mais uma caixa.

esconder-dentro-da-caixa-6369498 (1)Diante disso, ao refletir sobre nossa vida, olhar para o lado e ver caixas e mais caixas, questiono-me se de fato é possível pensar fora da caixa, ou se estamos nos iludindo, sem perceber que apenas estamos trocando de caixa? Será que estes padrões estabelecidos pela sociedade os quais deveríamos nos encaixar ainda fazem sentido?

Para mim, pensar fora da caixa é fundamental, necessário e significa essencialmente refletir sobre o que de fato importa, estar disposto a abandonar as caixas que não nos servem mais, e dedicarmos-nos àquelas que nos são valiosas, seja profissional ou pessoalmente. As caixas estão em todos os lugares, de todos os tipos e tamanhos, só precisamos enxergar em quais queremos entrar e focar nestas que vão de encontro ao nossos objetivos.

A clareza surgida da escuridão

dark-nature-wallpaper-photo-is-cool-wallpapersOs postes da rua ascenderam-se. Era anunciada mais uma noite. A luz gentilmente oferecida por nosso astro rei foi se esvaindo a cada minuto. Pouco tempo depois o fundo da paisagem já se apresentava outro, escondido pelas cortinas da noite que adentrava sem pedir licença.

As horas foram passando, e nós humanos já acostumados com esta rotina, mal percebíamos o que estava acontecendo. O fenômeno é natural, rotação e trasladação, mas a beleza da orquestração oferecida pelo universo por poucos ainda era contemplada.

Para surpresa de muitos, os faróis da noite apagaram-se sem qualquer motivo aparente. De fato, o motivo para estes era indiferente, pois para estes muitos a segurança se foi. Se perguntaram o que teria acontecido. O tempo passou e nenhuma resposta foi dada. Seria o fim?

Para alguns talvez, dependentes de fatores externos e tecnologias longe de sustentáveis, este Homem tornou-se dependente de suas criações, deixando de lado a natureza que o cerca. E qual melhor momento para contemplar, senão aquele em que não temos nenhuma distração.

A escuridão que tomou lugar permitiu a contemplação da natureza como algo maior, algo simples, mas de uma força inestimável. A clareza que aflorava desta escuridão era uma só, e trazia uma única certeza: estamos nos distanciando da natureza e dos fenômenos que nos cercam. Estamos valorizando dependências para nossa sobrevivência que na verdade são secundárias e frágeis.

É somente através da escuridão que conseguimos enxergar a luz, haja vista as estrelas que em sua maioria são vistas apenas a noite.

A escuridão também nos permite dar mais atenção a cada passo dado, trazendo cautela e um senso de busca por uma segurança a qual, mesmo sem sabermos se existe, faz com que alguns repensem, ousem, tentem superar suas dificuldades e avançar ainda mais, enquanto faz com que outros se acovardem e tornem-se vítimas de seu próprio medo e insegurança.

Improdutividade Corporativa

O início do século XX foi marcado pelo aumento da produtividade industrial, ao qual as empresas investiram em maquinários  e na serialização do trabalho. Neste momento o modelo fordiano representou uma revolução para a indústria e alavancou avanços tecnológicos, mas para a segunda metade do mesmo século este modelo passou a não ser mais suficiente.

A globalização mostrou-se cada vez mais presente, e consigo mudou a forma das empresas verem seus, funcionários, fornecedores e clientes. improdutividade02A cada momento novas frentes se deslocavam do local para o global, e com isso as exigências do mercado cresceram em velocidades cada vez mais altas. Com este cenário, os profissionais deixaram de fazer aquilo que sempre fizeram para ter que fazer cada vez mais, elevando suas possibilidades, absorvendo novas funçõese agregando atividades que antes eram divididas. Daí nasceu a célebre frase: “Fazer mais com menos”. Mas será que isso é realmente possível ou apenas uma ilusão a qual nos sentimos confortáveis diante das exigências que nos são impostas?

Gosto de pensar que tudo o que fazemos é, de alguma maneira, uma representação das leis da natureza e, esta mostra que com uma semente só é possível plantar uma árvore, mas com uma árvore podemos colher várias sementes. Minha interpretação disso é o que alguns estudiosos, como José Davi Furlan estão começando a defender, o correto e consciente não é fazer mais com menos, mas fazer “mais com o mesmo”. Não é natural diminuirmos os insumos e esperarmos um aumento da produção. Isso na realidade não é possível, mas preferimos nos iludir com esta frase em moda, pois os executivos a proferem como uma verdade absoluta.

Ainda assim, a chave para o “Fazer mais com o mesmo” está na também famosa produtividade. Mas o que
seria produtividade? Segundo  em seu artigo “What is Productivity and Why is it Important?“, produtividade, em tradução livre, é:

“… simplesmente uma medida do quanto nosso tempo é gasto para gerar os resultados desejados, e se estamos fazendo de forma efetiva.”

Ainda no artigo, o autor relaciona produtividade à quantidade de tempo gasto produzindo algo que realmente cria valor, o problema é que as empresas cobram por produtividade, mas impõem atividades que não estão relacionadas a valor, ou melhor, muito do que fazemos nas empresas tem pouca ou nenhuma relação com os resultados esperados pelo nosso trabalho.

Entre estas atividades estão reuniões intermináveis e recorrentes, trocas de e-mails, planilhas e apresentações que de nada servem para o resultado que a companhia busca. Geramos documentos para justificar o trabalho realizado ou até a realizar, e gastamos tempo nestes ao invés de produzirmos resultados. Não é isso que faz as corporações prosperarem, pelo contrário, as mantém no buraco da burocracia criada por ela mesma.

Empresas e profissionais produtivos trabalham para o resultado, eliminando gargalos e falhas no processo, e não criando inúmeros pontos de controle para medir e comprovar que algo que já se sabia, de fato acontece. Estes muitos controles e cadeias de aprovações só nos distanciam das reais causas e, por consequência dos resultados.

improdutividade01Já passei por diversas empresas e, mesmo quando converso com outros profissionais, a situação da burocracia e das muitas atividades não produtivas as quais somos obrigados a realizar tem sido cada vez mais presente. Há momentos em que os profissionais dedicam-se tanto a estas improdutivas atividades que ao chegarem no final do dia sentem-se frustrados, pois mesmo cansados, não sentem que fizeram a diferença e que produziram resultados.

Já passou da hora das empresas e, principalmente das pessoas começarem a focar no que realmente é importante e direcionar seu esforço para as atividades que agregam valor e proporcionam insumos para este resultado. Os direcionadores do século XXI são a otimização dos recursos existentes, simplificação dos processos e valorização do capital humano.

Lembro que não basta esperarmos que aconteça, ou até mesmo que seja algo simples e fácil. Esse tipo de mudança não é incremental, mas disruptiva. Para enfrentarmos o que está por vir a famosa “melhoria contínua” não é suficiente, mas sim um modelo transformacional, ao qual repense o negócio e como fazemos parte dele.

Paradigmas que se quebram como vidro

Time-for-Change_0Mudanças são comuns em todos os ambientes, desde o big bang, o universo segue em constante mudança. Cada partícula dele é extremamente importante para seu desenvolvimento e, ainda assim estão sempre mudando, e é devido a isso que temoos umas infinidade de eventos magníficos que reconstroem este universo a todo momento.

Mas não precisamos ir tão longe, a natureza que nos cerca também nos apresenta o quanto é normal e natural mudar. Ela nos mostra que o domínio é do mais forte, porém a sobrevivência é daquele que melhor se adapta. Se analisarmos a história da humanidade ao longo dos séculos, os fatores mudança, adaptabilidade e evolução ficam bem evidentes. Então por que resistimos tanto?

Obviamente que o controle nos traz segurança e, de fato nossa sociedade hoje está baseada nela, mas por quanto tempo?

Os moldes e padrões estabelecidos sobrevivem por um tempo, mas não para sempre. Atualmente estamos vivendo este momento de ruptura. Não mais aceitamos as coisas como são, tornamos-nos questionadores, percebemos que podemos tomar decisões para nós mesmos, as quais nos permitirão desfrutar de uma vida melhor.

Há muito tempo deixamos de viver para dar importância para o sobreviver. Isso é de certa forma conveniente e aparentemente necessário, mas atualmente o que vale é a experiência que vivenciamos, e para isso, cada elo, cada engrenagem do universo precisa mudar, precisa adaptar-se.

Tecnologias vêm, novos serviços focados na melhor satisfação se tornam cada vez mais comuns e os clientes deixam de ser um grupo rotulado e a ser estudado, para serem constituídos de cada um de nós, todos juntos ao mesmo tempo, formando um ecossistema sustentável, consumidor de experiências sobre produtos e serviços. Isso é evoluir. Este é o momento que estamos vivendo.

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Ficar preso às amarras da segurança e do porquê sempre foi feito assim, levará muitos à morte, enquanto poucos serão aqueles que, além da visão de futuro, adaptar-se-ão a ele.

A beleza de um amanhecer chuvoso

Rain-5Ainda escuro, o dia preguiçosamente relutava em amanhecer. O sol nem dava sinal de sua luz, estava ocupado com o outro hemisfério. Aqui era a chuva que predominava, nos brindando uma temperatura agradável com seus dezesseis graus.

Ao deparar-se com ela, diante das luzes que regem as madrugadas da civilização, era possível compreender a força e majestosa precisão imposta pela sua natureza.

As formas únicas imprimiam uma tela exuberante, sendo o vento o pincel do artista, direcionando firmemente os contornos e seus preenchimentos. Diferentemente de uma pintura regular, esta apresentava não apenas uma imagem, mas junto a ela, o seu relevo, sua textura e seu cheiro.

Uma sensação única de prazer e impotência, afinal apesar da beleza, suas características não poderiam ser somente apreciadas. Era necessário enfrentar esta expressão da natureza, adentrando sua obra, invadindo-a sem pedir licença, mas ainda assim, tentando parecer imperceptível a sua grandiosidade.

Mas talvez este mero observador já estivesse destinado a parte desta paisagem esculpida, pois para o espectador que acabara de dar-se conta do espetáculo, ali estava a natureza sendo desafiada pelo humilde homem com suas calças molhadas e seu singelo guarda-chuva.

A insatisfação de viver no passado

passado-presente-futuroO tempo passou, já estamos no meio da segunda década do século XXI e estamos vivendo como no século passado, influenciados pela urgência de tudo, pela pressa de crescer e expandir-se, e principalmente pela necessidade de sobrevivência no lugar da vivência, mas será que esta característica marcante do século passado ainda faz sentido neste?

O crescimento das empresas no século passado foi tamanho que nas últimas décadas muitas empresas não tinham mais para onde crescer, daí vieram as incorporações, onde as empresas passaram a se juntarem formando grandes conglomerados corporativos, com isso os produtos e serviços viraram commodities, ou seja, algo intrínseco ao dia a dia e, para que as empresas se destacassem, a diferenciação passou a tomar destaque nas discussões estratégicas.

Não que esta tendência pudesse ser diferente ou menos não fosse necessária, de fato o cliente hoje quer produtos e serviços exclusivos, nas não apenas no formato como as companhias estão fazendo, mas na experiência. A experiência do cliente ao adquirir um produto ou serviço ainda hoje é um campo muito pouco explorado pelas empresas, sejam elas simples como uma lanchonete ou restaurante como para as grandes corporações. Essas empresas ainda querem forçar aos clientes uma produção em massa daquilo que elas julgam ser o que o cliente quer, daí a célebre diferença entre foco no cliente e foco do cliente.

Do outro lado estão pessoas comuns, funcionários e parceiros destas empresas, e que em muitos casos também vestem o chapéu de clientes. A sede pela produção massificada destes produtos e serviços gera um alto índice de pressão sobre estas pessoas, que têm que fazer muito mais do que pelo qual foram contratadas ou até mesmo são capazes.

Atividades em paralelo, a busca constante por novos modelos e formas de fisgar os clientes, o fazer mais com menos, tudo isso está indo na contramão daquilo que o cliente realmente busca, que é a satisfação diante da experiência com o produto e serviço.

Ainda assim as empresas insistem que tudo tem que ser para ontem, muitas atividades e iniciativas são postas para execução em paralelo, sem que uma boa estratégia holística tenha sido definida, ou seja, hoje dentro das organizações criamos mais trabalho do que resultados para os clientes.

O controle da linha de produção dos produtos ou até mesmo do atendimento dos serviços já não se faz mais suficiente. Somos cobrados pelo controle do controle do controle e nada disso é percebido pelo cliente, pois este quer apenas uma experiência satisfatória.

Entendo que controles são necessários, porém as empresas precisam de visão estratégica do negócio, visão de fora para dentro e, a partir daí, simplificar seus processos com foco nos resultados, eliminando-se os gargalos, as burocracias, as intermináveis reuniões que discutem o sexo dos anjos, mas que não resultam em decisões estratégicas, cortar as muitas atividades em paralelo que com o objetivo de agilizar, somente atrapalham e impactam na qualidade das entregas, eliminar intermediários que floreiam as soluções, geram muito papel e apresentações dignas de prêmios, mas nenhum resultado que interesse para os clientes.

Enquanto essas empresas se preocuparem com o excesso de trabalho e apenas em fisgar o cliente, ninguém vive a vida, ninguém satisfaz-se com nada, e de que adianta? Uma hora as pessoas vão perceber que estão vivendo no século errado, que estão no passado e estas empresas não estão alinhadas a seus objetivos de vida, e quando isso acontecer, as barreiras vão cair, e então deixaremos de sobreviver no século XX e aí sim começaremos a viver no século XXI.

Tempo-de-viver-coisas-novas_

A política dentro de nós

Já que comecei a abordar assuntos polêmicos no artigo A incompetência do Gigante, volto aqui mais uma vez para expressar minha humilde opinião sobre o momento político que estamos passando.

A Era de Péricles - Philipp Von Foltz de 1853A ideia política iniciou-se na Grécia Antiga, onde as praças eram ao mesmo tempo palanques e plenária, então conhecidas como Assembleias dos Cidadãos, sendo ainda considerada berço da democracia, inclusive com o uso do voto como ferramenta. O tempo passou e muito desta política foi esquecida. A cada ano que passa o que temos é cada vez mais um show… de horrores eu acrescentaria. Feito por privilegiados e destinados à massa.

Uma das características que mais definem os brasileiros é o jeitinho que dão para tudo, mesmo que muitas vezes seja para burlar as regras e processos definidos, e é exatamente este diferencial que nos torna tão corruptos, e nos trouxe no caos que estamos. Ou não estamos?

A definição de bom ou ruim não recai sobre uma verdade absoluta, mas sim sob um critério, mesmo que inconsciente, comparativo. Comparação esta que está sujeita a inúmeras variáveis, e principalmente pontos de vista. O que de fato é bom? Seria este bom igual e suficientemente para todos?

Muito me impressiona pessoas reclamarem da corrupção e da política, mas que é tão corrupto quanto, quando colocado em determinadas situações favoráveis à esta, mesmo que nas pequenas coisas, o brasileiro se corrompe muito fácil. Haja vista a velha conhecida Lei de Gerson, onde a vantagem daquele que está em situação favorável sobrepõe-se sob os demais, e exemplos não faltam, espertos que:

  • andam com seus veículos em velocidades proibidas pois sabem que não há fiscalização;
  • andam nos acostamentos ultrapassando aqueles que estão esperando no congestionamento;
  • falsificam identidades para entrar em lugares ou pagar menos;
  • ficam conscientemente com o troco errado que lhe foi dado por descuido do atendente;
  • tiram vantagem das ignorância ou deficiência de outros semelhantes;

Exemplos não faltam, portanto que moral têm estas pessoas em criticar os governantes corruptos? Eles são meros reflexos de nós mesmos. Agora, será que de fato estamos sob um governo tão caótico, como está sendo pintado na mídia e nas redes sociais? Será que as referências as quais estamos comparando estão corretas?

Olho_BrasilO brasileiro é um povo de memória curta. Passamos por momentos recentes e vergonhosos em nossa história e continuamos somente a reclamar, mas agir, aí é outra história. O processo de crescimento de uma pessoa é longo, desde seu nascimento até sua inserção na sociedade como parte de uma engrenagem viva, o que dirá da maturidade deste povo, que prefere fechar os olhos não ver o que acontece no mundo real?

Lembro-me de meus pais há anos atrás se desdobrando para sustentar meu irmão e eu, e ainda fazendo parecer que tudo estava bem. Sofremos com a ditadura, com a inflação, com os congelamentos de salários, com os saques de nosso suado dinheiro de nossas humildes economias e os inúmeros planos econômicos que tivemos, com as fronteiras fechadas para o mundo, com a ignorância de poucos poderosos, entre outras coisas. Tudo isso em razão de uma corrupção não declarada. Mas ainda assim julgamos o governo que evidencia os problemas e esta corrupção como ruim, quando na verdade ele é benefício para o processo de maturidade do povo. O quão hipócritas ainda podemos ser?

E hoje… Ahh como estamos vivendo a beira do caos… sentados em nossas casas próprias, mesmo que financiadas, com nossa mobília nova, bonita e confortável, com televisões de LED assistindo a novela das 8 na mais alta definição, com os mais novos modelos de computadores, tablets e smartphones na palma da mão, conectados ao mundo através da rede mundial de computadores, a Internet. Sem contar o carro na garagem e as viagens pelo país e pelo mundo que temos disponíveis a poucos passos. As muitas filas, sacolas recheadas de compras e futilidades as quais estamos rodeados. Ostentação. A vida está mesmo muito difícil neste país.

Se olharmos para trás veremos que já estivemos muito pior, e que não existe caminhos sem obstáculos e muitas vezes decepções. Tomamos decisões todos os dias, algumas certas e outras nem tanto, afinal somos humanos. Só precisamos reforçar esta humanidade em prol do bem comum.

educação-brasil-281x300De nada adianta o gigante acordar para somente reclamar ou trocar os governantes por outros tão ruins quanto. Quantos de nós sabem de fato administrar algo mais que suas próprias vidas? Quantos sabem o que fazer política e estar no comando realmente significa? A revolução está na base, nos valores que a cada dia que passa se perdem com o vento. Está em assumir as responsabilidades pelas decisões e cobrar de si o que cobramos dos outros.

Aplicando à política governamental atual, não se deixem influenciar pela publicidade, pois esta é apenas uma ferramenta de venda, só serve para isso. Investigue, pesquise, cubra-se de argumentos sólidos para depois tomar sua decisão. Depois de tomada, assuma responsabilidade sob ela, cobre para que as coisas aconteçam, e o mais importante, se errou na decisão, reflita sobre o erro e continue no processo de tomada de decisão consciente. Só assim estaremos de fato comprometidos com um futuro melhor, sustentável e justo para todos.

Seríamos nós virados no Jiraya?

Jiraya_Again_by_kirschnerHá muito anos ouço o termo “Virado no Jiraya” e, apesar de entender o sentido da frase, não conseguia compreender a relação do personagem do nostálgico seriado japonês com uma situação agitada a qual alguém poderia estar passando. Estar virado no Jiraya é estar agitado, por vezes nervoso e, em casos patológicos pode estar associado com a hiperatividade de um determinado indivíduo. Ainda assim, nunca de fato utilizei este termo, pois nunca concordei.

Sekai Ninja Sen Jiraiya (世界忍者戦ジライヤ), traduzido como Guerra Mundial dos Ninjas Jiraiya e lançado no Brasil sob o título de Jiraiya, o Incrível Ninja) é uma série de televisão japonesa do gênero tokusatsu, pertencente à franquia dos Metal Heroes. (Fonte: Wikipedia)

O mais interessante é que após rever o seriado o sentimento ao refletir sobre o termo é outro. A cada episódio nos deparamos com o personagem principal evoluindo não apenas na arte ninja, mas também como ser humano, aprendendo a valorizar a vida sob os bens materiais, enfrentando batalhas que, a princípio pareciam impossíveis e muitas vezes sem as armas necessárias para vencer, mas que ainda assim mostrava-se firme e perseverante, tendo como foco vencer, seja qual inimigo fosse, colocando para os expectadores que a luta por um ideal de paz para a humanidade pode ser a maior recompensa possível.

Pessoa na corda bamba entre bem e malOs ensinamentos ninja da série podem ser aplicados no dia a dia por qualquer um, em ações simples de respeito ao próximo e que valorizem o ser humano acima de tudo. Sendo assim, reforço que não entendo o motivo de rotularem pessoas agitadas assim. A sabedoria de um ninja não está em mostrar-se, na luta ou nas armas que sabe manejar, mas no respeito pelo seu semelhante e pela natureza.

Se as pessoas assistissem e entendessem a mensagem da série, tenho certeza que este termo seria muito melhor empregado com muitos Jirayas praticando o bem maior.

A incompetência do gigante

web1146Assim como no futebol, no mundo corporativo os goals são as metas as quais devemos alcançar. Estamos ali para isso, trabalhamos duro para atingí-las e como qualquer profissional, as vezes conseguimos, outras não.

Quem me conhece sabe que não sou nem um pouco fã de futebol, mas uma coisa não posso negar, essa era a chance de nos mostrarmos para o mundo. De apresentarmos os brasileiros como profissionais, capazes de planejar e seguir com os processos, prover garantias para o turista e desmistificar os rótulos pejorativos acumulados durante nossa história. Mas o que fizemos? Em vez disso só mostramos que não estamos preparados para o mundo. Nosso nível de maturidade diante do mundo está mais baixo do que eles poderiam imaginar.

O respeito e as atitudes dos japoneses, sejam os jogadores ou os torcedores que vieram para cá só corroboraram de que ainda estamos longe de podermos sentar numa mesa e comermos de garfo e faca, sem nos sujarmos. E ao final, nossa equipe perde e novamente mostramos para o mundo que não sabemos perder, o orgulho dos brasileiros fala mais forte e o desrespeito impera. Antes todos estavam torcendo para os heróis, agora estão condenando aqueles à forca. Onde está a energia, o patriotismo até a pouco explodindo a plenos pulmões?

Onde foi parar esta garra por justiça nas muitas ocasiões que realmente somos injustiçados, massacrados por políticos corruptos e opressores? E o pior é que os poucos que se levantam são calados a força e ridicularizados pela própria população que estão defendendo, e que deveria também estar ali, lutando por seus direitos. Mas é mais fácil fechar os olhos e deixar tudo como está, ligar a televisão e assistir seu time do coração. Ahh hipocrisia.

bolaO futebol deixou de ser um esporte para o brasileiro há muitos anos para tornar-se um espetáculo. Hoje é religião para os torcedores, ferramenta de manipulação política para aqueles que estão no poder e uma oportunidade de encher os bolsos de dinheiro para aqueles que estão nos bastidores. Mas qual o problema, afinal somos o país do futebol… e da falta de edução, saúde, segurança…

A Copa foi uma representação fiel do que é o Brasil, um país caótico, com uma população que não se respeita, que quer levar vantagem em tudo e, é claro muita corrupção enquanto a massa alienada se diverte.

Não assisti nenhum jogo, como já costumo fazer em todas as Copas, mas num mundo conectado por redes sociais, é impossível não saber o que esta acontecendo e não sentir pena dessa realidade pequena.  Alienação da massa… ahh minhas aulas de comunicação… que saudade!

E por que perdemos? Muito simples meu caro Watson, porque temos uma equipe de estrelas e egos, quando deveríamos ter um time, com foco, estrategia  e objetivos claros, cientes de seu papel e sua responsabilidade.

Enquanto no mundo real as pessoas tem que trabalhar, batalhar muito para atingir seus goals, no Brasil muitos ainda preferem faltar no trabalho para ver um jogo, gastar suas economias em um ingresso superfaturado, enquanto os filhos mal tem o que vestir ou comer. Torcer de bolso vazio para aqueles que não têm mais nem bolsos para carregar seus milhões.

No mundo real quem não atinge as metas não recebe, e em muitos casos fica até desempregado. Quem dera isso fosse realidade em todas as esferas, como no futebol e na política por exemplo. Ahh, aí sim este, há muito tempo chamado de país do futuro, partida ser considerado uma nação.

O Brasil perdeu a Copa do mundo de futebol, mas ganhou a Olimpíada Internacional de Astronomia e Astrofísica. Quantos brasileiros se orgulham disso? Quantos saíram na ruas para comemorar?

Como dizia um velho professor… “ESSA É PRA PENSAR EM CASA”.

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