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A síndrome do cardápio fujão

???????????????Há muito tempo deparo-me com profissionais com esta síndrome e, por até hoje não ter visto nenhum estudo focado em seu tratamento, resolvi comentar aqui, e quem sabe alertar a população desta situação, que a cada dia espalha-se nos restaurantes e lanchonetes do Brasil.

Reflitam sobre a cena: você resolve ir a um restaurante ou lanchonete, seja por qualquer motivo,  seja ele conhecido ou desconhecido, caro ou barato. Ao entrar é recepcionado por um garçom e direciona-se até uma mesa disponível. Ao aconchegar-se, olha na mesa e a primeira coisa que procura é o cardápio. Onde estaria ele? Você chama o garçom que provavelmente estará distraído ou atendendo outras mesas. Ao chegar a sua mesa, o garçom diz: “Pois não, o que deseja?” Ora, a não ser que sejamos clientes VIPs e que o garçom já nos conheça, qual a probabilidade de você já saber exatamente qual prato vai pedir? Obviamente pedimos o cardápio ao garçom e, por mais impressionante que pareça, o mesmo faz cara de surpresa e vai buscá-lo a contra gosto, como se você tivesse obrigação de saber o que vai pedir, ou pior ainda, como se o cardápio fosse um entidade que devesse ficar em uma redoma de vidro e nunca ser sequer tocado por nossas desgraçadas e imundas mãos.

Ao voltar com o menu, o garçom fica a seu lado, vigiando-o para que você não faça nada de errado com aquele item tão precioso, e está pronto para retirá-lo de suas mãos caso a atenção seja dispersada. Engana-se quem pensa que o garçom está lá para servi-lo, na verdade ele é guardião do cardápio, como se o mesmo fosse o item mais importante e valioso naquele local. Se há dúvidas sobre algum item descrito nele, guarde para si, pois raramente o garçom saberá esclarecê-lo, afinal o que está no cardápio é a última palavra, o que está lá é a verdade absoluta, e tudo que você deve saber, ou seja, não pergunte.

Ainda que não seja o caso, se tudo até aqui foi bem, ao realizar o pedido, imediatamente o cardápio é rispidamente retirado de suas mãos, não importando se você futuramente vai pedir mais alguma coisa. Terá que seguir o mesmo roteiro para pedir uma sobremesa por exemplo, implorando ao garçom que lhe traga o menu. Isso quando não são cardápios diferentes para entradas, almoço, bebidas, vinhos, sobremesas e etc., aí prepare-se para ajoelhar e implorar ao garçom.

garcom1Afinal, qual a dificuldade de deixarem pelo menos um cardápio na mesa? Entendo que todo comércio quer sugar de seus clientes o máximo possível, portanto neste caso este item supervalorizado nada mais é do que a vitrine para o estabelecimento. Imagino que o que um restaurante/lanchonete deseja é que os clientes peçam as coisas, mas por que não facilitar deixando o cardápio na mesa, como um chamariz, para instigar o cliente a querer pedir mais alguma coisa, até que esteja completamente satisfeito? Será que o custo de “imprimir” cardápios é tão alto assim, a ponto de impossibilitar que o estabelecimento possa sustentar-se e ainda oferecer cardápios para todos seus clientes?

Brincadeiras a parte, se você é dono de um restaurante ou lanchonete, atente para esta síndrome em seus garçons e encaminhe-os para um bom psicólogo. Se você é garçom entenda que nós clientes não queremos roubar ou maltratar o pobres cardápios, mas sim contemplá-los, para que juntos possamos fazer nosso pedido e saciar nossa fome. E finalmente, se você é cliente como eu, ignore a cara feia do garçom e agarre seu cardápio. Solte-o somente quando tiver certeza que não necessitará mais dele.

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