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Reflexões sobre a vida, o universo e tudo mais

Lições sobre a vida, o universo e tudo mais

bau_tesouroNossa memória nada mais é do que um velho baú empoeirado. Uns mais outros menos, porém todos nós temos neles diversos itens de grande importância, como lembranças e experiências as quais passamos durante nossa vida e, vez ou outra alguma dessas vem a tona. Foi o que aconteceu na semana passada, quando ouvindo meus amigos do Grande Coisa num bate papo sobre antigos programas de TV, revivi grandes cenas as quais aprendi muito em minha vida. Estou falando do clássico programa “O Mundo de Beakman“.

beakmanO programa era sensacional, apresentado por um meio professor, meio cientista louco, sua assistente e um rato gigante. A descontração era total e o mais importante foi o quanto nós — crianças — aprendemos com esse trio. De perguntas simples às mais complexas, passando por causos da história mundial, da física, da biologia e até de astronomia, além de situações pra lá de bizarras, tudo era respondido e de uma maneira tão simples, que qualquer um podia entender. Ahh se todos os professores fossem como o Beakman!

Aproveitei a deixa e procurei na Internet os capítulos há muito armazenados no grande e velho baú e, para minha surpresa, consegui achar toda a série, e com dublagem original. Não pude resistir e estou a cada dia matando a saudade, capítulo por capítulo.

O mais interessante é que ao assisti-los, mais lembranças vieram a tona. Aos poucos fui lembrando dos grandes mestres que contribuíram para eu eu estar aqui e ser que em sou hoje.

A  lembrança mais remota (e empoeirada) começa no colégio Lobo Vianna, com a professora Salete, do jardim/pré-escola. As memórias do dia a dia são escassas, mas a imagem dela e de seu apoio a este jovem estão lá no fundo. Sei que no início não gostava dela, mas com o tempo ela ganhou a minha simpatia e um lugar no grande baú. Pouco tempo depois foi a professora Beth, da primeira série, um amor de pessoa, com seu grande óculos e seus cabelos louros. Foi difícil saber que tinha passado de ano e teria outra professora.

O tempo passou e do ginásio recordo-me da Eliana, minha professora de língua portuguesa e inglesa, que entendia minha insatisfação e incentivou-me a escrever minha primeira obra, um livro para ensinar inglês a minha maneira. Tenho até hoje o manuscrito. Isa, minha professora de Educação Artística, que tanto me apoiou para que eu desenvolvesse minha aptidão com o lápis, e assim aprimorar meus desenhos. Não foram muitos que sobreviveram ao tempo, mas ainda tenho alguns deles guardados.

Outro destaque da mesma época, e também muito merecido, vai para o professor Alfonso, de história. Este foi um dos grandes responsáveis por minha veia contestadora que levaria-me futuramente ao jornalismo.

Saindo do foco escola, posso lembrar-me também do Sensei Marcelo Yonamine e Sensei Mauri, que me ensinaram a canalizar minhas energias, formando meu corpo na filosofia das artes marciais através do karatê.

No colegial tive o prazer de ter aula com Antônio Menezes de Oliveira. Esse sim era um mestre de verdade, como poucos o são hoje em dia. Era rígido dentro da sala de aula. Seu nível de exigência para com seus alunos era o mais alto possível. Tratava-nos como adultos conscientes das consequências de nossos atos. Era um exemplo em si. Seus ensinamentos iam muito além da língua e literatura portuguesa, eram ensinamentos para vida, para reforçar nosso caráter. Este foi meu grande incentivador a continuar meus estudos, alçando vôo na Universidade.  Um dos maiores prazeres que tive foi, após passar no vestibular (coisa que na minha época era difícil e um feito de poucos), voltar à escola e agradece-lo, bem como ao professor Alfonso pelo apoio. Lembro claramente do sentimento de orgulho em ambos. Uma energia extremamente positiva que dava-me ainda mais forças para seguir em frente, e a qual nunca poderei esquecer.

Não posso deixar de agradecer também as professoras Vera (Matemática/Física) e Lídia (inglês), também conhecida entre os alunos como “bolinho”, por terem tido “paciência” de aguentar minhas contestações e sede por conhecimentos. Naquele momento eu queria alçar vôos ainda maiores, porém elas não estavam preparadas para isso e não puderam entender. Paciência… ainda assim as agradeço.

No meio do caminho conheci a professora Leila, no curso de inglês que fazia. O mais interessante é que o melhor do curso não eram as aulas de inglês, mas nossas conversas após a aula, sobre política, literatura e ciência. Ela foi a responsável por me ajudar a transitar da literatura infanto-juvenil à literatura adulta, apresentando novos segmentos de leitura. Cristiane F., A Revolução dos Bichos, 1984, Admirável Mundo Novo foram alguns dos livros que esta professora me apresentou, e que até hoje estão entre meus Top 10.

como-solicitar-becas-estudios-L-5rY0W1Ahhh a Universidade! Na falta de um curso universitário, fiz dois, mas poucos professores destacaram-se tanto quanto Gerson Moreira Linha, responsável por apresentar a magia do jornalismo, Dirceu Lopes, responsável por quebrar a magia do jornalismo e apresentar-nos a realidade, Tadeu Nascimento por nos mostrar uma nova forma de ver o mundo e representá-lo através da arte da fotografia, Claudio Lemos, meu querido xará, que incentivou-me na arte do design e diagramação, fundamentais para minha carreira. Paulo Cândido meu caro orientador e amigo, que me apoiou mesmo quando todos estavam contra. Ao final e não menos importante está Walter Lima, meu maior incentivador a avançar pelo desconhecido, aguçando minha percepção para as novas tecnologias e suas possibilidades. Se hoje a tecnologia paga o pão nosso de cada dia, esse cara é o responsável. Obrigado.

Depois da Universidade, fiz diversos cursos e agradeço pelo conhecimento adquirido, porém nenhum destacou-se como meu curso intensivo de língua espanhola. Paulo Della Rosa Junior, este querido professor destacou-se por ser diferente, por propor um forma diferente de aprender, na prática, além de apoiar-me em um momento de pressão que eu estava passando. Precisava aprender rapidamente e ele não apenas entendeu minha necessidade, como teve o cuidado de me apresentar os bastidores da língua e seus praticantes, dicas as quais nunca esqueci, e que por diversas vezes foram o meu diferencial, tudo isso em 3,5 meses. Fico imensamente grato, pois graças a ele consegui até ministrar um curso inteiramente em espanhol no Chile.

Não tão importantes quanto os de carne e osso, mas grandes mestres da TV, literatura e sétima arte também têm um espaço reservado no baú: Mestre Yoda, Sr. Miyagi, Professor Girafales, Prof. Dumbledore, Prof.  Henry ‘Indiana’ Jones Jr, Prof. Xavier, Professora Helena, Professor Pardal, Professor Tibúrcio, entre muito outros.

Assim, termino aqui agradecendo mais uma vez a todos os mestres citados e aos não citados, pois foram responsáveis por quem sou hoje. E você, quem são seus mestres?

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One response to “Lições sobre a vida, o universo e tudo mais

  1. DELEGADO DELLA ROSA 09/08/2013 às 6:06

    Não há dúvida de que o ser humano é movido pelo reconhecimento.
    Grandeza atávica e inarredável da dignificante condição de ser PENSANTE.
    Bichos na essência, nos completamos uns aos outros pelo sucesso que cada qual e todos alcançam na nem sempre tão generosa RAT RACE.
    Muitas das vezes, sem que disso não tomemos nem sequer ciência.
    CLAUDIO BASSANI CORREIA FILHO é a personificação da benfazeja idiossincrasia gregária do HOMEM.
    Conhecê-lo, por si só, é um privilégio.
    Partilhar do seu convívio, um presente.
    Dividir seus sonhos, uma distinção.
    Não apenas pela inteligência invulgar. Pela dedicação e pertinácia herculana. Ou pela nímia e nédia cultura.
    Meritocrata que sou, soube desde os primeiros minutos que estava EU diante de um vencedor.
    Permito-ME deitar luzes sobre o OLHAR.
    Sou Homem de parcíssimos talentos.
    Um deles – e ME ufano por tal – é ser um bom leitor de almas.
    E as almas têm como espelho o olhar.
    Sua interface telúrica e absolutamente devassável.
    Claudio tem um olhar sereno. Humilde. Grandioso. Analítico. E doce.
    De uma generosidade a toda prova.
    Ensinar-lhe, se é que tal honraria é necessária, é, antes de mais nada, um exercício de prazer.
    A satisfação e a plenitude com que este GRANDE HOMEM sorve cada nesga de saber é absolutamente louvável.
    Na mesma proporção em que a velocidade de apreensão, compreensão e memorização por ele protagonizada.
    Felizes os convidados para este banquete.
    Como aprendiz – todos um dia o fomos -, algo que estou convencido que de forma célere e, mormente como norte, guia, comandante, chefe e PENSADOR, estamos diante de um HOMEM RARO.
    Alguém que ME é caro.
    Que fez da Minha já longeva existência uma pradaria mais profícua. Florescente. Menos estéril. MELHOR!
    Obrigado, querido AMIGO.
    Pelas palavras.
    Pela parceria.
    E por ME fazer acreditar que o BRASIL dos Meus netos será menos plúmbeo. E muito mais verde, amarelo, branco e azul anil.
    Mulheres e homens como VOCÊ ME dão essa certeza.
    Um fraternal e afetuoso abraço.
    PAULO DELLA ROSA JUNIOR

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